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Dívida custa nove meses de trabalho

O brasileiro precisa trabalhar cada vez mais para quitar dívidas de financiamentos. Hoje são necessários mais de nove meses de trabalho para pagar empréstimos. Em 2004, essa conta era inferior a seis meses, conta Marcia De Chiara em artigo no Estadão.

O aumento de 60% no comprometimento da renda com empréstimos em três anos é resultado do ritmo de crescimento do crédito ao consumidor, muito superior à massa de salários.

É exatamente esse descompasso entre o crédito e a massa salarial que deve funcionar como freio no consumo daqui para frente. “Nem precisava subir os juros para arrefecer a economia”, diz o consultor para o sistema financeiro e economista pela Universidade de Brasília, Humberto Veiga.

Em reunião marcada para esta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,25% ao ano. A expectativa do mercado é de um acréscimo de 0,25 ponto porcentual. Mas há quem espere alta de até 0,5 ponto nos juros por causa do aumento da inflação.

O economista concluiu que o comprometimento da renda está elevado depois de fazer um estudo sobre o comportamento da massa de salários e do crédito. Nos cálculos, foi considerada a evolução da massa de salários com base nos dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seis regiões metropolitanas do País. Também foi levado em conta o volume de crédito ao consumidor mês a mês entre novembro de 2004 e novembro de 2007, segundo as estatísticas do BC. Ficaram de fora da análise janeiro e dezembro de cada ano porque nesses meses há forte influência do 13º salário tanto na renda como no crédito, frisa Veiga.

O estudo aponta crescimento da massa salarial de 21% de novembro de 2004 a novembro de 2007 e aumento do volume de empréstimos de 85%, já descontada a inflação. Em números exatos, o brasileiro precisava trabalhar 5,9 meses para pagar os empréstimos em 2004. Essa relação subiu para 7,3 meses em 2005 e passou a 8,6 meses em 2006. No fim de 2007, atingiu 9,5 meses. “O comprometimento da renda com empréstimos hoje é bastante considerável. É um sinal de alerta e pode reduzir a capacidade de consumo mais para frente”, diz Veiga.

A rápida expansão do crédito não preocupa apenas o governo que, recentemente, ensaiou uma redução nos prazos dos financiamentos. Em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global divulgado na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou crescimento de 28,5% no crédito ao setor privado no Brasil em 2007. Segundo os autores do relatório, o foco de preocupação não é a proporção entre crédito e PIB, que hoje é de 34,9%, mas o ritmo de expansão dos financiamentos. Aumentos acima de 20% foram assinalados como “possíveis fontes de problemas”.

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