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Guerra de babuínos

Extensa reportagem na revista Veja mostra que a CPI dos Cartões Corporativos virou palco de guerra de babuínos. O governo ameaçado pelas investigações responde com a ameaças de abrir os registros dos gastos da época de Fernando Henrique Cardoso, o que colocaria não só o ex-presidente, mas a maioria dos próceres tucanos sob suspeição.

O ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria-Geral da União, diz que “é possível que surjam coisas mais graves do que as que já foram descobertas até agora”. O ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, sugeriu que a comissão se dedique ao exame das contas tipo B, um fundo de despesas que antecedeu a criação dos cartões.

VEJA teve acesso a parte do dossiê. Elaborado com base em dados considerados sigilosos pelo próprio governo, o material reúne detalhes das despesas do ex-presidente Fernando Henrique, de sua mulher, Ruth Cardoso, e de assessores próximos nos anos de 1998, 2000 e 2001 nas chamadas contas tipo B – aquelas a que o ministro Paulo Bernardo se referiu.

O documento lista centenas de compras realizadas pelo gabinete do ex-presidente, desce a insignificâncias, como pagamento de gorjetas e aquisição de material de higiene pessoal, e faz insinuações potencialmente graves, se verídicas, sobre a mistura de recursos públicos com despesas de campanha eleitoral. Estão também discriminados compras de bebidas, alimentos e aluguel de carros.

Cabe a pergunta: não seria bom que todos os gastos desde a criação das contas B e dos cartões corporativos ficasse expostos para que os brasileiros pudessem avaliar os costumes na República?

2 Comentários

  1. Foi o romano Cicero que examinou o conceito de república (res + publica = o bem público) , diferenciando-a da res privata, domestica ou familiaris, estabelecendo uma distinção entre o público – o comum de todos – e o privado – o que não é comum de todos (repito: não é comum de todos). O público, portanto, diz respeito ao bem do povo, sendo este o único destinatário da res publica. Ora, o que vemos cada vez que escarafunchamos a utilização dos instrumentos da res publica – p. ex., o cartão corporativo instituido para atender a prestação do serviço público ? Não vemos esta, mas sim a res privata, a res domestica ou até a res familiaris sendo atendida ao invés da res publica. A guerra de babuínos, povo bão de voto, deve servir aos babuínos, não ao povo. O povo quererá, por certo, ver estes babuínos e toda a camarilha dos que utilizam a res publica como res privata, domestica ou familiaris (não precisamos ir muito longe) fora dos governos para sempre, e se possível atrás das grades, lugar mais apropriado para babuinos feroses e imundos. Ou não ?

  2. Patrimonialistas Responder

    São as velhas práticas patrimonialistas cuja apuração dos atos não interessam a ninguém, já que os cartões surgiram no governo FHC e o uso indevido é a única realidade nos dois governos.

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