Uncategorized

Carta da Vânia Mercer

Recebi carta de Vânia Mercer. Visão lúcida da psicóloga sobre o confronto emblemático entre jovens da periferia e a segurança do Shopping Palladium. Pedi autorização para publicá-la. Aí vai uma boa contribuição para começar a pensar sobre a discriminação nossa de cada dia. Para ler, clique em “Leia Mais”.

Fábio

Independente dos partidos que você possa endossar nesta campanha ou candidatos, repudio a atitude do empresário do Shopping Palladium.

Os empresários se arvoram preservadores da segurança dos clientes e da população e inauguraram o shopping Palladium sem alvarás.

Onde esta a coerência dos guardiães da segurança , ou dos famintos pela grana, que para não pagar multas pelos prazos, transgrediram as leis da vigilância sanitária, abrindo as portas sem alvarás – expondo a todos?

Como um grupo grande e rico não estuda uma política de acolhimento dos Manos, se instalaram seu negócio invadindo a área deles, no Parolin e adjacências, e não permitem que eles visitem ou usufruam minimamente?

Os Manos freqüentam o Omar Shopping gastam por lá, sou meio vizinha e não tenho notícia de atitudes de tamanha ignorância.

O novo shopping previu algum espaço ou tem alguma loja que atenda aos desejos de consumo dos Manos, ou de passeio dos vizinhos do empreendimento?

Quantos skatistas de classe média e classe alta não andam de bermudões e fazem algazarras encobertas nas discotecas da vida, nas festas, em saídas de cursinho, como acontece na Des. Motta, arredores da Vicente Machado?!

Os mais favorecidos não usam tubões ( acho que é esta a expressão) mas esquentam na casa de alguem antes de ir para a balada.

Considero que se não investiram nas pessoas – só nos produtos e decoração das grifes – é bom que invistam agora. Ainda há tempo para contratar uma consultoria com gente que entende e pensa, como Pedro Bodê, Gilberto Dimestein, Fernando da Chácara dos 4 Pinheiros e tantos outros.

Eles armaram a bomba. Eles, os sem alvará. E vão deixar explodir a represália dos Manos, sem um dialogo, sem construir juntos uma solução ou ao menos um caminho. E de boca cheia nos próximos dias, entre feridos e mortos , dirão que tinham razão em impedir o acesso dos Manos ao imóvel e usarão a maldita frase: “para o teu bem” e “fizemos em nome do bem da população reconhecida como gente”. Eles podem tudo e não sabem porque os Manos irão responder ao episódio com violência.

Existe a lei do uso do solo, na qual o empresário compensa a comunidade ao adquirir o direito de construir em áreas não autorizadas dando, em contrapartida, a preservação de uma área verde.
Por que não há uma lei que crie a contrapartida de um estudo/ efeito/projeto social para o bairro investido não se sentir invadido e o empreendimento não ser olhado como excludente da população do bairro. Não um projeto comercial, novos empregos… pois eles precisam de empregados, não o comercial, mas de integração sócio-cultural, segundo estudos das necessidades e possibilidades internas da região na qual se instalam.

Os empresários de shoppings – aqueles para quem a Praça do Batel foi repartida para desafogar o trânsito e já tem alvará para um empreendimento que afogará o que nem desafogou ainda. O governo, os governos estão com eles – os empresários, não com a juventude, com os idosos – suas escolas e/ou espaços de lazer saudáveis.

Um desabafo nos moldes da faculdade…
Abraço, Vânia

15 Comentários

  1. “Os mais favorecidos não usam tubões ( acho que é esta a expressão) mas esquentam na casa de alguem antes de ir para a balada.”

    Isso quer dizer que não bebem no meio da rua! Veja bem o que esses “estudantes” fazem quando saem em grupinhos de 150:

    http://www.youtube.com/watch?v=1w-P9oaUHfc

    O sr. poderia publicar esse vídeo na primeira página (assim como os diversos outros do youtube).

  2. Marqueteiro oficial Responder

    Caraca,matou a cobra e mostrou o pau. Pq esta turma do Palladium não vai a pqp…?

  3. Taí por que pessoas como Vania Mercer não está numa Camara de Vereadores. Poderia fazer a diferença!!!!
    E quantas vezes ja ouvimos ” estou fazendo para o seu bem”.
    Quem mais questionou a falta do alvará. Esta mesma Prefeitura que dá alvará provisório a revelia de vistoria de segurança, contrapondo-se a Justiça e ao MP, sabe confiscar bandejas de doces na praça (Lembram do cara do Carro do Sonho), Desligar o alto falante da Igreja que o padre por duas ou tres vezes fazia comunicado a população (Igreja da Barreirinha), Multa o sanfoneiro por poluição ambiental ( na frente da Opera de arame).
    Avisa aos vereadores que os Manos tambem votam, o Paladium pode até financiar uma ou duas campanhas, outros receberam migalhas.
    Tem troco este ano.

  4. É lúcida, equilibrada, oportuna e pertinente a carta de Vânia Mercer. Um empreendimento de tal porte – a primeira pergunta que se faz logo – respeitou os ditames legais para sua implantação ?

    Há um dispositivo do Estatuto das Cidades que se denomina com todas as letras “estudo de impacto de vizinhança”, o EIV, assim descrito:

    “Art. 37. O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades, incluindo a análise, no mínimo, das seguintes questões:
    I.adensamento populacional;
    II.equipamentos urbanos e comunitários;
    III.uso e ocupação do solo;
    IV. valorização imobiliária;
    V.geração de tráfego e demanda por transporte público;
    VI. ventilação e iluminação;
    VII.paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.”

    Mesmo que a Municipalidade não o tenha aplicado, a própria legislação municipal tem instrumento como o “Relatório Ambiental Prévio”, o RAP que analisa os impactos do empreendimento e pode sugerir a realização de audiência pública e/ou medidas para compensação e amenização de impactos ambientais e inclusive sociais.

    O fato é que vários empreendimentos, como shoppings e supermercados, tem sido implantados ou estão em vias de implantação em Curitiba sem que a comunidade afetada pelas mudanças sócio-ambientais na região tenham oportunidade de se manifestar no procedimento de licenciamento, até para que tais empreendimentos sejam bons para todos e não só para os empreendedores. E isto não é de agora. Lembram o Shopping Muller ?

  5. A cidade e seus guetos

    Matéria publicada 03/06, na Gazeta do Povo:

    A divisão de Curitiba em zonas periféricas pode soar como uma novidade para a classe média da cidade: quem vive na área central dificilmente ouve falar no pessoal que se orgulha em ser da zona Oeste ou da zona Norte. Mas a separação, que ficou clara no protesto em frente do Shopping Palladium, quando os garotos barrados na entrada cantavam músicas dizendo ser da zona Oeste e da Sul, pode ser vista no computador. A internet – e mais precisamente o site de relacionamentos Orkut – é um ponto de encontro dos representantes de cada uma das regiões da cidade.

    Só na comunidade intitulada “Zona Oeste Curitiba” são mais de 1,7 mil usuários. Um dos assuntos que reuniu mais mensagens até o momento é a descrição de uma comunidade de pichadores. É a MPCity – “Mandando Pixos na City”. A turma se orgulha de ser a maior pichadora da zona Oeste.

    Nos links, uma das comunidades relacionadas é a “Campina Muita Treta” – a turma do Campina da Siqueira que gosta de confusão. Outra comunidade é a “X@p@dos no Barigüi”. “Você adora ir pro Park Barigüi tomar um monte? Fica bem louco de golé ou xapado (sic) de outras coisas?” Quem faz isso pode entrar.

    Na comunidade “Zona Sul Muita Treta”, a enquete mostra o grau de rivalidade com outras regiões: “Por que os borsa (sic) da Zona Norte só corre de nóis (sic) da Zona Sul?” A opção mais escolhida, com 124 votos, é: “Porque eles sabem que a zona Sul comanda.”

    Na página da zona Sul, uma intrusa publicou um tópico em janeiro deste ano. “Zona Norte, Sul, Leste, Oeste, não faz diferença – Vileiros em geral são tudo um bando de maloqueiros, favelados, nojentos!” Os integrantes da comunidade se esmeraram em responder à “patricinha”. O primeiro comentário deu o tom: “Tem que dar risada duma patyzinha nojenta dessa. Fica nesse teu mundinho cor-de-rosa que uma hora a casa vai cair.”

    Já as outras duas grandes regiões periféricas da cidade resolveram montar uma comunidade conjunta: “Essa comunidade aí é pra quem é da zona Norte e zona Leste… É nóis (sic), União da Morte…”, afirma o texto de apresentação.

    Na comunidade exclusiva da zona Leste, a enquete pergunta qual é a área da cidade mais “dominada” pelo grupo. A resposta mais votada indica que é o bairro Cajuru. Até ontem, a imagem que ilustrava a página mostrava uma pessoa empunhando uma pistola e uma submetralhadora.

    A comunidade da zona Norte, por sua vez, com mais de 1,2 mil membros, tem uma apresentação forte. “Zona Norte… O terror começa lá. Zona Norte. Não tem hora para acabar”. Pouco adiante, o dono da página afirma: “Com nós (sic) quem quiser. Contra nós quem puder”.

  6. Vamos separar as coisas:

    1) Se o empreendimento estava sem alvará, tinha que ser fechado;

    2) Isto não dá o “direito de resposta” aos “Manos” ou a quem quer que seja;

    3) Ser pobre e/ou da periferia, não dá nenhum direito especial a ninguém; falo isto com conhecimento de causa;

    4) Vamos deixar de hipocrisia: os “Manos” são sim encrenqueiros, agem como gangue; adoram enfrentamentos; basta vc olhar para um do grupo que todos se assanham pelo confronto;

    5) O Shopping é um empreendimento privado e como tal direciona seus investimentos e certamente privilegia quem mais gasta; óbvio.

    6) Que tal pararmos com esta mania de tratar a todos que não estão no padrão como ” minorias” ou “excluídos”; eles que façam como eu e muitos outros que conheço: estudem, se esforcem e conquistem o seu espaço.

    7) Chega de Leis, precisamos é de vergonha na cara, só.

  7. Vânia, a bomba começou a ser armada há muito tempo. Infelizmente com a conivência e o respaldo de quem deveria fazer valer a nossa constituição, considerada tão progressista, e o que é mais assustador: com a complacência da sociedade que assiste passivamente a tantos desmandos e arbitrariedades! Não contentes com a desconstrução da educação pública de qualidade, ainda negam espaços para ocupar os nossos jovens de classes menos privilegiadas, que não tendo oportunidades significativas para construir uma história diferente, se tornam cada vez mais marginalizados. Sou professora (afastada do Colégio Estadual do Paraná) e estou trabalhando numa escola próxima a uma das favelas da cidade. Comecei a me informar junto aos meus alunos(adolescentes e jovens de boa índole, a quem só faltam oportunidades) sobre o que fazem quando não estão na escola. A resposta da maioria esmagadora é de que ficam na rua, por não ter o que fazer. Fui pesquisar na internet, esperançosa de que encontraria algum projeto que pudesse atender a esses adolescentes. Fiquei estarrecida com o resultado da minha pesquisa: não encontrei EM TODA A CURITIBA sequer um projeto que atenda a jovens e adolescentes carentes. Se o povo, do qual deveria EMANAR TODO O PODER, não se mobilizar e exigir mudanças, a explosão da bomba vai atingir a todos indistintamente.

  8. Vânia, você está com toda a razão! Essa cidade precisa de mais mulheres inteligentes como você!

  9. Ilustre jornalista Fábio Campana
    Peço licença para interagir com a leitora Vânia Mercer que enviou a missiva com o seu ponto de vista sobre os problemas do novo shopping. Lembrando sempre que é um debate de idéias e de respeito mútuo, como manda a boa democracia.
    Abs
    Cajucy

    Os empresários se arvoram preservadores da segurança dos clientes e da população e inauguraram o shopping Palladium sem alvarás.
    Cajucy: Inaugurou o shopping sem Alvará “definitivo” é porque houve, pelas vias legais – portanto não contestado pelas autoridades – o Alvará provisório e a exigência de que todos os itens de segurança sejam cumpridos até a nova vistoria. É de direito, por que não?

    Afinal, é um empreendimento monumental para a cidade, em termos de entretenimento e um comércio – com centenas de lojas – a disposição dos curitibanos, visitantes e turistas. E mais: gerando nada menos do que R$ 100 milhões/ano de impostos que deverão ser investidos em benefício de todos os cidadãos, independente de classes sociais. Pelo menos deveria ser assim. Mas aí, entramos no campo político.

    Um empreendimento de mais de R$ 300 milhões. Ora, minha prezada Vânia para um grupo empreendedor que coloca esse montante em circulação, por mais que, eventualmente, haja falhas no projeto – todos ajustáveis sob a supervisão das autoridades competentes – e que não coloque em risco às pessoas, deve ter, a bem da verdade, uma atenção especial dos poderes públicos.

    Principalmente num país como o Brasil cujo índice de desemprego é alarmante e a carência de seu povo brutal. São mais de cinco mil empregos que o empreendimento gera. Claro que todos os ditames da lei devem ser cumpridos. Tanto é que às autoridades estão acompanhando e liberando os documentos, mesmo que parciais. Não vejo com preocupação esse aspecto.

    Onde esta a coerência dos guardiães da segurança , ou dos famintos pela grana, que para não pagar multas pelos prazos, transgrediram as leis da vigilância sanitária, abrindo as portas sem alvarás – expondo a todos?
    Cajucy: Já respondi acima. Mas, num empreendimento desse porte, mesmo não se querendo, acabam acontecendo atrasos, pois muitos são os trabalhos de terceiros, empresas contratadas que também sofrem às flutuações do mercado.

    Quer seja de mão de obra qualificada ou de matérias-primas que, eventualmente, também não chegam em tempo hábil do fornecedor. Para um empreendimento desse porte não existe nenhum interesse em “transgredir” leis, roubar a segurança alheia ou subtrair aquilo que não lhe é devido.

    Afinal, o empreendedor que assim pensar, estará matando o seu empreendimento com a propaganda negativa. E não é o caso do referido shopping. Problemas que eventualmente acontecem, à solução está sendo tomada e cabe aos órgãos públicos do Estado fiscalizarem. E a fiscalização, pelo que temos tomado conhecimento, está sendo feita gradualmente e às arestas aparadas com o rigor da lei, sem prejuízo do cidadão, do empreendedor e menos ainda, do Estado arrecadador.

    Como um grupo grande e rico não estuda uma política de acolhimento dos Manos, se instalaram seu negócio invadindo a área deles, no Parolin e adjacências, e não permitem que eles visitem ou usufruam minimamente?
    Cajucy: Entendo a sua preocupação e discordo. Ora, o empreendedor – independente de quem, em se falando das cifras investidas – não abriu um shopping para essa ou aquela camada social, por assim dizer. Mas abriu um novo e monumental comércio para a cidade e que vai beneficiar principalmente a região onde ele se encontra.

    Os críticos do empreendimento estão se esquecendo da importância da obra para a valorização da região, tendo ao lado outro grande empreendimento que é o supermercado. São empresas desse porte que valorizam a região e todos ganham não apenas na valorização dos seus imóveis, mas também com as melhorias que os órgãos públicos fazem ao redor. Todos ganham. Ninguém perde. Até os terrenos legalizados e seus barracos são valorizados. É a lei de mercado.

    O tal “acolhimento dos manos” como você destaca, vejo por outro ângulo. Eles estão sendo beneficiados – assim como toda a sociedade curitibana – em ter mais um local de passeio, lazer, compras etc e, ainda, para os que desejarem e mostrarem interesse e capacidade, encontrar uma atividade com carteira assinada e ganho digno, evitando cair na lista do Bolsa Família, por exemplo. Quer contribuição maior à sociedade de todas às camadas do que essa? Emprego, renda e dignidade?

    Portanto, esse “acolhimento” nada mais é do que o direito do cidadão de ir e vir. Porém, para que não haja restrições, todos – independente da classe social – devem se comportar de acordo com as regas mínimas de convivência social, você não concorda? Em todo lugar é assim: comportamento, educação, bons modos. Até para viajar por uma empresa aérea temos que nos sujeitar às normas como, por exemplo, não usar celular a bordo. Quem não cumpre é repreendido e poderá ser preso pela Polícia Federal.

    Não foi assim que os nossos pais nos ensinaram? Não podemos mudar a regra. Em eu sendo, por exemplo, da classe média, até mesmo para entrar em ambientes dos “manos” como diz você, eu preciso saber me comportar, caso contrário serei um desigual, e às vezes posso me tornar intolerante, agressivo, não é mesmo?

    Ou, prezada Vânia, se você me convidasse para saborearmos um coquetel de frutas no Graciosa Country Clube, não sendo – eventualmente – meu ambiente, mas tendo eu aceito o convite, deverei seguir às regras daquele clube (empreendimento), concorda?

    Porque então os chamados “manos” – que acho esse rótulo pernicioso e responsável por esses acirramentos de ânimos – que são cidadãos como outro qualquer, não podem fazer o mesmo? Muitas pessoas não foram educadas para o convívio no Country Club, mas se esforça para manter um nível, naquele espaço, compatível com os demais.
    Isso é evolução, crescimento. Com os respeitáveis jovens da periferia não é diferente. Participação e responsabilidade são um casamento indissociável. Quem quebrar a sincronia paga o preço.

    Outro aspecto que discordo, ilustre Vânia – estamos no debate de idéias, ok? Você diz: “instalaram seu negócio invadindo a área deles”. Isso não é verdade. Eu na qualidade de cidadão brasileiro, paranaense e curitibano não tenho área pré-determinada, nem posso me arvorar em defesa da instalação de um empreendimento – um boteco que seja, como já aconteceu – próximo da minha casa. Não posso dizer que aquelas pessoas arruaceiras que freqüentam o bar invadiram a minha área. A área é pública e o espaço comprado ou locado e transformado num empreendimento, gostando eu ou não.

    Nem por isso, posso ir lá desacatar, chegar bêbado ou colocar o meu carro com o som alto cobrindo a música ambiente do local. Eu serei preso por invadir e perturbar área de terceiro. Ele está documentado para tal. E serve para o shopping também. Portanto, se eu quiser freqüentar o boteco deverei me comportar ou serei solicitado a me retirar. E não adianta, eu reclamar os meus direitos. Não tenho nenhum!
    Imagine num empreendimento de R$ 300 milhões que gera R$ 100 milhões de impostos/ano.

    Outro engano da sua parte: quem disse que “eles não permitem que tais jovens visitem ou usufruam minimamente?” Você acha correto que tais jovens, em bandos de 50, 100 e 150 pessoas entrem tipo manada em um estabelecimento comercial. Você acha isso normal? É comum? Ou, até de direito?

    Meus filhos num desses dias estavam naquele local e foi constrangedor, deprimente, preocupante. Não porque são pessoas da periferia, pois sempre eduquei meus filhos para a igualdade, porém com responsabilidade. O que, naquele momento, a recíproca não era verdadeira. Aliás, destoava da realidade do direito individual.

    “Visitar e usufruir” é passear, contemplar, admirar a grandiosidade do empreendimento pelas belezas que enche nossos olhos e nos anima. Se não têm condições financeiras de comprar, está tendo o direito de sonhar em conquistar tais condições – assim como outros – para voltar um dia como bem sucedido cidadão.
    E não se indispor e em nome da falácia se arvorar de revoltado e descriminado pela sociedade, quando não burguesa. Esse discurso já caiu por terra. Isso dá uma tese.

    Afinal, o cidadão – todos que desde o nascimento pagam impostos – contribui regiamente com a sua parte financeira para que o Estado – que é gerido por políticos cumpram a sua parte que é administrar com competência os recursos advindos dos impostos para o bem da população. O que lamentavelmente não tem acontecido. Razão pela qual existe essa discrepância social.

    Portanto, não é um problema da sociedade – e que ela respeita -, mas a malversação do dinheiro público. Porque essa mesma sociedade pagou os impostos, mas a outra ponta não recebeu as benfeitorias. A sociedade terá que pagar novamente? Muita calma nessa hora, prezada Vânia.

    Os Manos freqüentam o Omar Shopping gastam por lá, sou meio vizinha e não tenho notícia de atitudes de tamanha ignorância.
    Cajucy: cada empreendimento tem a sua filosofia. Nem por isso, as demais pessoas que não encontram os seus produtos no Omar, vão se rebelar contra o shopping, não mesmo?

    Por exemplo, eu não encontro bons calçados (sapatos) masculinos no Omar. E assim como eu, milhares de pessoas. Nem por isso vamos denegrir a imagem daquele estabelecimento comercial. Nem outras camadas sociais cometem essa mesma ignorância. É uma questão de lógica e princípio. É isso que o Ministério Público deve analisar: lógica e princípio.

    O novo shopping previu algum espaço ou tem alguma loja que atenda aos desejos de consumo dos Manos, ou de passeio dos vizinhos do empreendimento?
    Cajucy: o próprio empreendimento em si é espaço de passeio, descontração e lazer dos vizinhos do empreendimento. Basta fazer uma pesquisa in loco. Está existindo um acirramento de classes sociais. “Manos” da periferia nada mais são do que jovens como outros quaisquer. Todos têm direito de exercitar a juventude, mas não tem o direito de invadir a privacidade alheia, mesmo quando em público ou nos corredores do comércio. Isso é conviver em sociedade.

    Quantos skatistas de classe média e classe alta não andam de bermudões e fazem algazarras encobertas nas discotecas da vida, nas festas, em saídas de cursinho, como acontece na Des. Motta, arredores da Vicente Machado?!
    Cajucy: prezada você está se esquecendo que em cada local dos citados, eles estão em seus ambientes naturais, assim como jovens da periferia que em seus muitos endereços de curtição, também estão vestidos de acordo. Porém, quando precisam entrar em outros ambientes se moldam às regras. Compreensivo.

    Os mais favorecidos não usam tubões ( acho que é esta a expressão) mas esquentam na casa de alguem antes de ir para a balada.
    Cajucy: Vânia você tem razão. Cada um usa o “tubão” que melhor lhe convier. E, como você disse muito bem, os tais mais bem favorecidos enchem a cara, ou cheiram todas em seus ambientes fechados, mas no seu domínio -, e não nos corredores do comércio da cidade, não é mesmo?

    Imagina um louco – do bairro ou do centro – cheirar cocaína em frente ao shopping. Seria ridículo. E, não menos ridículo, o tal “tubão” – como vimos na televisão, em mãos daquela “galera” ensandecida…
    Você teria, prezada Vânia coragem e segurança em deixar seus filhos menores por perto?

    Considero que se não investiram nas pessoas – só nos produtos e decoração das grifes – é bom que invistam agora. Ainda há tempo para contratar uma consultoria com gente que entende e pensa, como Pedro Bodê, Gilberto Dimestein, Fernando da Chácara dos 4 Pinheiros e tantos outros.
    Cajucy: o empreendimento, no todo, é um investimento nas pessoas. No que oferece e no que proporciona, e no que gera para o município e Estado, além dos milhares de empregos. Todos foram brindados com a inauguração de mais esse shopping na cidade.
    Mas, fico na dúvida, neste item, se ele não tem por finalidade, outras razões que parecem nítidas. É do jogo.

    Eles armaram a bomba. Eles, os sem alvará. E vão deixar explodir a represália dos Manos, sem um dialogo, sem construir juntos uma solução ou ao menos um caminho.
    Cajucy: eles armaram a bomba? Não! Eles abriram um negócio devidamente legalizado, com alguns percalços que estão se ajustando no cumprimento da lei. Só isso. Acho, sinceramente, que tem pessoas interessadas em atritar cada vez mais essa história.

    “Que represália dos manos?” Com todo o respeito, não existe represália para quem, eventualmente, está fora da lei e das normas, conforme tudo que já falamos até aqui. O diálogo é cumprir às normas. O shopping cumpre às normas perante a lei – e tem prazo para isso -, e os jovens da periferia cumprem às normas do bom comportamento social. Pronto. É só isso!
    Sociedade democrática é assim. Estou enganado?

    “Construir uma solução ou pelo menos um caminho?” Foram construídos milhares de oportunidades, de caminhos e soluções para uma multidão de pessoas que não tinha emprego e nem mesmo perspectiva de renda e dignidade. Portanto, deveres e obrigações do comportamento social não tem o que se negociar. Há que se ajustar.

    Assim como o empreendimento se ajusta à lei cumprindo com as exigências da documentação – e tem prazo dilatado para isso – e os visitantes se ajustam às normativas do empreendimento comuns nos demais estabelecimentos do setor. Simples e socialmente aceitável. Bom para todos sem distinção de classes.

    E de boca cheia nos próximos dias, entre feridos e mortos , dirão que tinham razão em impedir o acesso dos Manos ao imóvel e usarão a maldita frase: “para o teu bem” e “fizemos em nome do bem da população reconhecida como gente”. Eles podem tudo e não sabem porque os Manos irão responder ao episódio com violência.
    Cajucy: sem comentários. Não vejo mérito nestas afirmativas. Sem mortos nem feridos, pois deve prevalecer o bom-senso, em que não pode faltar a segurança para todos. Quer seja da periferia ou dos bairros nobres. Toda a população, e mais os visitantes e turistas podem entrar no novo shopping, desde que cumpram os requisitos que cabem para todos.

    Agora, me causa espécie a sua afirmativa de que “… não sabem porque os manos irão responder ao episódio com violência”. É esse tipo de comentário, lamentavelmente, que fomenta ainda mais violência. Pois, acredito que não pode haver violência quando se cumpre a lei. Quem praticá-la é criminoso. Seja da periferia ou freqüentador do Country Club.

    Existe a lei do uso do solo, na qual o empresário compensa a comunidade ao adquirir o direito de construir em áreas não autorizadas dando, em contrapartida, a preservação de uma área verde.
    Cajucy: “construir em área não autorizada”. Pelo que se sabe a construção foi sim toda ela autorizada. Está devidamente legalizada. O que está sofrível são os prazos de entrega da obra em sua totalidade com todos os itens de segurança. É bem diferente. A área física aceita e comporta o empreendimento. A área verde é sempre bem vinda. Apesar de tanta área verde abandonada na cidade e sem segurança.
    Aliás, até parei de andar de bicicleta nas então famosas ciclovias que cortam áreas verdes da cidade por falta de segurança.

    Por que não há uma lei que crie a contrapartida de um estudo/ efeito/projeto social para o bairro investido não se sentir invadido e o empreendimento não ser olhado como excludente da população do bairro.
    Cajucy: a resposta para essa pergunta já respondi mais acima. É só fazer uma pesquisa séria junto à população do bairro para saber se eles aprovam ou não a chegada de novo e monumental empreendimento, sem se sentirem invadidos ou excluídos. Tenho a certeza que concordam em receber no bairro a nova fonte de riqueza, lazer e entretenimento, sem essas alegações. Pois, é através dessa pujança que o Estado e município arrecadam impostos e reinvestem nos quatro cantos da cidade. Isso quando não há negligência política, mas aí é outra história que o empreendedor não tem nada a ver com isso.

    Não um projeto comercial, novos empregos… pois eles precisam de empregados, não o comercial, mas de integração sócio-cultural, segundo estudos das necessidades e possibilidades internas da região na qual se instalam.
    Cajucy: perfeitamente. E essa integração sócio-cultural deve vir, principalmente das instituições voltadas para esse fim, sempre patrocinadas com a verba de apoio, que tais empreendimentos destinam para esses trabalhos, mesmo já tendo pagado o ônus excessivo através do imposto mensal. Isso já acontece, independente da forma.

    Os empresários de shoppings – aqueles para quem a Praça do Batel foi repartida para desafogar o trânsito e já tem alvará para um empreendimento que afogará o que nem desafogou ainda. O governo, os governos estão com eles – os empresários, não com a juventude, com os idosos – suas escolas e/ou espaços de lazer saudáveis.
    Cajucy: prezada Vânia eu entendo e respeito o seu desabafo. Cada um de nós também tem muito a dizer e discordar de muito do que está aí. Mas não podemos julgar e condenar os empresários que são sufocados com a abusiva cobrança, entre outros inconvenientes de um país burocrático.

    E lhe digo mais uma coisa, com a humildade de sempre: diante do triste quadro político nacional e não é de hoje, dos abusos das cobranças de impostos, da corrupção galopante e tantos outros fatos, pobre do Brasil se não fosse o setor empresarial trabalhar, produzir e trazer alento ao povo brasileiro.

    Porque da classe política sem a renovação de lideranças, não dá para esperar muita coisa.

    Em tempo: não sou da assessoria do referido shopping, nem tenho amizade com nenhum dos empreendedores. Falo como cidadão e observador atendo do cotidiano.

    Meu respeitoso abraço
    Cajucy Cajuman
    cajucycajuman@hotmail.com

  10. Parabéns Vânia, enfim uma mente lúcida e destemida faz uma análise coerente das atitudes tomadas pelo Shopping Palladium.
    O Sr. Cajuci cajuman que se propõem a um debate democrático, comete vários equivocos, na sua análise, por exemplo fala em Alvará provisório (isto não existe) , apoia que o shopping, abra às vesperas do dia das mães, que é o dia mais rentável do comércio depois do natal, sem considerar que a ganância colocou em risco milhares de vida que por lá passaram. Parece ser um honesto empresário, que acha que a responsabilidade do cidadão acaba quando paga os impostos em dia.
    Prof. Vânia, a sua análise vai para muito além disto, voce provoca a reflexão, não é maniqueísta, é dialética, reconhece as movimentações da sociedade e suas respostas. Parabéns, o mundo ainda respira e há cérebros vivos na nossa cidade..

  11. Caríssimo Observador
    Em nenhum momento desqualifiquei a argumentação da sra.Vânia. Interagi democraticamente. Com relação ao Alvará, se provisório ou não, ele foi dado. Se foi concedido é porque existe. Caso contrário seria cassado no dia seguinte. No entanto tem validade para trinta dias, se não me engano. Não é fato?

    Na minha argumentação independe se o shopping vai abrir na véspera do Dia das Mães ou qualquer outro dia. Já que precisava ser aberto para cumprir contratos, e demais responsabilidades.

    Se houvesse o risco como realmente foi alardeado, sinceramente, meu caro Observador, qual o órgão que seria louco em assumir tal responsabilidade? A Prefeitura? Ou o Corpo de Bombeiros? No entanto, ambos concederam. Portanto, se risco havia naquele momento, por certo não era tão grave, no que pese a responsabilidade de todos os órgãos que deliberaram favoravelmente.

    Não acredito que foi a ganância que fez com que às coisas se atropelassem. E sim a premência de cumprir os contratos que, nesses casos, geram multas pesadas.

    Adianto-lhe que não sou um empresário com interesses naquele segmento. Porém, honesto com minhas convicções. E pelo todo que destaquei no comentário anterior, ficou bem claro a minha posição sobre a responsabilidade de todos nós cidadãos, não apenas ao pagar imposto, mas muito mais para a maneira de nos comportarmos em sociedade, cuja educação vem de berço, independente da posição social.

    Meu respeitoso abraço e parabéns ao blog pelo interagir saudável, democrático e necessário.

  12. Sou psicóloga e mestre em Psicologia da Infância em Adolescência. Compreendo que o assunto é realmente polêmico, afinal é um problema social bem complexo e sistêmico. A questão em debate vai muito além da atitude do shopping, nos fazendo pensar sobre a realidade dos adolescentes de nossa sociedade, sejam eles de estratos sociais baixos ou até mesmo altos. Que modelos e oportunidades a sociedade formada por adultos tem oferecido aos adolescentes? O debate está aberto… esperando soluções conjuntas, a um problema que é de todos.

  13. Depois do comentário que escrevi, recebi e-mails de algumas pessoas conhecidas, informando-me sobre programas existentes: “alguns municipais na Fundação Cultural, na FAS, um pouco na SMEL, uns grupos pela saúde, em ONGS”. Fui visitar alguns deles, mas são poucas vagas, muitos são poucos divulgados e alguns são transitórios.
    O momento político que estamos vivendo é bastante importante para cobrarmos de todos os candidatos a prefeito e vereador propostas concretas que ajudem
    a mudar esta perversa realidade.

  14. pois é! eu ando com vileiro,tenho monte de amigos vileiros e sou z/s..(pra quem não sabe: zona sul,zona show)

    bom nas propagandas do palladium na televisão diz: nos temos todos os estilos(se tivessem deixaria os vila.. entrarem) não é mesmo?
    pq invés de se preocuparem tanto com os vileiros, vcs não são bons suficientes para ir a um tribunal e pedir justiça por tantos assasinos riquinhos q matam seus proprios pais, e estão solto? falar mau dos vileiros é fácil, dificil é olhar seus proprios erros! vcs acham q eles pensam o q de vcs? q são um bando de mitidos,querendo fazer justiça em um mundo q até as policia TRAFICA E CONSUMEM DROGAS…. se eles tem esse estilo é pq gostam, e vc tem seu estilo: surfista,emo,paty… pq é obrigada, não! pq acha legal.. do memso geito nos somos vileiros pq queremos…]]

    ***kizy****

  15. Julgais o vinho pelo seu rótulo?
    Se assim julgais, que será de um bom vinho que não possui rótulo!?
    Pesso ajuda também, às pessoas de bom coração, que me ajudem a gravar meu CD, aos domingos canto no parque barigui com meu violão de 5 cordas.
    Procurem no Youtube, GATO LOUCO DO AMENDOIM.
    =]

Comente