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Atentado contra Plínio Marcos

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Os feirantes do Largo da Ordem não são pessoas que vão ao teatro. A absoluta maioria jamais viu uma peça. O mais que alguns já experimentaram de prazer estético diante de uma encenação foi a “Paixão de Cristo” em sua paróquia. Embora sejam comerciantes do espaço cultural da cidade, detestam cultura.

Não é de estranhar que os feirantes tenham reagido à encenação à céu aberto de “Abajur Lilás”, do Plínio Marcos, que morreu em 1999 mas sua obra está aí, viva, a incomodar os bestuntos. A peça tem realidade demais para o que pode suportar o moralismo chinfrim dos comerciantes, que chegaram a se dizer insultados pelos palavrões presentes nos diálogos.

Um comerciante que se dizia policial militar aposentado sacou uma arma e ameaçou disparar contra dois atores. Ora, pois, desde quando PM aposentado deve andar armado a ameaçar pessoas porque não gosta do que elas dizem?

1 Comentário

  1. Seu Fábio:
    Não sou santo nem metido a moralista, mas dizer palavrão no meio na feira não é “arte”. O Abajur Lilás – com toda a sua crueza e realidade, é texto para o teatro, não para a praça, nem no domingo de manhã com a família.
    Abomino a ação da “otoridade”, mas para dizer palavrão e agarrar as partes baixas dos passantes, a Maria do Cavaquinho era muito, mas muito mais original. E já passam, no mínimo, 20 anos que ela fazia isso!

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