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Colégio Estadual, autoritarismo e repressão

Há nove professores sendo processados com base em leis de 1971, auge das leis de exceção do regime fardado, e de 1976, o Estatuto de Magistério o Estatuto do Servidor Público.

Embora essa manifestação de arbitrariedade e outras que vão tornando a diretora do Colégio, Maria Madselva Ferreira Feiges, símbolo da ideologia fascista na educação, o Colégio sediou um evento sobre Anistia e Democracia. Mas não permitiu que todos falasses. Cortou, por exemplo, a palavra da professora Maria Luiza Moreira da Rocha Diniz Lacerda (Malu), uma das vítimas de Madselva.

O que a professora Malu e outros não puderam falar no evento, está em carta enviada por ela a este blog. Leia, medite, perceba o que acontece no Colégio Estadual e no Paraná. Para ler a íntegra, clique no


Começou no Colégio Estadual do Paraná, no dia 25/06/2008, um evento sobre ANISTIA E DEMOCRACIA, onde seriam discutidos temas como repressão, perseguição política, entre outros. Como eu e mais nove professores estamos sendo processados com base em leis de 71, auge da repressão, e de 76, respectivamente, o Estatuto do Magistério e o Estatuto do Servidor Público, resolvi participar.

Durante a abertura do evento participou da mesa de abertura do evento a profª Maria Madselva Ferreira Feiges, fazendo um “emocionante” discurso sobre “democracia” – o primeiro dos muitos absurdos que viriam a seguir. Em seguida, uma colaboradora diretíssima da Madselva, agente de repressão dentro da escola, segundo relato de vários colegas e alunos, foi citada inúmeras vezes como símbolo do movimento pela anistia no Paraná. Ainda por cima, cantou “emocionadíssima” o hino nacional. Enquanto o Joel Ramalho (ex-presidente do GECEP) era retirado do CEP pelo chefe do GAA (outro importante colaborador da Madselva) e os representantes do GECEP não eram sequer mencionados, o Rafael Clabonde (UPES), o líder das invasões dos tubos de ligeirinho foi citado inúmeras vezes como “modelo” de líder estudantil, sendo, inclusive, convidado a compor a mesa no 2º momento da noite (o que não ocorreu pelo fato de ele estar ausente do auditório, quando foi chamado). Quando a profª Madselva falou “brilhantemente sobre democracia”, alguns alunos do grêmio, que têm contato diário com ela, vaiaram discretamente, enquanto um deles balançava um chocalho que reproduz o som de uma cobra cascavel.

Encaminhei então um bilhete a um dos participantes que conduzia os trabalhos naquela noite, solicitando um espaço de três minutos para falar sobre a situação do CEP. Negaram-me a palavra! Em seguida, o organizador do evento justificou que “não queria misturar as coisas, pois foram boicotados em muitos lugares e o único espaço aberto para o evento foi no CEP”. A resposta dele foi mais ou menos como dizer que se o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, tivesse aberto espaço e prestado apoio para a realização do evento, ele provavelmente também seria convidado a falar sobre democracia.

Dois alunos perguntaram-me, no final: “Professora Malu, você continua acreditando na democracia?” Respondi que sim e expliquei-lhes o porquê de tamanha convicção. Outros alunos que estavam próximos concordavam com a cabeça, enquanto eu falava. Apesar de ter me alongado um pouco na exposição dos motivos, senti que aquilo lhes trazia algum conforto e, em momento algum, eles demonstraram impaciência ou desinteresse. Vim para casa com o coração apertado e pensando: que lição estes jovens recebem diariamente dos adultos que deveriam ser suas referências? Quais serão os efeitos da nossa incoerência nas escolhas que os mais jovens farão, no modelo de sociedade no qual atuarão e pelo qual lutarão? Apesar da tristeza pelo que presenciei no auditório do CEP naquele dia, teimosamente mantenho a esperança.

Fiquei sabendo que ontem, dia 26/06, os alunos fizeram, durante o evento, uma manifestação pelas diretas, no auditório, no período da tarde e já foram punidos pela ousadia. A direção da escola ordenou que fosse tirada dos representantes do Grêmio a chave da Rádio Intervalo. Eles sabem que virão novas retaliações, mas parecem não estar com medo. Na consciência destes estudantes, pelo menos destes, há de prevalecer a opção pela construção da sociedade que todos nós merecemos: mais justa, mais humana e mais solidária! O que está faltando, para que isso aconteça concretamente, é que os nossos políticos e também os especialistas que falam sobre democracia e direitos humanos sejam um pouquinho mais coerentes. COERÊNCIA, esta é a palavra!

Ps: O ex-aluno Joel Ramalho, ex-presidente do GECEP, foi expulso do Colégio Estadual do Paraná pelo fato de ele ter assinado um documento, no início deste ano, comprometendo-se em não entrar nas dependências do Colégio Estadual do Paraná durante o turno da noite. O motivo? Ele é considerado um “agitador”, o principal responsável pelas manifestações por democracia ocorridas no ano passado. Quer dizer, nada de anistia, muito menos democracia!

Profª Maria Luiza Moreira da Rocha Diniz Lacerda (Malu)

34 Comentários

  1. Vale lembrar que hoje essa diretora é indicada diretamente pelo governador, oui seja, podemos a considerar sua assessora direta, aliais não ficam duvidas que ela é seguidora da politica autoritaria e fantasiosa de Requião, pela sua forma de atuação.

    Para terminar, será que o melhor secretário de educação do mundo, não acha importante democracia nas escolas. Fica a pergunta.

    Calma gentem, 2010 já já chega ai.

  2. Não é bem assim! Reply

    Embora os ex-presos e perseguidos políticos sejam sensíveis aos reclamos das comunidades, inclusive da do Colégio Estadual do Paraná não podemos deixar que uma atividade voltada para a discussão de uma questão específica, que é o caso da Tortura e dos julgamentos dos processos relativo a Anistia fosse desviada do assunto principal.

    A professora tentou transformar o Encontro específico de ex-presos e perseguidos políticos em uma tribuna do movimento que ela representa ao qual a nós não compete julgar os méritos, já que não participamos do dia a dia daquela comunidade educacional.

    Os estudantes e seus representantes colocaram uma faixa pedindo que venha a ocorrer eleições diretas para a diretoria do Colégio, o que não é um assunto de nossa alçada, já que não fazemos parte nas relações dentro da Instituição, mas mesmo assim garantimos o direito deles se manifestarem e a faixa lá continuou presente.

    No período da tarde de ontem eles promoveram uma manifestação no local, o que consideramos também um direito legítimo, e nela tentaram adentrar no local do Evento, o que não foi permitido pelos funcionários da Escola.
    Com o clima gerado, o que não tem nada a haver diretamente a atividade lá realizada pelo Tortura Nunca Mais, cujo local foi apenas cedido democraticamente pela direção da Escola, a qual democraticamente agradecemos, intervimos e os estudantes foram bem recebidos no local do Encontro, inclusive os seus dirigentes indo fazer parte da mesa e tendo o direito de usarem da palavra.

    No local não tumultuaram, assim respeitando o ambiente e contribuindo nas discussões relativas à questão dos direito humanos, cujo palestrante na hora era o respeitado Nilmário Miranda.

    Para nós a participação dos jovens na política é um fato importante e nas discussões que promovemos sobre a cidadania e os direitos humanos é uma honra receber os mesmos.

    Agora quanto a professora Maria Luiza Moreira da Rocha Diniz Lacerda e sem querer entrar no mérito das suas argumentações, já que da realidade do que no Colégio ocorre não temos nenhum conhecimento mais aprofundado para fazer juízo, acredito que ela deveria usar dos momentos apropriados dentro do processo interno da Instituição e de sua categoria e não tentar pegar carona no ato que lá estava acontecendo, o que demonstrou um grande oportunismo.

    O que os professores fariam caso uma centena de ex-presos e torturados pela ditadura invadissem uma assembléia de sua categoria para tentar desviar o foco das discussões que lá ocorriam?

    Será que teriam o mesmo comportamento democrático que tivemos com os alunos ao garantir até o direito a palavra e convidar para participar da mesa?

    Esperamos que aquela comunidade escolar resolva os seus problemas internos, já que nós que não fazemos diretamente parte da mesma pouco podemos fazer em busca destas soluções.

  3. Marta Bellini Reply

    Não é bem assim. A questão é única: liberdade sempre. E se os torturados invadissem uma assembléia denunciando a sangria e a morte deveriam ser bem vindos!

  4. Qualquer evento contra a ditadura deveria receber quaisquer manifestantes contra ditadura e se solidarizar a eles. Que sentido tem comemorar TORTURA NUNCA MAIS e MORTE DA CENSURA se ali, no próprio recinto em que ocorre a manifestação, há professores perseguidos e censurados? É palhaçada! Na verdade estamos vivendo a pior das ditaduras: a ditadura do nepotismo, da impunidade, das ações nebulosas e dissimuladas que levam o Estado do Paraná ao caos administrativo e ético.

  5. Lamentavelmente o que ocorre no Estado do Paraná é uma decadência do processo democrático, por meio de imposição de desejos pessoais dos governantes de forma facista e ditatorial. Esperemos 2010 para que os detentores desse autoritarismo sejam definitivamente escorraçados.

  6. Ao Antonio W Reply

    Os únicos manifestantes que lá estiveram não eram professores, mas sim estudantes e nós garantimos a permanência dos mesmos no local dos debates, do qual eles participaram e contribuíram como também garantimos a permanência da faixa e convidamos as lideranças estudantis a participarem da mesa.

    Quanto á palhaçada a única que existe é a de neste seu discurso maniqueísta em querer transferir responsabilidades sobre problemas internos de uma Escola a quem não é de direito.

    Acredito que você, como um representante do movimento social que é o que o Sr. aparenta ser, deveria ter mais respeito por estes companheiros idosos que tanto contribuíram na luta de resistência pela e para a democratização do país, como pela reorganização do movimento social, incluindo neste rol a própria APP-Sindicato, pois muitos são professores aposentados que participaram das greves de 79, 80 e 81, sendo espancados, presos e fichados na defesa da categoria.

    Conversamos hoje com o presidente do Grêmio sobre o que a Sra. Maria Luiza Moreira da Rocha Diniz Lacerda (Malu) havia postado neste blog e ele até se colocou a disposição de caso fosse necessário elaborar um documento desmentindo o que foi postado, já que disse que foram democraticamente bem recebidos pelo Forum de discussão.

    Quanto ao fato que aborda sobre a suposta ou real perseguição a professores, assunto que não somos os mais capacitados a tomar posição, já que a maioria dos presentes além de não serem de Curitiba, mas sim do interior do Paraná e até de outros Estados, são muito idosos, tendo uma grande parte mais de 80 anos, você não acha que é um assunto para ser tratado na e pela APP –Sindicato, com os estudantes e junto aos pais de alunos?

  7. Quem está lá sabe... Reply

    Não é facil aguentar todos os dias, os funcionários calarem-se perante a diretora, com medo de repressões. Creio eu que ela não deveria estar dirigindo o maior colégio estadual do estado, ela não tem “cabeça” para isso. Ano passado quando ela repreendeu a minha sala inteira por eles terem ficado numa manifestação contra a repreensão que está se fazendo ali, ela mostrou seu desiquilibrio, ao discutir grosseiramente e de forma intimista para com os alunos da minha sala e de mais pelo menso umas dez salas de colegas meus…
    Penso eu, que, os alunos e professores devem ser respeitados em suas opiniões e não terem as suas bocas caladas. Pra vocês terem uma idéia, ela pressionado os tecnicos para que eles proibam os alunos atletas de participarem dessas manifestções, uma amiga minha do Handebol recebeu a seguinte proposta de seu técnico:
    -Saia já desse protesto. Voce é atleta! Se não sair, pode se considerar fora do Handebol.
    ela respondeu dizendo:
    -Antes de ser atleta, eu sou aluna do CEP e estou consciente da minha responsabilidade perante meus colegas. Se é assim que deseja, pode me considerar uma ex-atleta do handebol.
    E foi isso o que aconteceu (obs: ocorrido em agosto/2007).
    Pena que de lá pra cá, as coisas só pioraram. Professores humilhados, afastados, funcionários reprimidos, etc.
    Varias “tias” do colégio foram proibidas de pisar no CEP pelo simples fato de que não concordavam com a postura arrogante e grosseira com que a Diretora Geral se comporta perante aos seus subordinados.
    Não são raras as cenas de humilhação a funcionarios, professores, etc.
    Aluno humilhado é aquele aluno que nao concorda com a postura dela.
    No inicio do ano ela até colocou uma pessoa para ficar vigiando alunos do CEP que eram contra a adesão do CEP ao ensino fundamental implantado em março desse ano, nós do ensino médio entendemos que o CEP não tem mais condições de receber Ensino fundamental que recebeu na metade da decadade 90, por sua estrutura e seu quadro de profissionais, orientados para atender a alunos do ensino médio. E infelizmente, os alunos que entraram esse ano no fundamental, em sua maioria pixam as nossas carteira, já até peguei um rabiscando a parede do banheiro do térreo da ala par.
    Enfim, são fatos que vem se acumulando como uma bola de neve e que toma proporções imensas a cada dia que se passa.
    Para voces que não estão muito por dentro, posso garantir que há repressão sim, principalmente contra os professores.

  8. Profª Malu Rocha Reply

    A quem se identifica como não é bem assim:

    Acredito estar havendo um equívoco grave na sua interpretação dos fatos. Tenho o MAIOR RESPEITO por estes “companheiros idosos que tanto contribuíram na luta de resistência pela e para a democratização do país, como pela reorganização do movimento social, incluindo neste rol a própria APP-Sindicato, pois muitos são professores aposentados que participaram das greves de 79, 80 e 81, sendo espancados, presos e fichados na defesa da categoria”. E foi exatamente por este respeito e pela confiança que tenho na luta deles é que resolvi participar. Em meu texto, em momento algum, citei que os estudantes não foram bem recebidos no dia 27/06/08, até porque já não estava mais lá. O que abordei foi o fato de algumas pessoas responsáveis por tantas atitudes autoritárias e repressoras no Colégio Estadual do Paraná, neste momento histórico, terem tanto espaço num evento de TAMANHA SERIEDADE E IMPORTÂNCIA.
    Quando decidi participar, além de me solidarizar com a luta de vocês, fui conhecer um pouco mais da história que ali seria relatada, buscar um pouco de conforto. Não fui lá para falar, fui também pedir ajuda, discretamente, sem precisar fazer uso da palavra. Só decidi pedir um espaço (03 minutos), depois da fala da professora Madselva. Jamais faria uso da palavra, agressivamente, pois não estava ali para promover nenhum tumulto. Infelizmente, há muitas pessoas no Colégio Estadual do Paraná sofrendo com a situação que ali se instalou. Jamais imaginei que falar sobre o que lá se passa, de fato, para as pessoas que ali estavam, que já sofreram na pele e na alma os danos da repressão e da perseguição política, iria parecer oportunismo. Acreditava que um dos objetivos do evento era refletir sobre os erros do passado, como uma maneira de garantir que eles não se repitam.
    Talvez o equívoco seja meu, de tentar pedir atenção para um grupo bem significativo de professores, funcionários e alunos vítimas de uma repressão velada e perversa, mas talvez não tão perversa assim para os que desconhecem (e /ou fazem questão de ignorar) o que está ocorrendo no
    Colégio Estadual do Paraná.
    Se, de fato, o equívoco for meu, só me resta pedir desculpas à maioria das pessoas que ali estavam e pelas quais tenho uma profunda admiração e respeito.

    Maria Luíza Moreira da Rocha Diniz Lacerda

    http://www.democraciacep.blogspot.com

  9. Profª Malu Rocha Reply

    “Errata”:
    …um grupo bem significativo de professores, funcionários e alunos vítimas de uma repressão DESVELADA e perversa…

  10. Prof. Wanderley Reply

    De quê serve a memória? De que vale um evento do Grupo Tortura Nunca Mais – olha o nome – se eles se voltam apenas ao passado e fecham os olhos para o que acontece no presente? Talvez a “raison d’être” deste grupo seja apenas o passado. Vamos olhar apenas o passado e fechar os olhos para o presente!! Muito infeliz a justificativa da pessoa que fez o primeiro comentário! É engraçado: na época em que comecei a estudar “Estudos Sociais”, em plena ditadura militar, a minha professora já dizia: “Estudar história é importante para não cometermos no presente os mesmos erros dos nossos antepassados”. Pelo visto, não é o que pensam os organizadores do evento no CEP.

  11. PauloFortunato GECEP Reply

    Primeiramente eu queria dizer estou decepcionado com o que está acontecendo no Colégio Estadual do Paraná.

    No dia 25 de junho deste ano eu estava presente na abertura do evento do grupo Tortura Nunca Mais PR, e fiquei muito impressionado com o discurso sobre democracia da Profª. Maria Madselva, e eu me pergunto por que será que ela é tão hipócrita assim? Fiquei também muito surpreso quando li a postagem do “anônimo” dizendo que eu me coloquei à disposição para elaborar um documento desmentindo o que foi postado. Mas é claro que eu nunca faria isso, pois o que está escrito na carta da Profª. Malu refere-se à cerimônia de abertura e é tudo verdade.
    Queria dizer para todos aqui que, quando assumimos o Grêmio este ano, a Profª Madselva, tratava o Grêmio muito bem, MAS a partir do momento em erguemos a bandeira das diretas já ela se colocou “contra” o GECEP, barrando vários projetos como exemplo: a nossa Feira de Livros, Palestra sobre o Meio Ambiente e Democracia. No dia 26/06, ela tomou a nossa Rádio Intervalo, que é o nosso maior meio de comunicação com os estudantes.
    Mas o que ela não sabe é que os alunos mais conscientes e críticos do CEP, que os alunos que fazem parte da Diretoria do Grêmio, não vamos recuar devido a toda essa repressão, pois nossa luta é maior, nossa luta é GRANDE, nossa luta é pela eleição de DIRETOR no Colégio Estadual do Paraná

    Diretas Já

    Paulo Fortunato
    Presidente do Grêmio Estudantil do CEP

  12. O que está acontecendo no CEP é um absurdo extremo. Os alunos estão sendo inderetamente punidos, por amar o colegio e querer o melhor para ele. Sim sou aluna de la, acompanho de perto o que aconte, no dia 26, todos nós ficamos indignados pela forma que a chave da radio foi tomada de um dos integrantes do GECEP, e ainda por cima tiraram a faixa de diretas já qu estava presente no auditorio. Acompanhei o evento, estava lá quando muitos alunos entraram no auditorio para assistir a apresentação. e fica a pregunta: Se todos nós tivemos tamanha maturidade para participar de um evento desta marca, não temos maturidade para escolher a direção de nosso colegio?

  13. Carlos Eduardo GECEP Reply

    Bem, os alunos que estavam no colegio no momento das manifestações, sabem que em momento nenhum, tocamos no nome de uns e outros, tudo que queremos são diretas ja para diretoria do Colegio estadual do paraná.
    Eu estava sim, no momento em que as chaves da Radio Intervalo (R.I.) Foram tiradas “a força” de um aluno menor de idade.
    Isso definitivamente naum é uma democracia, alunos não tem o direito de expressar suas o´piniões pois são reprrendidos. Isso é uma vergonha, sera que novamente esamos vivendo numa ditadura?

    Carlos Eduardo de Oliveira
    Suplente em Meio Ambiente e Saude do GECEP

  14. Alguém pode responder uma curiosidade: a professora Malu é a mesma pessoa que foi diretora auxiliar no CEP durante 3anos, ou seja , na gestão do Requião? Acredito que não pode ser a mesma professora,pois se for a mesma, é preciso perguntar se enquanto esteve no cargo lutou por diretas já no CEP, ou então luta agora porque não está mais na função? Bem, pelo seu texto não deve ser a mesma professora!!!

  15. Sou eu mesma, Ana. Acredito que vc não saiba, mas fui ELEITA pelos professores da escola como diretora auxiliar do turno da tarde, em dezembro de 2003, cargo que ocupei até fevereiro de 2007, quando solicitei meu afastamento. A luta por eleições diretas para Diretor Geral do Colégio Estadual é mais antiga do que vc imagina.

  16. Desculpas aceitas! Reply

    Peço desculpas ao presidente do Grêmio, pois me equivoquei quanto a quem era o interlocutor com quem conversei, pois o mesmo, um rapaz muito jovem de cabelos negros que vestia uma camiseta com uma frase escrita sobre a liberação da “rádio intervalo” a meus olhos pareceu ser o principal líder pela força de liderança que demonstrou na manifestação que vimos acontecer e foi com ele, que também fez parte da mesa conosco, é com quem conversei sobre o fato e foi ele quem afirmou que os estudantes foram democraticamente bem recebidos pelo Fórum de discussão, o que é uma verdade.

    Quanto ao fato que abordam sobre as perseguições a professores, a alunos, etc. é um assunto que não somos os mais capacitados a tomar posições sobre o que desconhecemos mais a fundo para tirar conceitos de valor.

    A maioria dos presentes além de não serem de Curitiba, mas sim do interior do Paraná e até de outros Estados, o que os impedem até de ter acesso as informações, são muito idosos tendo uma grande parte mais de 80 anos e hoje, por sérios problemas de saúde, muitos com origem nas torturas sofridas, não podem participar ativamente das questões mais gerais, mas ao longo de suas vidas muito contribuíram nas lutas sociais.

    Volto a afirmar, vocês não acham que é um assunto para ser tratado na e pela APP –Sindicato, com os demais funcionários, com os estudantes e junto aos pais de alunos?

    Quanto a participação popular nos ambientes públicos com certeza não discordamos de nenhuma proposta que leva a democratização nas escolhas de dirigentes, pois o que sempre defendemos como marxistas que somos é a radicalização democrática.

    Embora venhamos também a questionar o espírito corporativista que algumas categorias mantêm ao priorizarem as discussões economicistas pelas melhores condições de vida de si próprios em vez de questionar a estrutura burguesa de poder.

    Em nossa convicção o processo de escolha de um dirigente deve ser paritário, assim respeitando a participação a todos os envolvidos no processo, professores, funcionários, alunos, pais, etc., pois em nossa opinião a escola tem de ser dirigida pela comunidade.
    A sua direção deve ser subordinada a fiscalização de um conselho popular, já que somente a eleição de forma burguesa só serve para na maioria das vezes esconder os interesses escusos de uma minoria.

    E o que falo não tem nada de novo, já que vemos acontecer em tantas escolas aonde a aplicação dos recursos pelas direções ocorre de forma criminosa ou no mínimo duvidosa, pois as comunidades não participam nas decisões sobre a aplicação do erário.

    A tal da participação das comunidades via as APMs na maioria das vezes podem ser consideradas fraudulentas ao serem manipuladas pelas máquinas eleitorais que são as diretorias, que em grande parte das vezes é quem formata as chapas vencedoras.

    As Escolas públicas ainda são corpos estranhos as comunidades, pois dentro delas a participação e poder de decisão somente existem nas mãos de minorias “democraticamente eleitas”, sendo que a “participação popular” se restringe ao ato de votar sem que haja o debate, o confronto das idéias, de forma permanente!

    Mero engodo democrático burguês!

  17. Prof Wanderley Reply

    Eu sou o Prof Wanderley José Deina, o penúltimo diretor auxiliar eleito no início da administração da Madselva, o breve momento em que ainda tínhamos ilusões com aquela que se colocava como a grande defensora da gestão democrática da escola pública no Paraná. Eleição que existia apenas na informalidade, instituida durante a gestão da Profª Elza e que estava restrita à professores e funcionários. As discussões mais diretas sobre eleições começaram com a gestão do Prof Wilson, logo no início do Governo Requião. Quando a Profª Elza chegou ao CEP, no segundo semestre de 2003, o clima entre os professores, funcionários e estudantes estava muito tenso. Uma maneira que ela encontrou para conseguir o apoio, pelo menos de professores e funcionários, foi instituir a eleição. De qualquer modo, era a Diretora Geral quem indicava, formalmente, o Diretor Auxiliar para ser nomeado pelo Governo do Estado.
    Quando a Profª Madselva chegou, acreditávamos realmente que caminharíamos para a democratização da escola. Mas infelizmente estávamos enganados.
    Bem, o fato é que a atual direção do CEP não apenas acabou com as eleições para diretor auxiliar, como acabou indicando pessoas de fora da escola para os cargos, não apenas de diretor, mas todos os demais cargos comissionados de que o CEP dispõe. O interessante é que alguns diretores auxiliares atuais já haviam sido candidatos ao cargo, não obtendo o apoio dos colegas. Um deles foi candidato diversas vezes, sem nunca ter chegado, sequer, perto de ser eleito. Além disso, a Profª Madselva acabou com as coordenações de área que funcionavam como uma espécie de Colegiado dos Professores que interferia nas principais decisões pedagógicas da escola. O Conselho Escolar nunca funcionou muito bem, além do que, ao que parece foi cooptado pela Profª Madselva assim que ela chegou. Quem está ou esteve lá sabe disso. Enfim, essa é a gestão democrática que vigora atualmente no Colégio Estadual do Paraná.

    Eu gostaria de saber quem é a pessoa que escreve na primeira pessoa do plural, em nome da organização do evento do Tortura Nunca Mais? Os demais talvez não precisem se identificar, mas o colega está falando, pelo que vejo, em nome da organização do evento. Está dizendo, por exemplo, ao utilizar a primeira pessoa do plural, que todas as pessoas da organização do evento são marxistas. Será?
    Gostaria de discutir algumas questões conceituais com o colega, tais como os jargões “marcianos”, digo, “marxianos”, tais como tratar as eleições como “engodo democrático burguês”. Engraçado: é um jargão que já vi a Profª Madselva utilizar diversas vezes para justificar aquilo que vem sendo implantado no CEP desde a sua chegada.

    Atenciosamente,

    Wanderley José Deina

  18. Bem, o texto do prof. Wa nderlei complicou o meu entendimento: então “a democracia no Cep com eleição de Diretor Auxiliar “começou para acalmar os ânimos ( sendo apoiada por professores que defendem a democratização da gestão escolar? Que pena, perdeu- se no princípio, não? Outra questão: eleição para cargo comissionado me parece realmente acordo, no mínimo estranho. É… começo a decifrar essa discussão que tem lá no CEP. Vou continuar acompanhando para formar minha opinião.

  19. Caro Wanderlei Reply

    Não falo em nome do Tortura Nunca Mais, mas com certeza expresso a visão da maioria dos que nele participam e que continuam marxistas, pois por este motivo é que fomos perseguidos.

    Agora quanto aos “marcianos” eu muitas vezes os vejo entre os “democraticamente eleitos”, pois do ponto de vista popular nada representam a não ser os interesses de seus pequenos grupos que visam as benesses do poder, tal qual o ato de gerenciar os 12 milhões do orçamento do Colégio Estadual do Paraná, este sim será o palco para tantas disputas?

    Sempre participei dos movimentos sociais e vi de perto nesta atuação como funcionam a maioria das eleições para as diretorias de escolas e os envolvimentos que estão por trás, que vão desde os “apoios” empresários, que vendem uniformes, etc., de vereadores e deputados a seus apaniguados a até o envolvimento da Secretária da Educação, pouco importando em qual governo seja.

    As eleições para as APMs são mais viciadas ainda e o processo dos apoios se repetem para as eleições de chapa dóceis que venham a fazer o jogo das direções das Escolas e a tudo que elas representam.

    A sociedade é uma só, burguesa e selvagem na suas formas de poder e as escolas não estão fora desta realidade.

  20. Prof Wanderley Reply

    Ana,

    De fato, eleição para diretor auxiliar é muito pouco. A maioria dos professores e funcionários (e aqui me incluo) sempre defendeu eleições gerais. Foi realmente uma estratégia política da Profª Elza para demonstrar que estava disposta a agir democraticamente dentro da escola. Mas a virtude da Elza é que ela agiu politicamente, tentando persuadir os professores a lhe apoiarem, pois suas intenções sempre foram boas. Até mesmo em relação às críticas que lhe eram feitas, ela agia democraticamente. Eu mesmo escrevi diversos textos, criticando ações pontuais da Direção e da Coordenação Pedagógica, mas nunca fui processado por isso, ao passo que a professora Madselva, para me processar, utilizou os textos que dirigi à gestão da professora Elza.

    A profª. Madselva nunca tentou persuadir ninguém: partiu direto para a imposição da sua vontade. Um exemplo apenas: em 2003, quando da chegada da Elza ao CEP, já havia a intenção da Secretaria da Educação em instituir o Ensino Fundamental. Os argumentos, defendidos apenas pelo setor de Educação Física – principais interessados – para justificar a sua implantação eram muito frágeis. A Profª Elza convocou uma assembléia de professores para decidir sobre o assunto. Houve uma discussão, com espaço para a exposição dos argumentos contra e a favor, seguida de uma votação em que a imensa maioria dos professores se posicionou contra. Já, com a Profª Madselva, sequer houve discussão e, “na calada da noite”, digo, nas férias, sem discutir com a comunidade, implantou o Ensino Fundamental. Detalhe: correm boatos de que a escola mais próxima do CEP, o Colégio Tiradentes, corre o risco de ser fechado por falta de alunos. Não sei se é verdade. Sem contar que os argumentos contra a implantação do Ensino Fundamental no CEP são muito mais fortes. Mas esta é uma discussão, atualmente, ultrapassada pela arbitrariedade da diretora geral.

    Quanto à comissão, os diretores eleitos de todas as outras escolas, onde existe eleição direta, também a recebem. Talvez menor. Mas este é um problema secundário, não estamos falando das altas comissões do poder executivo, das secretarias da administração do Governo do Estado. Mas o que é mais justo: eleger alguém para trabalhar no cargo comissionado ou que esta pessoa seja indicada diretamente pela direção geral? Eleger uma pessoa da escola, que tem o respeito e o apoio da comunidade para o cargo, que tem ciência de que existe a “gigantesca” comissão, ou indicar pessoas estranhas à comunidade escolar, que não possuem nenhuma identificação com a história e com a cultura da escola? De qualquer modo, na minha opinião, não há comissão que pague um valor justo pelo trabalho com a profª. Madselva.

    Mas você já sabia disso, não?

  21. Poliana, com a professora Madselva, o Colégio Estadual do Paraná perdeu-se NO PRINCÍPIO, NO MEIO E NO FIM!

  22. Prof Wanderley Reply

    Ao colega sem nome, representante de si mesmo…

    Nome não importa, afinal, o que é um nome? Mas que informação interessante o senhor nos traz: são 12 milhões o dinheiro do orçamento do Colégio Estadual do Paraná? Eu realmente não sabia, pois no meu tempo eram apenas 7, sendo que, mais ou menos, 6 pertenciam a folha de pagamento de professores e funcionários. Ou seja, dinheiro que entrava como orçamento do CEP, mas que já saía diretamente para as contas pagamento dos funcionários. Mais um motivo para democratizar a escola, afinal, não é a esquerda marxista que defende o orçamento transparente, participativo? Desculpe, esqueci: o PT não é mais um partido marxista. Mas em seu estatuto ainda diz que sim.

    Como marxista, o senhor deve saber que política é realmente um campo de disputas? Mas o que está em jogo? Em primeiro lugar, a dignidade das pessoas que jogam. Os torturados pela ditadura não brigaram para administrar os trilhões do orçamento da União. Mas também brigaram por isso, para que o dinheiro fosse melhor distribuído. Qual é a grande questão levantada por Marx para criticar o sistema capitalista? Não é a exploração da classe trabalhadora pela classe proprietária dos meios de produção? A mais-valia não é, segundo Marx, um roubo? Estamos falando de quê? DINHEIRO, meu amigo! Aquilo que a burguesia ganhava com a exploração da força de trabalho. Marx queria uma sociedade sem dinheiro, sem classes, sem exploração, sem injustiças… Isso, no momento atual, não é possível. Nós temos que tornar a política um campo de batalha do possível. Acho que é possível que este orçamento do CEP seja usado com transparência em projetos que realmente beneficiem a comunidade escolar.

    Um dos argumentos da Secretaria da Educação para que não haja eleições no CEP é que para administrar o orçamento próprio de uma autarquia, caso do colégio, é necessário que o Governador indique alguém da sua confiança. Ora, se um cidadão, qualquer cidadão, não é da confiança do Estado o seu lugar é na cadeia. Se a comunidade escolar do Colégio Estadual do Paraná não é digna da confiança do Governador Requião, me desculpe o Governador, mas ele é quem deixa de ser digno dos nossos votos. O Estado pode julgar e considerar culpado quem comprovadamente cometeu um crime. Que eu saiba, este é um princípio Constitucional. Nos tempos da ditadura é que o Estado autoritário apontava o dedo para alguém e dizia “culpado”. E aí você já sabe bem o que acontecia.

    Dizer que existem vícios no processo de eleição para diretor de escolas não torna a indicação pelo Governador uma opção melhor. É o mesmo que dizer que os milhões de pessoas mortas na Rússia, nos países do leste europeu, na China, tornam a obra de Marx algo diabólico. O que alguns antigos “companheiros” fizeram com a obra de Marx não torna ilegítimas as suas brilhantes constatações acerca do sistema capitalista e da teoria da história. Nem torna o capitalismo uma opção melhor que o socialismo, ou vice-versa. Não devemos discutir política desta forma maniqueísta.

    Mas insisto em saber com quem estou discutindo… O senhor não fala em nome do grupo Tortura Nunca Mais… Tudo bem, mas falou nos tópicos anteriores. Isso é falta de responsabilidade! Mudou um pouco o tom e agora diz que fala “em nome de si próprio”. Quem é esse si próprio? Hannah Arendt, em sua “A Condição Humana”, fala da decadência da política com a perda do espaço para a excelência, areté, o espaço público, o espaço do discurso. A sociedade de massas tornou anônimos todos os interlocutores. Existem discursos, mas não existem agentes do discurso. Quem se responsabiliza pelo discurso da massa? Os companheiros Lênin, Fidel Castro, Che Guevara… Ou existe, REALMENTE, alguém por traz destas palavras que, REALMENTE, participou de movimentos sociais, que, REALMENTE, pertence ao grupo Tortura Nunca Mais e com quem, REALMENTE, vale a pena discutir política.

    Atenciosamente,

    Wanderley José Deina

  23. Mais triste do que ver a profª Madselva destruir o fim a que deveria se destinar a educação pública é constatar que, quem deveria ter lucidez para impedir que isso continue a acontecer, apóia e/ou é conivente!

  24. (Cópia de e-mail enviado à Ouvidoria da SEED)

    Curitiba, 28 de junho de 2008

    Prezados Ouvidores,

    Sou professora do Colégio Estadual do Paraná e, por receio de sofrer retaliações como infelizmente aconteceu com muitos colegas professores e funcionários, não divulgarei meu nome.
    Escrevo em nome de muitos professores e funcionários, os quais apelam para que a SEED intervenha no Colégio Estadual do Paraná, pois a atual direção está levando os 161 anos de história desta renomada instituição para o abismo. Além de processos, perseguições e ameaças com muitos professores (aliás, a comunidade escolar não entende o porquê, pois são excelentes profissionais) que discordam da atual gestão. Não bastasse isso, ela continua punindo e sacrificando pessoas que trabalham e fazem a diferença na educação. Humilhar professores e funcionários é uma prática constante da Diretora Maria Madselva, e o que nos deixa mais entristecidos e indignados é saber que essa pessoa não pode representar o nosso amado e querido CEP, pois ela não possui laços de afeto, carinho, respeito, amor, visão administrativa e uma história com essa instituição.

    Menciono a seguir, algumas considerações relevantes:

    # A participação nos concursos realizados dentro do estabelecimento era feita por meio de inscrições dos professores e funcionários e posteriormente eram sorteadas as pessoas que iriam trabalhar; – Hoje: A funcionária Silvana é a pessoa responsável em escolher quem ela quer que trabalhe no concurso, favorecendo um grupo restrito de pessoas.

    # As coordenações de área foram conquistas das antigas direções e corpo docente do Colégio, junto à SEED. Hoje: as coordenações de área foram extintas, sendo que os materiais das áreas não estão sendo utilizados, materiais de custo elevado estão espalhados pelo colégio, pois os professores perderam o direito de preparar suas aulas, atender seus alunos e pesquisar em suas salas de coordenações.

    # Na hora-atividade, os professores não conseguem um lugar adequado para trabalhar, pois a maior parte das salas de coordenações foi extinta, outras foram unidas, não comportando todos nas salas, o que não oportuniza encontros e discussões dos grupos, bem como as interações sociais.

    # Os professores não possuem sala com computadores e impressora para digitar suas provas, atividades e projetos. Isso é gravíssimo, pois isso prova mais uma vez que o que funcionava na escola, hoje está sucateado.

    # Em algumas áreas os professores não têm acesso às informações de cursos promovidos pela SEED ou por Universidades, etc., pois uma das tarefas dos coordenadores era repassar essas informações para os professores da área e, hoje, as pedagogas que deveriam desempenhar esse papel, não estão dando conta das inúmeras tarefas atribuídas, pois além de atender pais e alunos, não conseguem discutir os assuntos pertinentes à área, devido à formação acadêmica que tiveram.

    # A Direção Geral simplesmente não tem contato algum com os professores, pois a mesma não vai à nossa sala nos momentos dos intervalos, pois não tem afinidade com a maioria do corpo docente. Aliás, essa é a única escola em que a direção não cumprimenta nem conversa com os professores, não propiciando um ambiente de acolhida, respeito, dignidade e profissionalismo.

    # Professores e funcionários estão com a auto-estima baixa, depressivos, tristes. Nunca houve um ano com tantos atestados médicos, licenças, faltas de professores. Não vemos as pessoas felizes, rindo, contando piadas, satisfeitas e estimuladas com o ambiente de trabalho.

    # A sala dos professores virou depósito, já que os professores não possuem mais as salas de coordenação, não tendo espaço, portanto para guardar seus materiais. A inspetora que ficava permanentemente nessa sala, auxiliando professores e alunos, além de cuidar da limpeza e atender ao telefone, não fica mais lá, perdendo-se assim mais um ambiente agradável.

    # As mudanças de calendários e datas são constantes, o que ocasiona a falta de organização de uma complexidade de setores.

    # Montar e desmontar a equipe é uma prática constante, são tantos rostos novos naquela escola, que não sabemos quem é quem, quais funções exercem, etc.

    # As datas comemorativas simplesmente passam em branco, reforçando a incompetência da diretora, como os 161 anos do CEP, Dia da Mulher, Dia das Mães, Dia Mundial do Meio Ambiente, etc.

    # O Setor de Recursos Humanos não possui relações humanas alguma, pois a chefia nunca repassa as informações pertinentes aos professores e funcionários, nunca sabe responder os questionamentos e jamais se dirige pessoalmente para um cafezinho ou bate-papo na hora do intervalo.

    # Não sabemos quem é a atual Chefe Educacional do Colégio, pois a Professora Sandra, saiu de seu cargo.

    # Os portões ficam fechados até 10 minutos antes de iniciar a primeira aula, enquanto isso, os alunos aguardam na rua a entrada, debaixo de chuva, de sol, e próximos de um fluxo intenso de automóveis e pedestres naquele local.

    # As salas de aula constantemente estão sujas, cortinas totalmente rasgadas (aliás esta nunca foi a aparência das salas de aula) e Tvs laranjas que não funcionam ou não foram instaladas.

    # O Dia do Desafio foi uma vergonha. Estagiárias do primeiro ano e som de péssima qualidade foi montado, e o que deveria ser uma prática saudável e organizada de fazer exercícios, foi mais uma prova de desorganização da escola, pois colocaram estagiárias inexperientes para conduzir um grupo significativo de jovens, sem a presença dos professores de Educação Física.

    # Sobre os alunos: Falta de controle de entrada e saída (um número significativo chega na segunda aula) sem justificativa alguma, muitos gazeiam aulas, estão constantemente sem uniformes. Isso retrata a indisciplina, a falta de cobrança e de limites, por dois motivos: desorganização no cumprimento de regras e muitos professores inexperientes, sendo que muitos não são formados e nem atuam na área de formação. Quanto aos professores, lembramos que muitos que estavam há muitos anos conosco, não puderam neste ano trabalhar na escola, porque não apoiaram as decisões da Diretora.

    # Ausência da Diretora Maria Madselva nos corredores. Normalmente a presença da Diretora impõe respeito e admiração, mas sinceramente sabemos que os alunos não a vêem como uma líder respeitada, admirada e qualificada na função que exerce.

    # No encontro do MST no auditório do Colégio recentemente, eles tiveram trânsito livre no pátio, sendo que durante as aulas de Educação Física e intervalo, as alunas se sentiram constrangidas com os olhares e a circulação dessas pessoas estranhas nas dependências do estabelecimento.

    As situações aqui citadas caracterizam a nossa realidade, que demonstram a fragilidade do nosso ambiente de trabalho, que em tão pouco tempo de gestão comprometeu anos de dedicação de tantas pessoas que fizeram e fazem parte da história desse Colégio. Vocês podem ter certeza, que o Colégio possui excelentes profissionais, que continuam trabalhando por uma Escola Pública de qualidade, onde o nosso principal objetivo é prepararmos nossos alunos, para que sejam pessoas que saibam enfrentar os desafios, seja no mundo do trabalho, no conhecimento ou no exercício da cidadania, e que possam atuar decisivamente na construção de um mundo melhor, porém, se nada for feito, a pedagoga que dirige a escola será responsável por um prejuízo sem precedentes na história daquela instituição de ensino.

    Abraços,

  25. Caro Wanderley Reply

    Sem tergiversação, pois acima dos nomes, já que a questão não é pessoal, estão os fatos!

    Em momento algum defendi a atual direção da escola, muito pelo contrário, já que defendo e defendemos enquanto grupo é a radicalização democrática, o que vai muito além da mera eleição para diretor ao envolver o processo contínuo de participação e decisão da comunidade pela intervenção dos Comitês Populares, já que a Escola é um patrimônio do povo.

    Em seus atos a atual direção, que para mim demonstra uma grande incompetência política, o que leva ao autoritarismo, ao dirigir o processo de gestão, continua com a mesma prática que antes havia quando você e a Malu faziam parte da mesma, já que antes a comunidade como um todo pouco era ouvida ou participava das escolhas no uso do erário, no conteúdo a ser ministrado, na metodologia a ser aplicada, etc..

    Qual era a prestação de contas feita a comunidade no seu período enquanto parte do poder diretivo sobre os 7 milhões do orçamento público aplicado no estabelecimento ou pelo menos sobre o 1 milhão diretamente administrado pelo próprio Colégio?

    Qual era a participação da comunidade nestas decisões sobre as aplicações dos recursos?

    A transparência que você tanto prega nunca existiu e hoje não existe por parte do comando do Colégio e praticamente na maioria das Escolas aonde os diretores são “democraticamente eleitos”!

    Queremos que a ampliação da participação e do poder de decisão por parte da população sejam garantidos!

    Não acreditam que as denúncias que hoje fazem deveriam ter sido feitas anteriormente quando faziam parte da direção do estabelecimento de ensino?

    Cansei de ver os movimentos de professores, que no andar da luta defendiam um conjunto de propostas progressistas e usando as mesmas para ganhar o apoio da população para as melhorias na educação ao verem as suas questões salariais atendidas esqueciam-se do resto e até do povo, sempre usado como massa de manobra.

    Sei do que falo, pois acompanho com carinho tanto a luta pelas melhores condições de ensino como o movimento dos professores, já que fui um dos que foram presos em 79 e 81, como também estive junto quando o governo Álvaro usou da repressão contra o movimento e mais uma vez apanhei junto!

    Como já disse, não acompanho internamente o que acontece neste estabelecimento, portanto tendo uma visão do que apenas saí na mídia, que não é a real, pois não vejo a Gazeta e outros diários e periódicos como fontes isentas e confiáveis.

    Com certeza o Estadual não é um bom exemplo como as maiorias das Escolas não o são do ponto de vista da transparência e participação popular e como os outros estabelecimentos também ainda é um corpo estranho na comunidade.

    Este processo de abertura a participação das comunidades no planejamento nas Escolas, embora seja uma discussão antiga, travou há muito tempo pelo grau de envolvimento de setores externos a estas comunidades (governo, deputados, vereadores e até fornecedores).

    Até quando os diretores irão intervir manipulando as eleições nas APMs para atender aos “padrinhos” que colaboraram em suas eleições para a direção?

    O objetivo sagrado das Escolas não é o de servir de curral eleitoral para quem quer que seja!

    Não acredito em “profetas e salvadores da pátria”!

  26. Prof Wanderley Reply

    Caro anônimo perseguido político da ditadura,

    Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer comentam sobre a passagem da Odisséia em que Ulisses engana o Ciclope, passando-se por Ninguém… A artimanha do herói da epopéia é, na leitura dos frankfurtianos, um protótipo do modelo de razão que passou a predominar, principalmente a partir da modernidade, para o domínio da natureza e do homem pelo próprio homem. Trata-se da razão instrumental, tão criticada pelo marxismo, que critica a si mesmo, o qual a Escola de Frankfurt representa. O que eu quero dizer, meu caro Oudeis (ninguém), é que a sua artimanha para autoconservar-se é a mesma utilizada por Ulisses. Desaparecer como ninguém diante do monstro mítico para sobreviver. Ulisses apresenta-se como ninguém, mas em momento algum deixa de ser o herói da epopéia de Homero. Da mesma forma você, apresenta-se para um debate como ninguém, não diz seu nome, mas em momento algum deixa de ser o herói perseguido político, preso nos anos 70 pela ditadura militar. Muito oportuno!

    No leninismo ou no maoismo, ou em qualquer tipo de “ismo”, “pseudo marxismos”, o sujeito individual desaparece como um ninguém, do ponto de vista de sua individualidade. Abdica de sua personalidade individual para assumir a identidade coletiva do partidão. Quem governa o indivíduo? A sua própria consciência? Não! A racionalidade instrumental disfarçada pelo nome de consciência coletiva do proletariado revolucionário que, a exemplo de metafísicos inspirados em Santo Agostinho, decidem sobre o bem e o mal a partir de sua própria pseudo teoria da iluminação divina. Engraçado: Agostinho diz em seu “De Libero Arbítrio” que a causa do mal moral, do pecado, está no mau uso da liberdade pelo homem. Não por acaso, a profª Madselva acabou com toda e qualquer forma de expressão de liberdade no Colégio Estadual do Paraná.

    Se você mesmo diz que não conhece as questões internas do Colégio Estadual do Paraná, os seus questionamentos não têm legitimidade alguma, sobretudo, em se tratando de um “ninguém”. Como você pode questionar a mim ou a Profª. Malu, se você mesmo diz em seu texto: “Como já disse, não acompanho internamente o que acontece neste estabelecimento, portanto tendo uma visão do que apenas sai na mídia, que não é a real, pois não vejo a Gazeta e outros diários e periódicos como fontes isentas e confiáveis”. Você levanta uma série de questionamentos em relação a mim e a Profª Malu e depois escreve isso? Ora!

    Mas acho oportuno dizer que não apenas questionamos todas estas coisas que você levanta em seu comentário, desde tempos anteriores à Madselva, como também estamos sendo processados exatamente por isso, com base em leis reacionárias dos anos 70. Somos dez professores processados. Qual é a diferença em relação às gestões anteriores? Havia espaço para as idéias contrárias, mesmo que elas não fossem consideradas. Os processos aconteceram apenas por não corroboramos com as práticas da profª. Madselva, por não nos submetermos, por não nos anularmos enquanto agentes políticos daquela instituição, com vontade e pensamentos próprios. Ainda há quem diga que se justifica o que a Madselva está fazendo no Estadual porque “os professores ali se consideram melhores do que os outros”.

    Depois que conheci a Madselva, que sempre defendeu “um certo” marxismo muito presente no discurso educacional brasileiro, acabei me afastando de algumas convicções que possuía a respeito de “educação para a emancipação”. Na semana em que foi aberto o processo administrativo contra mim, eu defendia na USP uma dissertação de mestrado sobre “formação política dos estudantes na perspectiva da Teoria Crítica”. Atualmente estou cursando o doutorado em Filosofia da Educação, também na USP, com uma pesquisa baseada em outros autores, de fora do campo do marxismo, pois estou em busca de novas bases para tentar entender o que se passa nas escolas públicas em relação à gestão democrática. Meu projeto de doutorado é sobre a redemocratização da escola pública a partir da nova LDB, do processo de descentralização administrativa presente na lei. Quero entender, entre outras coisas, por que acontece exatamente o que você diz: por que as APMFs e Conselhos Escolares são cooptados tão facilmente pelos diretores de escola. Assim como você, também sou um crítico dessa política torpe que ocorre nas escolas, desta demagogia disfarçada pelo nome de democracia. Quem sabe, se você se identificasse, poderíamos conversar um pouco mais e você até poderia me ajudar com estas questões. Afinal, o que é a teoria sem a experiência, ou, de um ponto de vista marxista, sem a práxis? Perdi algumas das minhas antigas convicções, mas não perdi a esperança.

    Eleições diretas no Colégio Estadual do Paraná é uma reivindicação mais antiga do que você imagina e bastante justa. Trata-se de uma comunidade composta por professores, funcionários, pais e alunos, na sua maioria, eleitores que têm o direito de votar em todos os cargos eletivos da nossa República, mas que não podem decidir sobre o futuro de sua própria escola. Algo a que a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases lhes dão o direito. A lei estadual que atualmente regulamenta a administração do CEP, que dá legitimidade à indicação política do Governador do Estado, está em evidente contradição com os princípios das leis federais sobre a educação.

    Concordo: eleições diretas, por si só, não garantem a participação democrática. Mas, por outro lado, elas esquentam o debate político, dão maior liberdade para as pessoas se envolverem na construção do projeto de escola que desejam assumir. Muito melhor do que ser forçado a assumir um projeto que já vem pronto, com o qual a comunidade não se identifica. O tempo de um Secretário da Educação é muito menor do que o tempo que um educador permanece na escola. O Secretário Maurício Requião, que está há pouco mais de 5 anos no cargo, já está, ao que parece, de saída. Quem será o futuro secretário? Alguém que dará continuidade a seus projetos? Pode ser que sim, mas por mais uns dois anos. E depois, quando mudar o governo? Mudam as políticas públicas para a educação e para o Colégio Estadual do Paraná?

    Eu sou professor efetivo do Estado, com o meu padrão fixado no Colégio Estadual do Paraná, o que me dá o direito de permanecer por mais uns 20 anos até que eu me aposente. É muito mais do que estes dois anos que restam ao Governo Requião. Por isso gostaria de participar diretamente do projeto que determinará como será o CEP daqui a 20 anos. Considero um direito. Mas este direito, foi-me negado. Aliás, estou afastado da escola por um despacho assinado pelo Secretário da Educação que tem como fundamento a justificativa de que a minha oposição à direção da profª Madselva inviabilizaria a minha permanência na escola. Preciso dizer mais alguma coisa?

    Se você quiser ter acesso ao meu processo e ao dos demais colegas, entre em contato comigo. Como você não quer se identificar aqui na discussão, você pode entrar em contato via e-mail. Meu endereço eletrônico é wander.deina@gmail.com . Não se preocupe, não vou revelar o seu nome. Pode ser que, entendendo melhor o que está acontecendo no CEP, as perseguições que estamos enfrentando, o grupo TORTURA NUNCA MAIS possa nos dar algum apoio. Mesmo que seja apenas MORAL!

    Atenciosamente,

    Wanderley José Deina

  27. Thianny Carvalho Reply

    Prof Wanderley, parabéns pela sua lucidez, clareza e compromisso teórico. O intelectual orgânico segundo Gramsci tem a capacidade de buscar a relação teoria e prática. Lembro-me muito quando ouvi a Prof Madselva dizer que o ” papel da escola pública é preparar para a sociedade socialista” , também fui marxista, com formação de esquerda, alías como grande parte das pedagogogas deste Estado formadas pelo princípio de Gestão defendida pela Prof ª Madselva. E hoje vejo que Madselva não só está destruindo o CEP como o respeito que tantas gerações de alunas e professores tinham por ela. Que adianta escrever e falar com tanta propriedade, alías sempre que uma ex aluna assumia a direção de uma escola era a Madselva que procurava para saber fazer ” gestão democrática” e quando Madselva assumiu a maior escola do Paraná olha o exemplo que ela está nos dando. Destruindo a escola, a construção teórica de anos e o respeito dos educadores pelo discurso pedagógico. Encerrrando quero lembrar que os exemplos de socialismo real que temos se igualam a ditaduras e infelizmente no CEP não será diferente….

  28. Caro Wanderley Reply

    Não me veja como um inimigo, pois não sou!

    Eu também estou farto desta hipocrisia, da pseudo democracia parlamentar burguesa também espelhada pelo governo Requião, Lula, etc..

    Estes governos fazem os discursos a esquerda, mas governam com a direita!

    Caso o único problema ocorresse no Colégio Estadual do Paraná, o que vocês dizem que passam e que pelo jeito são fatos seria apenas um fato isolado possível até de se relevar, mas não é.

    Ao mesmo tempo em que o Requião diz que luta contra o pedágio nomeou no governo passado o Marcelo Almeida, dono da Ecovia para o Detran e o que vimos foi uma simples professora derrubar a concessão da praça de Jacarezinho, o que eles com seus competentes e caros advogados antes não conseguiram.

    Na Cohapar vemos a presença do ex-menino de ouro do lernismo, o que não difere da Casa Civil com a presença do conservador Iatauro e de outros espaços de governo.

    Com no governo Lula temos de ver os Sthepanes, Delfim, Meirelles, Sarney e outros direitistas dando as cartas.

    Falar que este governo estadual é um governo igual ao do Lerner seria uma mentira, pois é muito mais progressista, mas também é muito menos do que nós esperávamos que fosse depois de ouvir tantos discursos, o que em parte não passam de meros sofismas.

    As explicações que agora me deu a respeito do que acontece no Estadual e sobre o que pensa clareou em muito a minha visão do processo interno que ocorre nesta Escola.

    Quando coloquei as indagações não foi com o intuito de denegrir a ninguém, mas sim para saber a suas opiniões e ter as informações sobre o que verdadeiramente ocorre no estabelecimento, o que pelo que diz é um processo recente.

    Vivemos em uma sociedade aonde o movimento popular foi engolido pelo processo parlamentar burguês, e nisto o governo Lula, o governo Requião e outros que se dizem progressistas possuem grandes doses de responsabilidades.

    Para as pessoas, como eu, que sempre defenderam a autonomia, a isenção e foram contra o aparelhamento do movimento social estes fatos trazem uma grande tristeza por não ser por isto que tanto lutamos e corremos até riscos de vida.

    Logo que saiu o plano de carreiras, uma importante conquista para os profissionais da educação, muitos companheiros questionaram a atitude do Lemos quanto a questão do efeito retroativo para o mesmo, pois ele questionou e exigiu a aplicação do discurso quanto a data que começaria o pagamento, pois alegavam que era apenas um oportunismo eleitoral já que ele era candidato, e eu o defendi, o que não o faria hoje.
    Eles estavam certos, já que o Lemos saiu candidato e hoje ele, antes uma referência de mobilização, ficou apático as necessidades da categoria como na defesa do que é importante para a educação pública.

    Afinal são tantos os questionamentos sobre o atual momento político, o que nos leva a refletir sobre tudo o que fizemos e estamos fazendo em prol da sociedade com estas estratégias e táticas que só serviram para alguns grupelhos oportunistas alcançarem o poder formando um novo segmento da oligarquia.

  29. Colégio Estadual Reply

    Perguntar não ofende

    Alegar que as atitudes da profª Madselva estão corretas “porque os professores do Colégio Estadual do Paraná se consideram melhores do que os outros” não seria argumento de quem deveria ter e não tem a mesma qualificação de muitos profissionais daquela instituição?

  30. Ainda pensando em esclarecer algumas questões com o prof. Wanderlei: Afinal qual é o seu projeto de educação pública? Retornar o ensino fundamental para o CEP é anti- democrático ,porque os professores não apoiam? Será que esses professores estão certos? E se estão , qual é a concepção desses professores? Existe forma de defender o ensino médio sem pensar a sua articulação com outros níveis de ensino? Sabe , me dá calafrios pensar onde estão os “pobres alunos” porque não vi até agora nenhum de vocês defenderem a qualidade do ensino e da aprendizagem…Devo supor que as aulas do prof. Wanderlei são ótimas se ele conseguir fazer transposição didátca para seus conhecimentos teóricos… Fico pensando como os alunos suportariam aulas carregadas dessa ideologia interesseira… E as questões da prátca social, no seio da comunidade escolar, como: baixos níveis de apredizagem, defasagem de conteúdos, mudanças de metodologias, transformação das práticas avaliativas, novas formas de organização do processo educativo… ah tantas questões que um professor tem que pensar para mudar realmente que não me animo de modo algum a pensar em matricular meu filho no CEP. Sabe , gostaria de poder assistir debate entre esses grupos de professores do CEP tratando das questões da educação escolar , aí sim, creio que poderia avaliar a qualidade desses professores em razão do que defendem como projeto de escola pública. Mas o que vi até agora é esse grupo que se diz perseguido “falar mal do outro”, porém não geram confiança , pelo menos em mim, pois não tratam das aprendizagens dos alunos. Pela sondagem que fiz descobri que têm professores no CEP que resistem bravamente quanto a obrigatoriedade de fazer recuperação de estudos… É… o que eu precisava saber me deixou preocupada: se vocês são grupo de resistência e não falam da finalidade da profissão que é fazer seus alunos aprenderem muito bem os ensinamentos que vem dos conteúdos, então é apenas defesa de interesse pessoal? Que pena… Mas, deve ter no CEP um outro grupo de professores que de fato têm um projeto de educação . Agradeço por terem me fornecido algumas informações, mas o caminho para conhecer o CEP de verdade me parece que não é atrvés dos que fazem a crítica.

  31. Gostaria de saber quando a APP/Sindicato pretende se manifestar diante de tantas inverdades divulgadas sobre os professores do Colégio Estadual do Paraná? Desconheço professor, do Colégio Estadual do Paraná, que recuse realizar a recuperação dos conteúdos e da nota, pois é parte inerente à prática educativa. Caso, a qualidade de ensino, não fosse preocupação dos professores, estaríamos lutando por uma escola democrática? Não seria mais fácil se acomodar à situação ? Conceituados educadores reconhecem que o sistema ideal de gestão escolar pública é o democrático e nenhum educador afirma o contrário. A prática democrática está ausente nos projetos elaborados no Colégio Estadual do Paraná, pois não temos mais a oportunidade de discutir questões fundamentais, tais como aprendizado, currículo, programa, evasão, entre outras. Segundo Anísio Teixeira: “Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a escola pública”.
    Será que a nossa máquina não está com as engrenagens emperradas? Se desejamos uma sociedade democrática necessitamos vivenciar a democracia em nosso ambiente escolar. A gestão democrática viabiliza as condições e os mecanismos para a criação de espaços de participação. Construído coletivamente esse processo não se efetiva por decreto, pela mera leitura de alguns textos, pelas palestras esporádicas referentes à gestão democrática ou pelos pacotes de medidas formalizados em gabinetes e assimilados, pelos professores e pedagogos, sem nenhuma discussão. A democratização necessita de um aprendizado constante, da participação e do partilhamento das informações e decisões. Logo, precisamos exercitar o diálogo. Mas, existe diálogo no Colégio Estadual do Paraná? A escola pública não deve primar pelo coletivo? É pela escola pública de qualidade que se propicia a inclusão e a democratização da sociedade. Essa escola pública é a que desejamos para o Colégio Estadual do Paraná. Caso contrário, qual o exemplo de sociedade ensinamos para os nossos alunos ? Aliás, nossos alunos não são “pobres alunos”, eles sabem cobrar do professor que não estiver comprometido com o ensino de qualidade e têm consciência da importância da sua participação na escola, almejam, também, contribuir para que o nosso colégio volte a ser uma referência de ensino.

  32. Talita Castro Reply

    Bem, já faz um tempinho, mais o CEP é único, vivi muita coisa naquelas dependências; vi professores sendo humilhados abertamente em plena saula de aula, vi alunos sendo ameassados, e notei por diversas vezes alunos, funcionários, e professores diminuírem o tom de voz ao expressarem suas respectivas opiniões, por puro medo de serem delatados pelos “braços direitos” de nossa excelentíssima diretora.
    Nós lutamos muito para melhorar isso tudo, pagamos um preço alto algumas vezes, ouvimos sermões incoerentes, além de maldosas insinuações a respeito de nosso futuro. Eu me formei ano passado e infelizmente saí do colégio sem ver nossa causa tendo um desfecho positivo.
    Esta nítido que para o governo é muito mais interessante manter um aliado na direção do maior colégio público do Estado, um colégio que tem seu próprio regimento, que tem seu próprio orçamento, quantia milionária, diga-se de passagem, e acima de tudo, um colégio modelo. O governo sabe que há muita coisa em jogo.
    Eu só expresso meu pesar pelos que ainda estudam lá, e pelos muitos que ainda estudarão, pois encontrarão um colégio completamente diferente de tudo aquilo que um dia amamos e tivemos orgulho. Lamento pelo ensino em si, que decaiu, e também por todos os profissionais mais que gabaritados que perderam seus empregos.
    Na verdade é lamentável a situação como um todo, para os que dizem que fomos frustrados, saibam todos quem quem perde com tudo isso é a sociedade, esse é mais um caso que demonstra o quanto o conceito de ética tem escorrido por entre os dedos de nossas mãos gradativamente.
    Saibam que vergonhoso não é lutar e ser derrubado. Deve ter vergonha todos aqueles que estiveram face a face com o problema e nada fizeram, o que acontecerá no futuro eu não sei, mais tenho certeza que eu e muitos outros ex-alunos fizemos nossa parte.
    Ah, e só para constar, eu e meus amigos, os intitulados baderneiros, continuamos estudando, não nos tornamos delinquentes, não fomos para prisão, como muitos previam, nem temos a pretenção de permanecer estagnados assistindo ao caos de camarote.

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