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A mãe, a casa e a cidade, um artigo de Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann é candidata do PT a prefeitura de Curitiba. Ela enviou um artigo onde expõe suas idéias
sobre o papel da mulher, a função materna e a vida urbana nestes dias de mudanças rápidas e exigências novas para as mulheres.

O artigo é interessante porque desloca a discussão sobre as responsabilidades da gestão pública para um terreno mais próximo das questões da vida cotidiana.

Para ler o artigo e saber o que pensa a candidata do PT, clique no leria mais.

A MÃE, A CASA E A CIDADE

Quando pensamos, falamos ou escrevemos sobre a figura da mãe, costumamos, quase sempre, restringir o nosso olhar ao espaço da casa, dos cuidados domésticos, do zelo com o crescimento e a educação de filhos e filhas. E é claro que está certo. Mas não é só isso. As próprias funções do ser mãe, no mundo contemporâneo e nas sociedades e cidades complexas em que vivemos, têm exigências e implicações que ultrapassam em muito os limites tradicionais do lar.

A função materna, hoje, deve ser vista tanto no plano doméstico quanto no social. Mais particularmente, no plano da vida, da forma e da organização da cidade. Afinal, a criação de filhos e filhas não acontece numa ilha deserta, fora do mundo. Nossas crianças vêm à luz numa cidade real, com suas desigualdades, suas questões educacionais, seus problemas de violência, uso e tráfico de drogas, possibilidades de emprego e perspectivas de futuro. E mãe nenhuma pode permanecer distante dessas coisas. Alheia ou indiferente aos destinos dos seres que traz ao mundo – e cria.

Hoje em dia, muito mais do que num passado recente, a mãe raramente se encerra na esfera doméstica. É também a mulher que luta, trabalha, batalha diariamente pela vida e a sobrevivência. E, ainda, a mulher que pensa, tem idéias, faz projetos, sabe perfeitamente bem das coisas que precisam ser feitas, ou necessitam de mudanças.

Dou sempre o exemplo de Curitiba, cidade em que nasci. Nós, mães, sabemos que, nesta cidade, cada mulher que vai ao trabalho, sem poder se dar ao luxo de gastos privados, necessita de uma creche pública onde deixar sua criança. No entanto, faltam vagas nas creches de Curitiba. Vagas para milhares de crianças. Quando o poder público está na obrigação de reconhecer que creche não é favor nem dádiva, mas um direito da criança, fundamental para o seu desenvolvimento cognitivo e social.

A questão das creches diz respeito, portanto, às mães de Curitiba. Assim como a questão do ensino, de um modo geral, e a da saúde infantil. Do mesmo modo, a violência que atinge nossos adolescentes. Ou o problema crescente do uso de drogas. Especialmente, numa cidade em que, como a nossa, inexistem políticas públicas para a juventude. No campo da cultura, do esporte, do lazer. Como, também, no campo do emprego – e a angústia do primeiro emprego, bem sabemos, é uma aflição também para as mães.

É por isso mesmo que a afeição, o amor e o cuidado maternos possuem, em si mesmos, uma dimensão social. Vão bem além do âmbito apenas familiar. Para se estender à rua, ao bairro, à cidade. Isto é cada vez mais claro para nós. A função materna propriamente dita, em sentido biológico e escala doméstica, não tem como não se prolongar em direção à esfera social – e, mesmo, política.

Não é por outro motivo que sempre digo que, nos dias que correm, zelar por filhos e filhas implica zelar pela cidade. A cidade não pode se transformar numa ameaça para nossas crianças e nossos jovens. A cidade não pode se converter em sinônimo de insegurança e medo. Muito pelo contrário: deve ser o espaço generoso da formação e do convívio de nossos pequenos cidadãos e cidadãs curitibanos. Por esta razão, as mães participam e querem participar sempre mais da construção dos destinos desta nossa cidade. Porque temos o nosso jeito, o nosso modo próprio de olhar Curitiba.

(*) Curitibana, mãe de dois filhos, advogada, gestora pública e pré-candidata do PT à Prefeitura de Curitiba.

2 Comentários

  1. cidadão de olho ... Responder

    me enagana que eu gosto ?!

    muito lero lero e pouca concretude …Por que não aproveitou e falou o que espera proporcionar ás famílas curitibanas em termos de políticas públicas inovadoras … ou ainda vai pensar no assunto ….

    Será que também é uma candidata de época eleitoral, qual seja desgarrada do pensamento do partido, que já disputou outras eleições e inclusive por duas vezes (Vanhoni), quase teve suas propostas de campanha vitóriosa nas urnas ?

    Isso que nos deixa perplexos e pessimistas, quando candidatos desgarrados de partidos (de um pensamento mais elaborado e maduro), em época de eleição enchem os papéis de idéias mirabolantes para conquistar o voto de eleitores incautos e sonhadores (formados nas lides novelianas do plim plim diário (ou melhor, noturno).

    E aí vale o bordão: políticos acordem, o povo ( se era) não é mais BOBO !

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