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Grampos no STF, a República em polvorosa

De Alberto Dines

A República está em polvorosa, ministros do Supremo Tribunal Federal falam em crise entre os poderes, os meios políticos estão assanhados e a mídia afia as garras. Motivo: uma reportagem de Veja (nº 2076, de 3/9/2008) onde é reproduzida a gravação de uma conversa telefônica, rápida e rotineira, entre o presidente do STF, Gilmar Mendes e o senador oposicionista Demóstenes Torres (DEM-GO).

A importância da matéria está na revelação dos dois repórteres que a assinam onde afirmam que o grampo foi feito pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), e o seu teor repassado à revista por um funcionário da mesma agência sob a condição de se manter anônimo. A conversa entre as duas autoridades realmente ocorreu, os interlocutores a confirmam, mas a grande crise está montada em cima de apenas três linhas de informação oferecidas pelos repórteres.

Traduzindo: um araponga da Abin fez a gravação, outro a transcreveu e repassou à revista. Não há indicação alguma de que o grampo teria sido ordenado pelo diretor da Abin ou alguma autoridade superior.

“Crise institucional”

O caso é grave, mas recentemente houve outros piores e ninguém se ouriçou. O resto da reportagem compõe-se de avaliações, análises e impressões sobre um suposto ou talvez verdadeiro surto de grampos nas altas esferas do Estado.

A maior parte do texto da reportagem propriamente dita refere-se à eventual briga entre o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o atual ministro da Justiça, Tarso Genro, aparentemente desafetos.

A denúncia foi apresentada discretamente na capa da revista, esmagada por uma xaropada pseudo-psicológica a respeito de vinganças. Aparentemente os próprios editores não acreditaram que as informações publicadas acionariam o que no domingo (31/8) à noite estava sendo classificado nos blogs como “crise institucional”.

Como sempre acontece, a revista rodou na sexta à noite, mas antes disso os grandes jornais já recebiam o material para abrir trepidantes manchetes nas edições de sábado.

5 Comentários

  1. Muito em breve, estará no mercado brasileiro um aparelhinho chamado scrambler, que mascara os sinais entre dois telefones e quem grampear só irá escutar ruídos intraduzíveis.
    Com a palavra os fabricantes do scrambler: quanto vocês vão cobrar cada unidade? Quanto pagaram aos arapongas para gravar o telefonema?

  2. _Caro Campana, eis a nova “cortina de fumaça”. Logo quem vem “pedir justiça”, o novo arauto da lei e da verdade, Gilmar Mendes. Agora, para quem serve este fumacê todo, e que interesses interessa: esconder a pataquada do nepotismo? O doce do “pré-sal” do nosso molusco presidente? Vamos aguardar a fumaça baixar.Abraços!

  3. Quando se mistura um órgão de segurança pública com um órgão de segurança do estado é o que acontece. Não se misturam alhos com bugalhos. Esta promiscuidade, que resultou da nomeação de um delegado da PF para dirigir uma agência de espionagem é a causa de tudo. Ré com ré, cré com cré… Só na roça brasileira imagina-se que o FBI dirigiria a CIA ou vice-versa. Esta foi uma armadilha montada que apanhou justos e pecadores pela boca…

  4. O PT quem diria, está pior que na época do Regime Militar, só falta começarem a tortura física, pois a mental já fazem a tempo, bem como a lavagem cerebral em alguns menos desprovidos de massa cefálica da população!

  5. Não custa repisar o assunto: o novo diretor da Abin já trabalhou para Daniel Dantas.
    Wilson Trezza, o homem escolhido pelo governo federal para substituir Paulo Lacerda, já trabalhou para Daniel Dantas.
    PRECISA mesmo desenhar?

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