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Oito anos de Rascunho

Hoje o jornal literário Rascunho celebra seu oitavo aniversário. E uma edição comemorativa da data já está circulando por todo o Brasil. O Rascunho 96 traz uma entrevista exclusiva com o escritor espanhol Enrique Vila-Matas, autor de Bartleby e Companhia, O Mal de Montano e Paris Não Tem Fim, entre outros.

Por e-mail, os jornalistas Rogério Pereira e José Castello falaram com Vila-Matas sobre a paixão do escritor pela literatura e por seus autores fundamentais. O espanhol também discorreu acerca da ironia e da morte e da profunda influência que os livros exercem sobre sua vida pessoal. “Se há ódio, há amor, e vice-versa. O que nunca se encontrará em mim é indiferença pela literatura”, afirmou.


Outro destaque da edição é a transcrição dos melhores momentos da primeira edição da terceira temporada do Paiol Literário, realizada em Curitiba, no mês de março. A convidada da vez foi a escritora Marina Colasanti, autora de Rota de Colisão e Eu Sei mas Não Devia, entre muitos outros. Num bate-papo com o músico e diretor teatral Flávio Stein e o público que lotou o Teatro do Paiol, Marina falou sobre a importância da leitura na formação de cada um, analisou a situação das mulheres na mídia atual e apontou as diferenças entre a literatura adulta e a infantil. “O bom leitor lê sentidos”, disse Marina. “Quanto mais uma criança se apegar ao sentido do que lê, melhor leitora ela será.”

Já o caderno Dom Casmurro, dedicado à publicação de poesia e prosa inéditas, traz um grande time de colaboradores este mês. Para comemorar o aniversário do jornal, foram publicados em primeira mão trabalhos de Adriano Espínola, Amilcar Bettega, Antonio Carlos Viana (o convidado de abril do Paiol Literário), Fernando Monteiro, Iacyr Anderson Freitas, Marcelino Freire, Maria Valéria Rezende e Milton Hatoum.

Sobrevivência e expansão

Mantendo a linha editorial independente que o caracteriza, jornal literário de Curitiba sobrevive no mercado, expande suas atividades e segue aumentando o número de seus leitores

Oficialmente, o Rascunho nasceu no dia 8 de abril de 2000, em Curitiba. Foi idealizado pelo jornalista Rogério Pereira, que, para lançá-lo, contou com o auxílio de meia dúzia de amigos entusiastas. De início, tudo se resumia a um caderno mensal de oito páginas, encartado no Jornal do Estado. No mailing daquele primeiro Rascunho, havia apenas 150 pessoas inscritas. Além disso, o jornal também era distribuído gratuitamente em alguns locais estratégicos da capital paranaense, como a Livraria do Chain e a Biblioteca Pública do Paraná.

Oito anos depois, o Rascunho chega à sua 96.ª edição com 32 páginas, em formato standard, divididas em quatro cadernos. Famoso pela qualidade de seu conteúdo e pelas polêmicas que fomentou no meio literário, hoje o jornal atinge um público de cerca de 10 mil pessoas em todo o Brasil ― sem contar seus inúmeros leitores na internet (www.rascunho.com.br). Affonso Romano de Sant’Anna, José Castello, Fernando Monteiro e Flávio Carneiro são alguns dos escritores que assinam colunas mensais no jornal. E o elenco de seus colaboradores, eventuais ou fixos, já ultrapassou os 200 nomes.

Nesses oito anos, o Rascunho também ampliou suas atividades. Criou, juntamente com Fundação Cultural de Curitiba, a Oficina de Criação Literária Rascunho, ministrada por José Castello, e, em parceria com a FCC e o Sesi Paraná, o Paiol Literário, projeto que, mensalmente, há três anos, traz à cidade um grande nome da literatura brasileira, para um bate-papo com o seu público. Já participaram do evento personalidades como Ignácio de Loyola Brandão, Ana Maria Machado, José Mindlin, Milton Hatoum, Cristovão Tezza, Miguel Sanches Neto, Marçal Aquino e Luiz Vilela, entre muitos outros.

Sobre Rogério Pereira

Rogério Pereira é catarinense de Galvão, criado em Curitiba desde a infância. É jornalista pós-graduado em Comunicação e Gestão Política pela Universidad Complutense de Madrid (Espanha). Fundou, em 2000, o jornal literário Rascunho, de circulação nacional. Já foi chefe de redação dos jornais Primeira Hora e Gazeta do Povo.

2 Comentários

  1. Rascunho é uma resistência e uma reação contra a mediocridade literária. Todos os países que prezam a literatura tem jornais literários.
    Parafraseando Monteiro Lobato: um país se faz com homens e livros e o Rascunho.
    Parabéns Rascunho e toda a equipe de colaboradores.

  2. Rogério Pereira, parabéns e obrigado por perseverar! Num país como o nosso, que não valoriza quem escreve, iniciativa como essa sua de editar um jornal literário – sem apoio da “máquina” – é raridade e merece o nosso respeito, admiração e leitura. Avante, jovem promotor da cultura e divulgador de autores e obras. Alio-me aos que torcem pelo seu sucesso. E continuo aguardando o meu exemplar de assinante com ansiedade. Até…

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