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PM despeja 200 famílias em Reserva do Iguaçu

Uma operação de despejo acontece desde às 6h da manhã de hoje no município de Reserva do Iguaçu (a 354 Km de Curitiba). Segundo relatos de moradores do local, ela envolve cerca de 400 policiais militares, de batalhões dos municípios da região Centro-Oeste, que retiram aproximadamente 200 famílias sem-terra de três áreas de acampamento: um na Fazenda Reserva e outros dois na Fazenda Rodeio.

A deputada estadual Luciana Rafagnin, presidente do PT no Paraná, fez um pronunciamento esta tarde, durante sessão da Assembléia, chamando a atenção para o caso. Ela recebeu informações dos acampados, que reclamam da forma com que a desocupação está sendo feita.

“Eles informam que não há resistência por parte das famílias, uma vez que a ordem judicial para elas saírem das áreas já havia sido decretada há alguns dias. Mas, ainda assim, lideranças dos acampados do município informam que os policiais não esperam as famílias retirarem seus pertences para atearem fogo nos barracos”, disse Luciana. Um dos relatos dá conta de que foi incendiado um paiol, usado para armazenagem de milho, que continha o produto da safra das lavouras desses agricultores. “Não podemos concordar com isso”, falou.

3 Comentários

  1. Fabio, essa reintegração de posse aconteceu ontem e não hoje, e treminou sem nenhum problema, foi pacífica, pergunte aos oficiais de justiça, e alem do mais a Polícia Mlitar nào desocupa fazendas ela apenas acompanha os oficiais que cumprem a ordem judicial.

  2. A ilustre deputada também discursou quando a via campesina e o mst destruiram centros de pesquisas, como o da UFPE?

    Duvido, é por estas e outras que estamos vivendo um dos piores momentos de nossa democracia, onde ações da lei são tratadas como crime e crimes são tratados como “questões sociais”….

  3. Sou sociólogo. Estive na Fazenda Rodeio no mês passado, em 16 de julho do corrente ano. Não estava lá no momento em que se realizavam as ações de desocupação no dia 19 de agosto. Não posso opinar sobre isso. Mas, tenho algo a dizer sobre aquilo que testemunhei quando conversei com homens e mulheres que me olhavam curiosos e desconfiados. Percebia que eu próprio invadia território estrangeiro habitado por sonhos e esperanças. As pessoas que ali estavam me olhavam como se eu viesse para acabar com aquelas esperanças e impedir a realização daqueles sonhos. Mas, não era essa a minha intenção embora eu soubesse de antemão que todos eles não eram considerados benvindos naquela terra. Naquele momento, pelo que escutei, cheguei a ser convencido de que as coisas ali tomariam o rumo de um outro movimento semelhante que havia conhecido no interior de Minas Gerais em janeiro último: de um lado grandes proprietários conformados e até satisfeitos porque não dispunham de meios para realizar investimentos e receberam valor expressivo pela indenização e por outro lado homens, mulheres e crianças vivendo com uma dignidade humana antes não conhecida. Agora, ao saber que aquelas pessoas não estão mais naquele local e talvez realmente a sua esperança tenha acabado juntamente com os seus sonhos, lembro-me novamente de seus olhares e sinto um arrepio. “E agora José?”, como diz o poeta: “Quer ir para Minas, mas Minas não há mais José…José, para onde?” E enquanto vou me arrepiando vou também me perguntando: terão sido estes miseráveis, que me enchem o saco pedindo comida ou dinheiro aqui nas ruas da minha cidade, desajolados em algum lugar do passado onde sonhavam com uma vida digna? Terão aquela professora da Universidade Federal e aquele aluno da Tuiuti sido mortos por um desses desesperados? José é também o nome da pessoa que se apresentou como porta-voz daquela gente, de quem guardo registradas as palavras que recolhi em entrevista naquela tarde de julho enquanto colhia a mandioca que plantara na Fazenda Rodeio…

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