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Sobre Nuzman e nossa pífia participação em Pequim

Por ROQUE CITADINI

Quando assumiu a Presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) o incriticável Carlos Nuzman pediu duas coisas para transformar o Brasil em uma potência olímpica mundial: tempo e dinheiro.

Dinheiro não faltou, recebendo verbas aos borbotões da Lei Piva, do Orçamento e de empresas que abastecem de recursos as confederações de esportes olímpicos: Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Infraero, só faltou o INSS investir nos tais esportes olímpicos.

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Realizou, no Brasil, um sem número de eventos, de natação, boxe, atletismo, judô etc, com largo orçamento público. Chegou à sua consagração com a realização do Pan-Americano de 2007 no Rio, inicialmente “orçado” em R$400 milhões, mas com custo total de quase R$4 bi ao País. Sobraram medalhas e esperanças. Sem nenhum desrespeito aos atletas, continuo achando o PAN uma versão dos Jogos Abertos do Interior com gente falando espanhol.

Além de dinheiro que teve de sobra, tempo também não faltou, pois lá se vão mais de 15 anos de reinado sem críticas. Temos atletas que nem nascidos eram quando Nuzman assumiu. Além dos maus resultados que temos tido nestes Jogos, é preciso destacar o sofrimento da mídia que cobre as Olimpíadas.

Como parece existir uma “norma secreta” – vinda da Lua, de Marte ou de Vênus, não sei – que impede qualquer crítica ao desempenho brasileiro, nossos jornalistas ficam numa incômoda situação: por um lado, são condenados a um “silêncio obsequioso”, não podendo fazer a mínima crítica ao COB ou a Nuzman, e, por outro, tem que exaltar “conquistas” que, na verdade, são grossas derrotas.

É elogio para um 18º lugar, aplausos pelo fato de estarem participando, exaltação pelo esforço.

As frases que mais ouvimos, além do tradicional “com certeza” dos atletas, são: “chegar até aqui já é uma vitória”, “só disputar já é como ganhar uma medalha”, “vale pelo esforço”, “isso é um sonho realizado”, “estou muito feliz em estar aqui”, “este centro olímpico é uma maravilha”.

Agora, o fato de não poderem criticar, tudo bem, mas calma, pois o telespectador não pode ser acusado de nada. Na SporTV, por exemplo, o bom locutor Luiz Carlos Júnior, em todas as competições do Brasil, vem com o seu bordão “Vale muito sua torcida”. Peraí, vamos com calma, a derrota não é por falta de torcida. Se fosse assim, a China ganharia tudo. E um tal comentarista de natação, que a cada desclassificação de um atleta brasileiro, descobre uma estatística enaltecedora: “seu tempo foi melhor do que o do Pan-americano”, “sua marca superou a do Troféu Maria Lenk”.

Santo Deus! E daí? A tão falada geração de ouro da natação, ainda está de porre pelo Pan-2007.

Diante de números tão acachapantes, onde as poucas medalhas só vêm por muito esforço pessoal ou através de alguns esportes coletivos com tradição alheia ao Comitê Olímpico, só espero que, terminadas as Olimpíadas, a imprensa dedique a mesma dose de espírito crítico com que está habituada a abordar os dirigentes de Futebol para julgar o COB e companhia.

Está mais do que na hora de se romper o cordão de proteção dos dirigentes olímpicos mantido pela mídia tupiniquim.

18 Comentários

  1. Pega leve, hoje o Cielo bateu o recorde olímpico nos 50 m e tem reais chances de conseguir nosso primeiro ouro. Apesar de algumas decepções em esportes tradicionais como o judô, ainda estão faltando os resultados dos esportes coletivos, do volei de praia, do atletismo. Calma Campana. Sinceramente, pelo excelente e inédito desempenho que o Brasil teve no Pan, que contou com a participação inclusive dos EUA, espero que essa também será nossa melhor Olimpíada. É só ter um pouco de calma.

  2. Ligo a TV e só o que vejo é choro de atleta brasileiro. Um porque não chegou. Outro porque conseguiu apenar bronze. Outro porque “forças do além” a derrotaram… É triste esse quadro…

  3. Lamentável não ?! As críticas devem mesmo ser construídas nos moldes das critíticas construídas ao futebol. O que falta é investimento no esporte. Se tem o dinheiro, para onde ele está indo ?!

  4. o pan não serve como parâmetro.
    as equipes norte-americanas contavam com atletas de 2º escalão, e os demais países, fora cuba, não possuem nenhuma representatividade em jogos olímpicos. acho que o brasil ganhará mais algumas medalhas, já que o baixo investimento esportivo feito no brasil atende apenas o esporte na elite, poucos nomes, enquanto a grande massa, e o esporte na base são deixados para 2º plano.

  5. João Carlos Gouveia Reply

    “Pan que contou inclusive com a participação dos EUA”. Essa foi ótima.

  6. Tudo bem, é isso mesmo…
    Mas as nossas atletas estão entre as mais belas da olimpíada…

  7. A Jade Barbosa disse em entrevista que ela caiu sentada em sua apresentação no solo, porque resolveu arriscar um salto de alto grau de dificuldade, para ver se alcançava medalha. Atletas do nível dessa menina devem arriscar sempre, principalmente em treinos, senão nunca alcançarão medalhas quando a competição contar com grandes nomes da ginastica mundial.

  8. Está cheio de razão o Roque Citadini. Verbas aportaram, tempo houve, instalações foram construídas e outras melhoradas e cadê os resultados? Como um país com mais de cento e oitenta milhões de habitantes não consegue ter perfomance melhor que países menores e com economias mais fracas? Por que não surgem novos talentos? Por que sempre os mesmos? Quem fiscaliza a aplicação dos recursos destinados aos esportes? Por que as Universidades não são mais participativas? Onde estão os Centros de Excelência? Por que determinados órgãos de imprensa ficam felizes com essas parcas medalhas? Por que não há mudança nessa classe dirigente do Comitê Olímpico Brasileiro? Vejam quantas questões que precisam ser analisadas e respondidas. Ou será que Nelson Rodrigues tinha razão quando disse que “temos complexo de vira-latas? Acho até que não pois nossos atletas demonstram sempre uma grande vontade nas competições, porém não basta só vontade é preciso ir buscar a qualidade necessária. Enfim, parece que vai ser só turismo.

  9. A grande verdade é que os incompetentes permanecem graças ao compadrio, aos interesses personalíssimos misturados com os patrocínios. A imprensa esportiva nossa é capenga, procura incentivar o atleta meia-boca convocado pelos dirigentes. Tem que começar acompanhando as preparações e convocações. Chega de criticar somente após o acontecimento das participações pífias quando as perdas são irrecuperáveis. Em algumas modalidades temos celeiros insuperáveis no Brasil. Falta colocar gente competente, desvinculado de esquemas personalíssimos. A renovação do plantel é tímida. Tem gente participando de terceira olimpíada. Tinha gente lesionada querendo ir até o último trem, como se fosse insubstituível. No Brasil procura-se bater record de participação, não importa sejam atletas já superados. Participamos, vemos tanto avanço dos outros países, e nada aprendemos. Vale dizer, os incompetentes não aprendem nunca e são escalados para comandar as equipes. Algumas exceções são notórias, mas todos tem o seu dia de deixar o osso. No Brasil, ninguém quer, mesmo que a patria vá para o brejo. O resultado do certame não mente, vamos mal, no geral.

  10. Ao Jango. Acrescento sua opinião às minhas considerações acima. Parece que nesse nosso país o que interessa é , à qualquer custo , fazer parte do processo. É pertencer a alguma “máfia”, seja qual for. Tem para todos os gostos e assim vai-se levando tudo na base da mediocridade como se a nação fosse cega e letárgica. Não conseguem perceber que, entre outras atividades, também o esporte é uma ferramenta de propaganda dos valores de um país . Mas parece que existe uma solução, e ela deve ser drástica; Apaga-se tudo e comecemos de novo. Até quando?

  11. De fato os resultados até agora são pífios.
    O que mais me deixa triste e preocupado é o desrespeito com o dinheiro público. Porque não são divulgados os valores que estes atletas recebem para tão ¨honrosamente¨ representar os brasileiros. Imagino que, quando o povo souber as quantias e mordomias absurdas que a maioria destes ¨cidadãos atletas¨ recebem, muitos deixarão de investir em cursinho preparatório e mais 5 ou 6 anos de universidade e pós e mestrado e mais doutorado para praticar algum esporte e usufruir disso tudo. Digo praticar, pois acompanhando comentários anteriores, muitos não tem mesmo nível olímpico.

  12. É deprimente. Medalha de prata ou bronze pra mim tanto faz, é prêmio de consolação. Ainda assim, apenas quando é diferenciada, como no caso do Vanderlei na maratona de Atenas. Sem medalha, é melhor ficar calado, porque choramingo de vencedor atura-se, mas de perdedor ninguém merece. Quem sou eu para criticar? Sou o otário cujos impostos financiam esses chorões, aquela turma do “importante é participar” quem em uma semana de jogos não passou o Quirguistão. Meu Deus, alguém já tinha ouvido falar em Quirguistão???

    E, por favor, parem de falar em Panamericano. Quem se importa com aquilo? Alguém viu Phelps,Kobe ou Ginobili ali? Título de ginástica, judô ou natação contra venezuelano não é credencial alguma.

    É por isso que ultimamente só o vale-tudo me dá alegria no esporte. Podem chamar de violência, blá blá blá, mas ao menos ali o Brasil se impõe, é respeitado pelos outros países e tem campeões em várias categorias.

  13. É triste ler estes comentários. Infelizmente, se nosso país está uma merda assim como vocês dizem, inclusive, caluniando os atletas, muitos dos quais não tem uma por..caria de patrocínio, pois empresários (como alguns comentaristas aqui devem ser) brasileiros não se interessam em, ao menos, tentar apoiar nossos atletas. E todo mundo gosta de bater no peito e dizer que paga impostos e blá-blá-blá, mas temos índices enormes de sonegação. O que precisa na verdade é que nós, todos nós, pararmos com essa síndrome, mania de vira-latas e achar que tudo o que é feito em nome do país tem maladragem, quanto bosta, quanta bobagem!! Tem muita gente se esforçando lá sim e se não levamos a quantia de medalhas que aquelas pessoas abnegadas merecem foi por comportamentos provincianos, egoístas e entreguistas como estes comentários que apenas enxergam negatividades e “cambalachos” em tudo. Acordem, vocês parecem que engoliram uma vitrola que não nunca muda de música. Reajam, façam alguma coisa para mudar o que está errado ou o que acham que está errado, mas parem com estas críticas sem fundamento, lamúrias provincianas, com o carimbo do “vira-latismo”. Que m!!! Não consigo aceitar este comportamento de meu povo. Ora, criticaram o fato de me referir ao Pan, tudo bem, aceitarei, mas ninguém comentou o fato do Cielo, de forma inédita na história de nosso país, ter conquistado um recorde olímpico na natação já na semifinal. Por mais que não ganhe a medalha de ouro (espero que ganhe) e que consigam bater seu recorde, ele já consignou na história olímpica mais um nome brasileiro que deteve um recorde. Isso é um fato digno de nota e não de lamúrias, caramba.
    Vejam só os hipócritas dos EUA, a mídia mudou a forma de classificação dos países, apenas para colocar seu país em primeiro lugar na classificação. A China tem um monte de medalhas de ouro a mais que os EUA, mas a mídia americana coloca os Estados Unidos em primeiro em virtude do total de medalhas conquistadas. Isso sim é ridículo, subverter a ordem das coisas apenas para alimentar uma mentira para o povo americano. Agora aqui não, nós mesmos nos destruimos, sempre achando que tudo está errado. Que isso!! Incompreensível.
    Esperem o final da Olímpiada, aí sim poderemos criticar se o desempenho for tão ruim quanto o que voces estão achando, inclusive farei coro às críticas. Diante de um fato concreto devemos sim verificar a melhor solução para ele, mas não sofrermos por antecipação, dando margem ao pessimismo, essa sim praga que contamina a mídia e o povo brasileiro que enxerga tudo muito pior do que está.
    Por favor, acreditem mais no Brasil não só na Olímpiada ou em nossos atletas, mas em nós mesmos como Nação, em vocês mesmos que são brasileiros, estamos no mesmo barco e todos parecem querê-lo pior do que ele é.

  14. Ô Sandro, uma pergunta simples e direta: Em qual realidade você vive? Os oftalmologistas precisam de clientes para continuarem à sobreviver. Ufanismo é gostoso e as vezes faz bem porém fora da realidade fica estranho.

  15. Prezado Sandro,

    Primeiro, EU pago meus impostos e isso me dá o direito de exigir de quem eu financio, leia-se atletas, prefeitos, presidente etc. Me permite, senhor, ou pretende insinuar que nós aqui somos sonegadores e portanto devemos dizer amém?

    Segundo, a cantinela arranha-disco é toda sua. Falta de patrocínio? Dizei-me, qual é a multinacional que patrocina o esporte do Quirguistão? Ou será o pujante orçamento esportivo daquele país? E a ilha do Fidel, que sempre supera o Brasil nas olimpíadas? Vire o disco, ou melhor, troque o mp4.

    Terceiro, vira-latismo? Você ainda deve estar em 1958, quando o Brasil não tinha expressividade no esporte internacional. Talvez nem em 2008, porque o Brasil tem seleção de vôlei mais vitoriosa da história. Se estou cobrando, prezado Sandro, é porque esse país tem total condição de se tornar potência no esporte. Entendeu?

    Quarto, disseste “se não levamos a quantia de medalhas que aquelas pessoas abnegadas merecem foi por comportamentos provincianos, egoístas e entreguistas como estes comentários que apenas enxergam negatividades e “cambalachos” em tudo.” Meu Deus. Não sabia que nossos comentários eram capazes de afetar a mira da seleção feminina de basquete, ou a pegada do Derly, ou égua do Doda. Pena que o Cielo te respondeu imediatamente e mostrou que quem é bom não dá desculpa do tipo “estou sem patrocínio e meu país me critica”. Vai lá e vence. Ponto.

    Por último, pare de exconjurar os americanos. Você ainda é do tempo Moscou x Washington? Francamente, se a mídia americana está distorcendo o quadro para os americanos, o que EU, brasileiro, tenho a ver com isso????????????? O que me importa é o desempenho do MEU país, os americanos que se importem com o deles.

    PT SDS

  16. Você está coberto de razão! Parece que nada está acontecendo! Participação do Brasil foi (está sendo) medíocre sim!

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