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A cabeça do eleitor brasileiro

O sociólogo Alberto Carlos Almeida causou polêmica no ano passado ao lançar o livro “A Cabeça do Brasileiro”. Entre outras, ele mostrava que a parcela mais educada da população – ou seja, a elite brasileira – é menos preconceituosa, menos estatizante e tem valores sociais mais sólidos do que a parcela formada pelos brasileiros menos escolarizados.

Desmentia o lugar comum da maioria afeiçoada ao mito do “povo sábio” e da “elite retrógrada”, entre outros anacronismos que a história já se encarregou de enterrar. Agora, em seu novo livro, “A Cabeça do Eleitor” (308 páginas, 40 reais, editora Record), o sociólogo se arrisca a provocar nova grita.

Com base na análise de 150 eleições – municipais, estaduais e presidenciais –, Almeida analisa a lógica que orienta a escolha de um candidato por parte do eleitor brasileiro. E chega à conclusão de que essa lógica é bem mais simples do que se poderia supor. Constrangedoramente simples até: o brasileiro vota a favor do governo ou do candidato do governo se considera que sua vida está boa ou melhorou. E vota no candidato da oposição se considera que ela está ruim ou piorou.

Questões como ética, corrupção, separação entre o público e o privado não entram nessa conta. “O eleitorado, sobretudo o de baixa renda, vota em função de suas necessidades imediatas e da satisfação dessas necessidades”, concorda o sociólogo Demétrio Magnoli.

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