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Não diga não para a Coronel Aparecida

Por Denise Mello, publicada na revista Idéias

Fotos de Lineu Filho

Sabe aquelas estórias de vida que tinham tudo para dar errado? A de Rita Aparecida de Oliveira é assim. Hoje, aos 48 anos, Tenente-Coronel da Polícia Militar do Paraná. A primeira mulher a alcançar este cargo no estado e na região Sul do Brasil. Mas, para chegar até aqui teve que ser, além de competente, teimosa. A palavra “não” sempre significou combustível para esta mulher que nasceu lá no norte do Paraná, numa cidade pequena, com nome chique, com jeito americano: Paranacity. Ela agora briga para chgar ao posto máximo de coronel. Merece. Venceu paradas na justiça para ter o direito a estar na lista de acesso. Vale saber a história e o que pensa esta comandante que afrontou o machismo na corporação.

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Não diga não para a Coronel Aparecida

Nunca foi pouca coisa. Nem a cidade, muito menos Aparecida que, ao invés de ser professora, decidiu ser policial. Entrou para a primeira turma de mulheres policiais militares do Paraná. Isso foi em 1977. De lá pra cá, na grande maioria das vezes, só conseguiu ser promovida com muita briga dentro da corporação e também fora, nos Tribunais de Justiça. A menina da roça que chegou em Curitiba há 34 anos em busca de uma vida melhor, não imaginava a quantidade de obstáculos que iria enfrentar. O último deles foi coroado com mais uma vitória no último dia 13 de junho. Aparecida ganhou liminar na Justiça que lhe dá o direito ao cargo de coronel. Será a primeira mulher coronel da Policia Militar do Paraná. A pedra que colocaram no caminho dela estava na forma de um limite de 33 anos de profissão. A nova regra, criada em 2005, a deixou automaticamente fora do cargo quando, em março deste ano, Aparecida alcançou 33 anos de PM sem ter sido promovida. Foi à luta e, com a liminar, a filha do seu Clemente e de dona Natália está pronta para ser coronel. Tem patente militar para ocupar até mesmo, quem sabe um dia, o maior cargo da corporação: comandante-geral da Polícia Militar do Paraná. “E por que não?”, decreta ela.
A Tenente–Coronel Aparecida recebeu a Revista Idéias em seu gabinete, no quartel-geral da PM, em Curitiba. Bem decorado, com porta-retratos da família e repleto de troféus e placas de homenagem, apenas dois leõezinhos de pelúcia na estante remetem a idéia de que uma mulher ocupa aquela sala. Leõezinhos que só estão ali por que são símbolos da grande paixão da Tenente-Coronel Aparecida dentro da PM: a coordenação do PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – desenvolvido entre crianças e adolescentes das 4ª e 6ª séries, pais e a comunidade. Uma mulher com frieza suficiente para contar de forma firme cada obstáculo que enfrentou, mas que, ao mesmo tempo, se emociona ao falar das crianças com que trabalha, das colegas da PM, da família e da felicidade na vida pessoal com o novo amor que encontrou há pouco mais de dois anos.

ID – No meio da roça, lá em Paranacity, na sua infância, a senhora brincava de polícia e bandido?

Aparecida – Não. Nunca imaginei que um dia seria policial. Pelo contrário. Cresci numa família grande, 11 irmãos, e, pra gente, polícia tinha que ficar bem longe. Até por que se um policial chegasse perto, era por que um de nós fez algo de muito errado e, antes de ir para uma delegacia, iríamos apanhar de borracha do seu Clemente (pai de Aparecida). Essa era a visão. A idéia que hoje lutamos para prevalecer, de uma polícia social comunitária, que tenho orgulho de pertencer, não fazia parte da minha geração.
Meus pais foram lavradores, na agricultura. Cresci e trabalhei na roça, mas desde pequena sonhava em ter uma profissão. Só não sabia que seria de policial.

ID – Mas esse sonho esbarrava numa realidade dura que era a vida na roça ao lado de 11 irmãos. Foi aí que a senhora começou a derrubar barreiras?

Aparecida – Sem dúvida. Graças aos meus pais, a minha vida e de meus irmãos sempre foi com a enxada em uma das mãos e os livros na outra. Meus tios diziam pra o meu pai pegar mais terra, plantar mais arroz, mais pés de café. E ele respondia: “Seus filhos, sua família, você cuida. Eu cuido da minha! Eu sei o que estou fazendo”.

ID – E como da roça, lá no interior do Paraná, a senhora foi parar na Polícia Militar, em Curitiba?

Aparecida – Eu não tinha nem idéia onde ficava Curitiba. Meus irmãos mais velhos vieram morar na capital em 1971. Passaram dificuldades. Meu pai decidiu então vender as cabras, as galinhas, os porquinhos… juntou o dinheiro das passagens e, em 1974, viemos todos para Curitiba. Eu tinha 14 anos. Aos 18, minha irmã chegou em casa dizendo que ouviu falar que a Polícia Militar iria abrir um concurso para mulheres. Perguntei: “O que precisa?” Ter 18 anos e ensino médio completo. Estava com 18 anos, mas faltavam 3 meses para eu terminar o 2º grau. Essa era a primeira turma de mulheres da PM do Paraná e eu queria muito fazer parte dela. E assim que coloquei os pés na PM pela primeira vez, já fiz isso com um requerimento pedindo que abrissem uma exceção e aceitassem a apresentação do diploma de ensino médio alguns meses depois. Foi o primeiro pedido deferido da minha carreira. Deus sabe que muitos ainda estavam por vir.

ID – E com foi entrar num mundo que, na época, era só de homens?

Aparecida – Eles não tinham noção de como agir conosco. A progressão da carreira não estava definida e até mesmo a estrutura física da PM precisou ser revista. Era preciso ter banheiros para mulheres, por exemplo. São Paulo já tinha mulheres na PM, mas com outras regras. Em 1979, a Policia abre o concurso vestibular pra Academia do Guatupê. É o primeiro estado a abrir para que as mulheres fossem para uma academia militar com o mesmo tratamento dado aos homens. Igual em termos por que na prática, nós mulheres éramos ainda mais exigidas. Até o número de disciplinas era maior. O raciocínio era o seguinte: se nos testes físicos, por exemplo, eu fizesse igual ao meu colega, não fazia mais que a obrigação. Se quisesse uma cruzinha a mais no currículo, só se fosse muito melhor que ele. Ainda assim, em turmas mistas, fui a primeira colocada. E mesmo com este mérito, todos os homens da minha turma foram promovidos a 2º tenente e eu e as outras quatro mulheres da turma, continuamos como aspirantes. Só com vários recursos consegui a promoção. Perdi a conta do número de mandados de segurança que impetrei, do número de colegas mulheres que vi desistindo da carreira pela falta de perspectiva profissional, do número de homens policiais que foram promovidos em vagas que eram para ser minha.

ID – Nesse caminho que a senhora trilhou na PM, em algum momento pensou em desistir? Que momento foi mais difícil?

Aparecida – Nunca pensei em desistir. Fui derrubando paredes e trazendo minhas colegas junto comigo. Agora, sem dúvida, que o momento mais difícil foi em 1994. Era comandante da Companhia de Polícia Feminina e foi decidido que este batalhão não existiria mais. Tínhamos nosso quartel, nossa estrutura, nosso espaço, mas o Comandante-geral, na época, mandou desdobrar a Companhia de Polícia Feminina. Da noite para o dia, fomos transferidas para locais sem nenhuma infra-estrutura para mulheres. Diziam que nosso quartel dava muito gasto. Mas o pior mesmo foi o momento em que todas as mulheres do batalhão, cerca de 200, se colocaram em forma no pátio do quartel-geral, para que os oficiais, da sacada do prédio, escolhessem quais iriam para suas corporações. “Quero aquela por que é magrinha e tem olho azul”. “Essa eu não quero por que é gordinha. É um bucho!” Foi muita humilhação. Olhar para isso, sem poder fazer nada. Esse realmente foi o ponto mais marcante e mais doloroso da minha vida.

ID – A senhora lidou com muitos casos de assédio sexual a mulheres dentro da Polícia?

Aparecida – Inúmeras vezes. O que, infelizmente, é comum em todas as profissões. Tivemos casos escancarados pela imprensa. Casos velados que a gente administrou internamente. Teve caso em que a policial chegou, contou a história e disse que não queria que ninguém soubesse. Preferia resolver em casa, sem nenhuma exposição. Mas aqui na PM, e em qualquer lugar, é importante a mulher saber se proteger, se defender, ter postura. Não podemos passar a imagem de coitadinha, de frágil, delicada. Somos tudo isso sim, mas aqui dentro temos que passar a imagem de profissionais.

ID – Com toda esta dedicação à carreira, que tempo reservou para sua vida pessoal? A senhora é casada? Tem filhos?

Aparecida – Eu digo que do ponto de vista da Lei Civil não sou casada, mas do ponto de vista do coração e da alma sou uma mulher feliz, bem realizada. Estou com uma pessoa há dois anos e já lhe adianto que não é policial. Não tenho filhos por uma opção pessoal. Claro que paguei um preço por toda esta dedicação à PM Nunca tirei férias no início da carreira. Mas, na verdade, eu é que nunca me permiti descansar. Claro que tudo isso tem um preço. Mas não me arrependo. Hoje a maturidade me traz mais equilíbrio. Até minha licença especial de seis meses pretendo tirar. Se Deus quiser, e sei que Ele quer, no máximo no dia primeiro de outubro sairei de licença. Volto só em abril do ano que vem. Pelo menos é o que pretendo.

ID – A senhora ocupa hoje o cargo de coordenadora estadual do PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência. Como é este trabalho?

Aparecida – É a minha grande paixão. O contrário de tudo aquilo que aprendi quando criança de que polícia existe para dar um corretivo. É a aposta na prevenção para livrarmos nossas crianças e adolescentes das drogas. Quando fui convidada para fazer parte do programa, em 2002, confesso que achava a idéia do policial entrar em uma sala de aula para lidar com alunos, uma idéia absurda. Mesmo assim, aceitei entrar para o PROERD. E foi a melhor coisa que fiz em minha vida. É um programa implantado nos EUA há 21 anos. Hoje, com a evolução, é oferecido para alunos de 4ª e 6ª séries e envolve também pais e a comunidade. Em oito anos, pelo menos 900 mil crianças já passaram pelo PROERD no Paraná. Conseguimos formar uma grande rede de prevenção às drogas neste trabalho que vai desde a prevenção primária até o resgate e a reinserção social. É uma experiência fascinante.

ID – Hoje a senhora é tenente-coronel. Assim que abrir uma vaga de coronel, será promovida ao último cargo dentro da hierarquia da PM. Mais uma vez, um direito conquistado por meio de liminar concedida pela Justiça no dia 13 de junho. Depois de 34 anos na Polícia, a senhora não está cansada de tanto lutar? Não imaginava que poderia chegar ao último posto de sua carreira sem a necessidade de mais um mandado de segurança?

Aparecida – Poderia ter sido mais fácil, mas não é. E enquanto precisar lutar pelos meus direitos, vou lutar. Vou até onde for preciso. Fui vítima de uma mudança nas regras de promoção da PM. Antes desta mudança, naturalmente eu chegaria ao cargo de coronel. Com a alteração, a nova lei passa a determinar que para concorrer à vaga de coronel, tem que ter na abertura da vaga no máximo 33 anos de serviço pra todos os efeitos legais. Isso foi em 2005. Cheguei a 33 anos de PM no dia 22 de março de 2008 sem nunca ter sido promovida a coronel. Cargo que você só alcança por mérito. Por isso fiquei fora do quadro de acesso e entrei com mandado de segurança preventivo pedindo a inconstitucionalidade dessa lei.

ID – E quando a senhora deve conseguir a vaga de coronel?

Aparecida – Pelo que tenho notícia, deve ser para dia 11 de agosto, quando sai a compulsória de um coronel, abrindo assim uma vaga. Desta forma, fecharia 35 anos em março de 2010. Com mais um ano e quatro meses fecharia, portanto, quatro anos no posto de coronel.

ID – Com quatro anos no posto de coronel a senhora pode chegar um dia ao cargo de Comandante-Geral da PM?

Aparecida – Posso. Por que não? Hoje tenho mérito pessoal e político, competência profissional, e digo que só Deus pode me impedir de ser coronel. Se estiver escrito nas estrelas vou buscar, vou conquistar. O que quero é o que é meu, justo e de direito. Nada mais que isso. Tenho certeza que tenho muito para contribuir ainda por essa instituição maravilhosa que amo de coração. Certa vez, um colega me perguntou, antes de uma promoção, se eu estava pronta para ser major? Eu respondi: “Ser major é conseqüência, estou pronta é para ser coronel”.

16 Comentários

  1. Uma das grandes lutas nesse país é quebrar paradígmas existentes que encontran-se ultrapassados. Dentre esses, temos o caso da Ten.Cel Rita Aparecida de Oliveira aqual conseguiu, com garra ,obstinação,sabedoria e preparo,chegar a esse posto hierarquico da nossa Policia Militar. Parabenizo essa oficial policial militar. E como nesse país os homens deixaram à desejar, eu passei a acreditar nas mulheres, logo, espero ver essa policial militar promovida a Coronel,e,quem sabe, futura Comandante Geral da Polícia Militar do Paraná.

  2. Grande Mulher! Gostaria muito de vê-la comandando a Polícia Militar na administração do retrógrado e preconceituoso Requião Chaves.

  3. Concordo plenamente com o Roberto. Conheço o trabalho dessa valorosa integrante da Polícia Militar do Paraná, desejando sucesso em todos os sentidos. Gostariamos de ter várias APARECIDAS cuidando da segurança do cidadão brasileiro e em especial do residente no Paraná.

  4. Parabenizo a Ten Cel Aparecida, sei de sua vida profissional, sei da sua luta e sei o quanto ela passou, pois sou policial militar e sinto na pele o que ela passou, algumas vezes ja fui injustiçado, por certas lei criadas dentro da corporação, porem acho que ela tem todo o direito a sua promoção ao ultimo posto de oficial da PMPR, felicito por mais esta conquista.
    Izaquiel L. Miranda

  5. Elizabeth Falcone Da Silva Responder

    Admiro miuita a sua profissao.tenho um grande sonho de ser policial,estou tentando,esta e a terceira vez que vou fazer a prova,estou estudando muito ,sai de ferias ontem pois traballo como vigilante,mas a vida nao e facil e minha querida vo esta internada em estado grave e os medicos disseram que nao ha mais nada a fazer,e eu estou aqui procurando forcas para nao desistir de meus sonhos,e a senhora e um grande exenplo para mim.este endereco para qual eu deixei para a senhora e do meu orkut.um grade abraco .

  6. Ademar Trajano da Rosa Mainho Responder

    Foi atraves de seu irmão Salmo que tivemos a honra de conhecer a Tenente Coronel Rita Aparecida. Realmente exemplo de perseverança e amor à família. Sinto-me honrado em fazer parte desta família. Abraço. Ass.: Mainho.

  7. Jorge Alberto Martins Nunes Responder

    Tive o prazer de conhecer esta maravilhosa mulher, em um seminário, na cidade de Porto Alegre. Pessoa amável, em nenhum momento se portou de maneira arrogante, como seria o caso dos oficiais masculinos, Sou um admirador do trabalho que ela realiza no PROERD. Espero que um dia, quando CIDA, como carinhosamente chamavámos aqui no Sul, chegar ao posto de Coronel, algum governador, como muita sabedoria a chame para assumir a função de Comandante Geral da PMEPR.

  8. Lucia Helena Barbosa Responder

    Tive a oportunidade de conhecer a Ten Cel Aparecida quando estive no Parana em 2008, momento impar na minha vida, e um segundo momento em São Paulo, ela é uma pessoa admiravél, inteligente, culta e sempre que tiver a oportunidade ´será um prazer estar reve lá.

  9. Éssa menina foi minha aluna na matéria de Tiro Policial, alem do que uma Grande Mulher. Um dia um reporter denegriu a Aparecida, eu me prontifiquei em depor em favor dela. Ela disse valeu Bindi mas ele vai ter resposta… Passou-se tempo ajudei o reporter a pagar o que devia a Apárecida. Foi em uma boca de noite que ele ia buscar restos de comida na APMG, nimguem sabe dessa história, mas ele pagou. Vamos deixar de lado pois ele ja nao esta mais aqui…Hihihihihihihihi…fui…
    Grande Aparecida.,,-

  10. Mulher virtuosa!
    Um exemplo de postura, sempre! Conheço faz muitos anos e só tenho elogios. Mulher de fibra, forte, guerreira, honesta e a pessoa mais humana que conheço, com um coração enorme!

  11. Sou policial militar aposentada, sou da segunda turma de PME do PR, e desde que conheci a Cel Aparecida, disse a mim mesma ” é esse exemplo de dedicação profissional que quero para mim,” só elogios para essa guerreira!

  12. Jorge Luiz Ferreira Responder

    Grande pessoa antes de ser grande militar. Competente em tudo o que faz, orgulho-me muito de como militar ter compartilhado mesmo que por por pouco tempo sua sabedoria no trabalho.

  13. maria Nazareth Santos Responder

    fico muito orgulhosa por ver uma mulher paranaense ser vitoriosa. Parabéns Aparecida. Que Deus esteja sempre com vc…

  14. GILBERTO PIZZI ELIZEU Responder

    CORONEL APARECIDA, RITA, APARECIDA, SÃO MUITOS OS COMENTÁRIOS QUE GOSTARIA DE FAZER, MAS DIGO SIMPLESMENTE NOS MEUS QUASE 30 ANOS DE POLICIA NUNCA ENCONTREI E MUITO MENOS TIVE A HONRA DE TRABALHAR COM OFICIAL QUE PUDESSE SER COMPARADA COM O SEU COMANDO E HUMANIDADE.
    PARABÉNS POR TUDO E OBRIGADO POR AJUDAR-ME EM MEU NORTE, SAIBA QUE MEU NORTE E A SENHORA; PASSARÁ ANOS DECADAS, E EU E MEUS SEMPRE ESTAREI LENDO VENDO NOTICIAS E ACOMPANHANDO OS PASSOS DA SENHORA NUM CAMINHO PARALELO, OLHANDO E ESPERANDO MOMENTO DE DIZER PRECISO DE VOCÊ PIZZI.
    ESTAREI SEMPRE PRONTO NA MEDIDA DO POSSÍVEL, ACREDITE…

    MEUS RESPEITOS E ADMIRAÇÃO
    POLICIAL PIZZI

  15. Deborah de oliveira Responder

    Ela merece todo o respeito todo o reconhecimento da pmpr ela é guerreira futura comandante da gloriosa pmpr Abraços deborah e chacon

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