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Para Sameck, críticas a Itaipu revelam desconhecimento

O diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek, respondeu a críticas feitas pela Ong Transparência Internacional de que o contrato que estabeleceu a empresa binacional é “injusto” ou que abre “oportunidades para a corrupção”. Para Samek, as afirmações representam uma “opinião pessoal e tendenciosa, que revela profundo desconhecimento sobre o tratado de Itaipu”.

A ONG publicou na semana passada um relatório no qual um dos seus relatores aponta o que considera problemas dos contratos que regulam a companhia. As críticas foram escritas por Carlos Filártiga, autor da parte sobre o Paraguai do relatório Global Corruption Report 2008: Corruption in the Water Sector (Relatório sobre Corrupção Global 2008: Corrupção no Setor das Águas, em tradução livre).

No texto, o autor diz que a usina brasileira produz um excesso de energia do lado paraguaio que é vendida para o Brasil “abaixo dos preços do mercado internacional”. O relatório, no entanto, não apresenta números para sustentar a afirmação.

Samek nega que o preço pago pelo Brasil pela energia paraguaia de Itaipu esteja abaixo do mercado e também defende que o contrato é justo e positivo para todos os envolvidos. “O preço médio da energia que vem do Paraguai neste ano está em 45,31 dólares por megawatt hora. Esse valor é maior do que o ofertado pelo consórcio que venceu o leilão de Jirau, no Rio Madeira”, argumenta Samek.

O consórcio Energia Sustentável do Brasil, que venceu a concessão para a construção da nova hidrelétrica no Rio Madeira, fez uma oferta para vender a enérgica a US$ 44 MWh.

O diretor-geral de Itaipu também refuta a idéia de que o contrato é injusto para o Paraguai. “O tratado (que criou Itaipu) só existe porque o Brasil tinha condições de buscar investidores no exterior, o que o Paraguai não conseguiria fazer sozinho.”

Ele afirma ainda que embora o Paraguai tenha investido diretamente apenas US$ 50 milhões na construção de Itaipu – que custou mais de US$ 12,4 bilhões e vale hoje cerca de US$ 60 bilhões -, o país já recebeu US$ 4,5 bilhões na forma de royalties, compensações por cessão de energia e rendimentos.

“Por causa das garantias dadas pelo Brasil, foi conseguido um financiamento de 99,8% da obra (…) e hoje o Paraguai detém 50% de uma empresa de US$ 60 bilhões”, diz Samek.

Em seu texto, a Transparência também diz que as cláusulas que definem o contrato de Itaipu não “sinalizam corrupção em si”, mas que “o status da companhia no Paraguai abre espaço para significativas oportunidades de corrupção”. Não está claro no texto quais seriam essas oportunidades. Para Samek, o tratado que rege Itaipu, na verdade, “torna a corrupção mais difícil”.

Ele afirma que boa parte da receita gerada por Itaipu já está vinculada. “A maior parte do dinheiro já esta carimbado.” Segundo a empresa, 70% da receita de US$ 3,4 bilhões vão diretamente para o pagamento de dívidas. Outros 15% são para o pagamento de royalties e cessão de energia. Os 15% restantes são usados na operação da empresa, o que envolve desde o pagamento de salários até os investimentos.

“A maior parte do dinheiro gerado por Itaipu sequer passa pela empresa”, afirma Samek, para quem o sistema diminui as chances de uso indevido dos recursos. O tratado que estabeleceu a criação de Itaipu foi um dos assuntos centrais nas eleições presidenciais paraguaias deste ano, vencidas pelo ex-bispo católico Fernando Lugo. Ao longo de sua campanha, Lugo defendeu que se revise o tratado para permitir que o Paraguai aumente os valores pagos pelo Brasil.

5 Comentários

  1. Geraldo Machado Responder

    Alstom: Empresas do grupo francês teriam contribuído para o caixa 2 de FHC em 98

    As empresas Cegelec e a ABB, que pertencem ao grupo francês Alstom, investigado em São Paulo por ligações suspeitas com os governos tucanos, teriam contribuído para abastecer o caixa dois da campanha de reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1998.Leia íntegra da reportagem publicada na edição desta sexta-feira (4) pelo jornal Folha de S. Paulo:
    Caixa 2 de FHC citava empresas da Alstom

    Duas empresas do grupo francês Alstom são citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que deveriam abastecer o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB.
    As planilhas, tornadas públicas em 2000, atribuem ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a missão de buscar recursos junto a empresas. As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo de São Paulo.
    Porém, não era atribuída à Cegelec e à ABB nenhuma meta de arrecadação. A planilha também não informa se elas deram dinheiro ao PSDB. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), justamente uma das principais clientes da Alstom.
    Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça, dizem que seriam pagas “comissões” para obter negócios com o governo paulista.
    Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris diz estar disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo.
    A Alstom comprou a Cegelec justamente naquele ano.
    Os papéis citam que a comissão seria dividida entre “as finanças do partido”, “o tribunal de contas” e “a Secretaria de Energia”. A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.
    Eventos de 1998
    O ano de 1998 foi marcado por eventos relacionados às investigações iniciadas na Suíça:
    1) O contrato em que a Cegelec dizia estar disposta a pagar uma comissão de 7,5% foi firmado naquele ano;
    2) Entre outubro e dezembro, houve duas transferências de dólares ordenadas pela Alstom francesa, que foram parar na conta da “offshore” MCA Uruguay Ltd., nas Ilhas Virgens Britânicas, controlada pelo brasileiro Romeu Pinto Jr. no valor de US$ 505 mil, que seriam usados na propina.
    Com a privatização e a cisão da Eletropaulo, o contrato de R$ 110 milhões foi herdado pela EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia), outra estatal paulista.
    Com a reeleição de FHC, Matarazzo assumiu no ano seguinte o cargo de ministro-chefe de Comunicação da Presidência.
    A Alstom, um dos maiores grupos do mundo na área de energia e transportes, tinha contratos à época também com estatais da União, como Petrobras, Eletrobrás e Itaipu.
    Reportagem da Folha de dezembro de 2000 revelou que Matarazzo teria obtido ao menos R$ 3 milhões para o caixa dois. Na planilha com as metas de arrecadação, aparece o nome “Andrea Matarazzo – MM”. Ele teria de arrecadar R$ 6,02 milhões. Ao menos R$ 10,12 milhões foram para o caixa dois de 1998.
    Além da relação das empresas, a planilha menciona os nomes dos diretores ou contatos a serem procurados pelos arrecadadores de campanha.
    A autoria das planilhas foi atribuída ao ex-ministro da Administração e Reforma do Estado Luiz Carlos Bresser Pereira, tesoureiro oficial das duas campanhas presidenciais de FHC. Atualmente, ele diz que elas podem ter sido montadas.
    Procurado pela Folha na época, Matarazzo negou ter participado da arrecadação de recursos para FHC. “Vou te falar mais uma vez meu papel nisso daí [campanha]: fiz dois jantares, dos quais o presidente participou. Ele apresentou o programa de governo. O Luiz Carlos Bresser [Pereira] foi, e ponto”, dizia Matarazzo.
    O hoje secretário de Gilberto Kassab (DEM) disse que somente coordenava a ação política da campanha de FHC no Estado de São Paulo.
    O próprio Bresser, porém, confirmou à Folha em 2000 que Matarazzo participava da busca de recursos. “O Andrea também foi [arrecadador], no começo.” Ontem, em entrevista por telefone de Paris, Bresser reafirmou que Matarazzo ajudou na arrecadação da campanha da reeleição de FHC “no início”. Ele, no entanto, diz que só agora soube que existia uma empresa chamada Alstom.
    O publicitário Luiz Fernando Furquim, que atuou na campanha, referendou em 2000 a declaração de Bresser: “Havia uma certa competição [entre Bresser e Matarazzo], talvez em função da vontade dele [Matarazzo] de ir para Brasília”. A investigação sobre as planilhas do caixa dois nunca foi adiante porque a Justiça não autorizou a quebra de sigilo dos comitês de campanha.

    FONTE – SITE NACIONAL DO PT

  2. Vigilante do Portão Responder

    Essa turma do PT não tem jeito mesmo.
    Agora se ufanam de Itaipú, mas quando os milicos começaram a construção da usina, éra um pau só.
    Leiam os jornais da época, a turma do PT, não fazia um elogio. Até manifesto contra a construção eles fizeram. E tal qual o Requião, alguns disseram que em poucos anos a represa estaria assoreada e não produziria mais energia.

    Agora é só colher o que os outros plantarame distribuir cargos para os apadrinhados (vide caso do conselho de Itaipú, uma baba de dinheiro por duas reuniões mensais.).

  3. Samek – em campanha – disse, se não me engano, que era preciso abrir a caixa preta de Itaipu. Entretanto …

  4. Fabio Campana,veja bem não me entenda mal! eu aprecio como seus artigos passaram recentemente na filosofia e na ciência. Mas eu acho que você não dar crédito à complexidade do tema em questão. Prática intensiva e familiaridade com uma habilidade cognitiva é certamente a única maneira de alcançar a grandeza. Mas qualquer um que foi recentemente ao longo da infância (eu sou um estudante universitário) sabe que – apesar de gênio não pode ser inata – a aprendizagem de determinadas disposições. Os que aprenderam a ler mais rápido e mais eficiente são os que aprenderam a tocar piano mais rápida e eficiente(sic). Estas pessoas poderiam ter caído no movimento, perdeu sua unidade, ou encontrado um maior interesse em chutar para trás. Mas o que eles tiveram uma vez, não era algo que tinha uma escolha na aquisição.

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