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Primeira crise no Paraguai de Lugo


A nomeação do ex-senador Carlos Mateo Balmelli, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) para a direção-geral paraguaia de Itaipu, desatou a primeira grave crise vivida pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC) desde sua criação.

A escolha feita por Fernando Lugo desagradou tanto liberais quanto membros dos setores de esquerda que o apóiam desde que lançou-se candidato à presidência do Paraguai. As manifestações de repúdio foram destaque nos principais diários paraguaios, dentre eles o ABC Color e o Última Hora.

Por sua vez, Milda Rivarola (foto), designada por Lugo como futura chanceler paraguaia, apresentou seu pedido de renúncia imediatamente após tomar conhecimento da nomeação de Balmelli. Rivarola afirma que suas diferenças com Balmelli impossibilitam o trabalho conjunto que ambos deverão desenvolver frente ao Brasil para a reivindicação dos efetivos direitos paraguaios em Itaipu.


Uma das maiores expectativas derivadas da nomeação veio dos rumores de que o vice-presidente eleito, Federico Franco (PLRA), estaria a ponto de apresentar sua renúncia. Se tal fato fosse confirmado, seria o primeiro caso na história paraguaia de um vice que romperia com o presidente antes mesmo de assumir o cargo. No entanto, Franco veio a público para acalmar os ânimos e afirmar que não pensa em renunciar, embora tenha reconhecido que deseja que seu setor interno ao PLRA tenha mais cargos no futuro governo.

Na noite de quarta-feira (09), Lugo e seu futuro chefe de gabinete, Miguel López Perito, acompanhados de outros dirigentes da APC, tentavam convencer Rivarola a reconsiderar sua decisão. Informações não confirmadas dão conta de que a futura chanceler teria atendido o pedido do presidente eleito, embora os jornais desta sexta-feira (11) estampem o contrário.

Margarita Mbywângi, líder indígena ex-candidata ao Senado pelo Movimento Tekojoja, também criticou a decisão de Lugo. “Temos mais esperança em (Ricardo) Canese”, expressou Mbywângi, ao referir-se ao engenheiro especialista em assuntos energéticos cujo nome era o mais cotado para assumir a direção paraguaia da binacional. “Assim como acredito que me corresponde o INDI (Instituto Paraguaio do Indígena), também acredito que lhe corresponde Itaipu”, declarou.

Outro a criticar a decisão tomada por Lugo foi o ex-senador Domingo Laíno (PLRA), que afirmou que sua “consciência patriótica” exige que peça ao presidente que reveja sua decisão. Laíno afirmou que pedirá uma entrevista com Lugo, durante a qual pretende fazer o presidente eleito mudar de opinião.

Já Ricardo Canese, apontado como o mais qualificado para ocupar o cargo designado a Balmelli, afirmou que a designação do liberal “não corresponde ao processo” de recuperação da soberania energética paraguaia iniciado antes mesmo da candidatura de Lugo ser lançada.

Do mesmo modo, afirmou que “seria um desatino (…) uma reiteração da linha errada” nomear o engenheiro Miguel Fulgêncio Rodríguez na binacional Yacyretá (Paraguai / Argentina).

As suspeitas de que Rodríguez, também do PLRA, seria nomeado para Yacyretá surgiram durante um ato político na noite de quarta-feira (09), na sede do Congresso, onde repórteres do ABC Color puderam ouvir uma conversa do liberal Raul Meza ao telefone.

“Já conseguimos o (cargo) de Mateo, custou um pouco convencer o chefe, mas já está. Agora vamos operar para que designe Miguel….”, teria dito Meza, ao telefone.

3 Comentários

  1. Ótima notícia para o Paraguay: com um dragão desses na chancelaria, ele seria isolado (aindamais) do mundo.

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