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O grande irmão

Por Mussa José Assis (foto), hoje, no Documento Reservado:

Não é culpa de Roberto. Maurício é “pidão” de nascença. Coração grande, Roberto não resiste ao choro do irmão caçula. Afinal, era ele que levava, todas as manhãs, o pequerrucho ao grupo escolar, cinco ou seis quadras do casarão da família, na Vicente Machado. Às vezes, pela orelha, quando o piá fazia birra. Roberto contou isso numa das escolinhas de terça-feira. Da mesma forma que Maurício revelou que era o atalaia quando aconteciam reuniões subversivas, nos anos de chumbo, entre o irmão primogênito e inimigos do Regime Militar. Subia numa árvore do quintal da casa da família e de lá espiava o movimento na redondeza.

Quando Roberto era prefeito de Curitiba, Maurício bateu os pés e acabou nomeado para uma das diretorias da Prefeitura. Não durou muito. Afinal, não tinha experiência, não sabia lidar com a papelada. Ainda bem que, na época, havia um conselheiro do Tribunal de Contas de nome Antônio Ruppel. O bom bocaiuvense segurou as pontas do rapaz. Depois, quis ser deputado federal e o irmãozão garantiu-lhe os votos necessários. Apenas um mandato, um sofrível mandato sem projetos nem discursos no pinga-fogo e atuação nula nas comissões permanentes. Não conseguiu se reeleger, mas choramingou até ser indicado candidato a prefeito de Curitiba.

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Roberto tinha o PMDB nas mãos (sempre teve!) e a convenção foi uma barbada. Só que apareceu na parada outro irmão, o Eduardo, que também se lançou candidato a prefeito pelo PDT. Parece ficção, mas os dois irmãos de Roberto tentaram, na mesma eleição, serem prefeito de Curitiba. Na época, Eduardo estava rompido com a família. A reconciliação só aconteceu quando Roberto o nomeou para a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Os dois deram com os burros n’água e Maurício voltou aos holofotes quando virou secretário da Educação. Antes tinha sido superintendente da Fundepar (Fundação Educacional do Paraná), época das almôndegas. Comprou as 22 mil televisões alaranjadas e quis ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Claro que o irmão maior atendeu o caçula, falou com os deputados, convenceu o colégio eleitoral de 54 votos. Arrancou 43 para Maurício e não fez sobrar um voto sequer para qualquer dos seis outros candidatos ao cargo. Na realidade, Roberto não nomeou Maurício para o TCE. Quem fez isso foi a esmagadora maioria dos deputados da nossa Assembléia Legislativa. A nomeação está emperrada na Justiça e a tendência é que Maurício permaneça um bom tempo sub judice. Mas ele não pode se queixar do irmão mais velho. Teve na vida tudo o que pediu.

8 Comentários

  1. Vocês jogam pesado contra o Maurício. Se ele fosse mesmo um peso-morto, vocês acham mesmo que a oposição se importaria com a nomeação ao TCE?

    O desespero da oposição é que o Maurício saberá de todas as falcatruas que os deputados, prefeitos ou futuros governadores possam fazer. E pior: não se coadunará com elas, como alguns conselheiros fazem.

    O Maurício vai ser um pitbull no TCE.

  2. Exceto por Mello e Silva, que fez uma carreira politica, talvez por faltar-lhe vocação para outra coisa, os demais são fracassados, loosers, sempre pendurados no grande irmão, atrás de uma boquinha à custa do dinheiro público, nunca gostaram de trabalhar…

  3. Toda criança tem que ter limites para que seja lhe dada uma boa educação, o dizer não em muitas vêzes é a maior prova de amor que os pais ou responsáveis possam dar pela formação da criança. Quando nos deparamos com crianças mimadas a primeira reação nossa é vontade de dar um beliscão, uma puxada de orelha ou uma bronca, mas olhando do aspecto geral, a culpa não é da criança e sim de quem a educa, ou deseduca melhor dizendo, em se tratando de um marmanjo barbudo, já velho apesar de usar suspensório ainda, mas é para calça não cair em função da sua enorme pança, fica mais ridículo ainda, neste caso a culpa da manhã e dos dois, e quando afeta a terceiros que somos nós que pagamos a conta pelas “artes” realizadas, só nos resta uma saída que é dar a educação que não teve até então! Qual seria essa lição?
    Não eleger nunca mais o irmão mais velho para cargo algum, deixar o irmão mais novo de castigo sem seu brinquedinho no caso o TCE. O irmão Dudu seria também penalizado por aprontar quietinho, e fazer de sua posição um desastre administrativo na APPA. Assim corrigiremos um erro de educação familiar, que quem mais sofre são os que não tem nada haver com isso que é a ordeira e pacata população do Estado tão Próspero e tão mal administrado por uma família delinqüente!
    Está lição será dada nas urnas, e já começou na eleição passada quando quase o mais velho perdeu, agora então é que a desmoralização caiu de vêz na boca do povo é que não se elegem mais e serão seres despresados por cidadãos do Paraná!

  4. “pitbull” para defender a “casa” da família e, como costuma acontecer eventualmente, atacar um familiar nos dias ruins…

  5. Em momento algum eu duvidei da competência pessoal do Sr. Maurício Requião para exercer o cargo de Conselheiro do TC; eu duvido de sua IMPARCIALIDADE, e duvido da MORALIDADE de sua nomeação.

    Ou será que dentre os mais de dez milhões de paranaenses apenas o irmão do governador é capaz de assumir o cargo?

  6. Fabio

    Realmente o texto do Mussa é uma joia. Se for possível, só relate a ele um fator que ele esqueceu, em minha opinião propositalmente, de colocar.

    Foi o Roberto que quando seu pai teve um ataque de loucura e começou a fazer discursos infundados nas dependencias do Colégio Xavier no momento em que soube que perderá as eleições a prefeito de Curitiba, que consolou o chorão Mauricio.

  7. Mussa, estamos esperando que você conte estas e outras histórias da política do Paraná em livro. Será um best-seller, com certeza!

  8. Idiota, esse Thiago. Quando Dr. Wallace disputou essa eleicao, o Mauricio tinha cinco anos. Pura maldade.

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