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Belinati X Hauly: novo segundo turno, doze anos depois

De Fábio Cavazzoti na Folha de Londrina

O deputado estadual Antônio Belinati (Coligação A Volta do Povo à Prefeitura – PP/PRB) e o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Coligação Londrina Forte e Digna – PSDB/DEM/PSDC/PRP/PSL) repetem, no próximo domingo, o segundo turno das eleições municipais que protagonizaram em 15 de novembro de 1996. Na oportunidade, Belinati se elegeu prefeito pela terceira vez por 105.988 a 94.984 votos.

De lá para cá, muita coisa mudou: a cidade passou de 211 mil para 341.908 eleitores; a política econômica neoliberal do governo FHC deu lugar ao assistencialismo liberal da era Lula; o governo do Paraná passou de Jaime Lerner para Roberto Requião – seu maior algoz; e Londrina viveu oito anos de administração do prefeito Nedson Micheleti (PT) – algo que nem o petista mais otimista imaginaria àquela altura.

Doze anos depois, Hauly disputa pela quarta vez seguida a prefeitura – e Belinati, com algumas lacunas, a sexta vez desde 1972. À disposição do eleitor londrinense, estão dois perfis bastante distintos. Hauly é economista, tucano desde que o PSDB se formou entre as fileiras do PMDB, foi prefeito de Cambé, secretário de Fazenda na gestão do ex-governador Alvaro Dias, e vice-líder do governo FHC na Câmara dos Deputados.

Já Belinati, que entrou para a política a partir do radialismo, voltou a se eleger deputado estadual de forma consagradora há dois anos após cumprir os três anos de inelegibilidade decorrentes da cassação do último mandato de prefeito decretado pela Câmara Municipal, em 2000, por uso de verba pública para promoção pessoal no escândalo AMA/Comurb. A seguir, as principais propostas de Belinati e Hauly para a gestão 2009/2012:

Qual o maior desafio da próxima gestão municipal?

BELINATI – A bandeira número um do nosso mandato será consertar os postos de saúde. A situação caótica não é culpa do médico nem do enfermeiro, é culpa da má administração. Vamos cuidar direitinho dos postos, fazer o que já fizemos e garantir que os postos sejam devidamente equipados. Para a jovem mamãe, a grande novidade: nós vamos levar a supercreche para todas as regiões da cidade e deixar a criança perto de casa. E o ‘tchan’: a creche noturna para a mãe que trabalha ou estuda de noite. Será uma coisa maravilhosa. Nos primeiros meses de mandato essa jovem mãe vai poder resolver esse problema sério.

HAULY – Recuperação econômica de Londrina. Pretendo recuperar em quatro anos pelo menos 50% do que a cidade perdeu nos últimos 20 anos. Londrina perdeu 48,5% das suas indústrias, a economia da cidade hoje deveria ser o dobro do que é. Isso, se mantivesse o que tinha em 1988 – quando o Dr. Wilson (Moreira) entregou a prefeitura para o Antonio Belinati. Só naquele mandato do Belinati, ele perdeu 33% da riqueza, de todo o valor adicionado do município e da arrecadação. Para buscar de volta, ou potencializa as empresas locais, ou traz novas empresas. Esse é o grande desafio: a recuperação econômica de Londrina, dos salários e dos empregos.

O aprendizado dos alunos de 1 a 4 série em Londrina é inferior a 50% do conteúdo escolar, segundo o MEC. Muitas cidades com escola em período integral também permanecem com baixos índices de rendimento. Qual seu projeto para a melhoria da qualidade de educação, incluindo metas e custos?

BELINATI – Queremos a escola integral para tirar a criança da rua. A verba vamos obter no Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, com apoio da bancada em Brasília. Além disso, vamos construir, reformar e equipar as escolas, e treinar permanentemente o professor. Quando fui prefeito, pagávamos o segundo melhor salário de professor do Brasil; vamos resgatar isso.

HAULY – Vamos valorizar o professor, com muita capacitação, bom ambiente de trabalho e recuperação de 25% das perdas salariais. A administração da escola será participativa, interativa e circular. A escola integral vai começar pelos bairros com maior índice de pobreza – o que deve dar uns 15 mil alunos no primeiro ano. Vamos assumir todo o custo.

O que cabe ao município no combate à criminalidade? E a Guarda Municipal: vai implantá-la; com que efetivo; a que custo?

BELINATI – Antigamente, Londrina tinha módulos policiais, mas algum ‘abelhudo’ acabou com eles e a violência proliferou. Vamos pleitear a volta dos módulos e criar a Guarda Municipal. Nossa proposta é implantar a Guarda e pagar 50% dos custos – e o Estado, que não está cumprindo com sua obrigação, paga os outros 50%. Com isso, poderemos ter um contingente muito maior; se for inferior a 1.500 pessoas, vai ser ilusão de ótica.

HAULY – Falo em montar um Gabinete de Crise na Segurança, que será composto pelo prefeito e os comandantes das polícias; criar a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã; e a Guarda Municipal Cidadã, com efetivo de 200 pessoas. Também queremos trabalhar um pronto atendimento de emergência, nos moldes do Siate, e premiar mensalmente os melhores policiais, com bolsas de estudo para os filhos. A Guarda deve custar uns R$ 5 milhões.

Um dos maiores problemas do país é o consumo de drogas, mas o poder público não oferece alternativas de tratamento para dependentes. O que fará nesse setor?

BELINATI – O dependente merece toda a nossa acolhida; o traficante é que deve ser eliminado do nosso convívio. O caminho da recuperação é muito demorado e temos poucas instituições que se dedicam a tratar esses doentes. Vamos colocar mais verbas nessas entidades e me proponho a montar mais casas de recuperação.

HAULY – Vamos ajudar as famílias através das entidades de Londrina e de programas municipais. Quero ser 100% parceiro das pessoas que tem necessidade de serem recuperadas e das entidades que prestam esse atendimento – estarei com elas de segunda a segunda. Acredito muito na recuperação espiritual.

Qual seu plano para melhorar o trânsito – e reduzir as mortes e acidentes?

BELINATI – Teve um tempo em que a gente cruzava Londrina em dez minutos, o trânsito fluía rapidamente. Depois, estrangulou. Nós temos que abrir novas avenidas, interligando as regiões, colocar os sinaleiros em sincronia, e construir alguns túneis e viadutos. Vamos convocar os técnicos para elaborar um plano emergencial. O ministro das Cidades, que é do nosso partido, já adiantou que tem verba em Brasília – inclusive para ciclovias. Algumas obras faremos imediatamente: os viadutos na entrada do Jamile Dequech e no final da Duque de Caxias com a avenida Brasília. Vamos procurar recursos até em organismos internacionais para fazer canaletas exclusivas para os ônibus e, em alguns pontos, implantar passarelas. Sobre a conservação, penso que a cidade está apenas mal cuidada. Vai ser preciso investimento de mais de R$ 50 milhões para salvar a malha viária.

HAULY – Primeiro o trabalho de educação no trânsito, com um ‘abafa’ de campanha de conscientização. Em segundo lugar, tudo que é da legislação tem que ser cumprido. Terceiro, a estrutura que cabe à prefeitura – onda verde, faixas de pedestre, sinalização. Parte das multas será revertida para um banco de cadeiras de rodas, pernas mecânicas, ou seja, para ajudar as próprias vítimas. Quanto à malha, temos 600 km de ruas esburacadas, 60 km de ruas sem asfalto e 2/3 dos 1.300 km de estradas rurais estão deteriorados. Nos padrões convencionais precisaria de R$ 70 milhões para as vias urbanas. Em quatro anos, podemos fazer tranquilamente. Também queremos fazer as alças de todos os viadutos que estão inconclusos. Ações prioritárias tem que ser feitas na entrada do Cj. Jamile Dequech, na BR 369, em frente ao Grêmio e no cruzamento com a Duque de Caxias, e na entrada do Jd. São Lourenço e Pq. Ouro Branco.

Que ações tomará para inibir a corrupção no Executivo e no Legislativo – que foi alvo de um escândalo de grandes proporções em 2008?

BELINATI – Ao prefeito cabe a gestão, e os vereadores, como têm o objetivo, creio eu, de servir a população, não haverá dificuldade. Desde o primeiro dia nde mandato, será colocado na internet todo dinheiro que o contribuinte recolheu de impostos, as licitações e o movimento financeiro. Também vamos encaminhar dia a dia ao Ministério Público, as cópias de todas as licitações. Queremos fazer uma administração para marcar a história de Londrina.

HAULY – Todo projeto de lei terá publicização de 30 dias na imprensa local e no portal da prefeitura. Tudo será discutido antes, em consenso com a comunidade, e com participação da Câmara. As licitações serão por pregão eletrônico e haverá prestação de contas diária na internet. Além disso, teremos um telão na frente da prefeitura projetando toda as despesas e contratos – com discriminação de preço global e unitário.

Que medidas concretas pretende implantar para incentivar o crescimento econômico e a geração de empregos?

BELINATI – Temos muito a mostrar para os empresários: o aquífero, a telefonia, a medicina, as universidades, a cultura. Ir atrás de empresário é como pescar: pode ficar a noite toda e não pegar peixe, e de repente volta para casa satisfeito. Você dialoga com um, não deu certo, vai atrás de outro. Daí acaba atraindo investidores.

HAULY – Vamos completar a lei da micro empresa. Os governos federal e estadual já fizeram sua parte. A lei vai contemplar incentivos tecnológicos, preferência para as micro e pequenas nas compras governamentais, e redução de prazo para abertura de empresas. Queremos chegar a um dia apenas para abertura de empresas.

O sr. vai manter a atual lei de incentivo à cultura (PROMIC)? Há críticas de certos setores indicando que alguns projetos são beneficiados pelo viés político…

BELINATI – Vou ver com o pessoal da área se há algo a mais que deveria contemplar, ou que não deveria e está recebendo dinheiro público.

HAULY – Vamos discutir com o setor se há necessidade de mudanças. O conceito geral da lei é bom. Nosso objetivo é democratizar.

Qual o critério para ocupação de cargos comissionados em sua gestão? Há excesso na atual gestão?

BELINATI – Quando você traz uma montanha de políticos para te apoiar, automaticamente você está amarrado com o loteamento. Esses acordos todo mundo sabe como funcionam. No meu caso, como estou desvinculado dos grandes caciques da políticos, que gostoso fazer a campanha e saber que só depois da vitória é que vamos buscar na sociedade os nomes dos secretários.

HAULY – Aparentemente sim, mas gostaria de fazer um levantamento criterioso. Vamos buscar auxílio com institutos que prestam treinamento em gestão, discutir com os servidores e com a comunidade. Até agora os acordos políticos não influem porque não assumimos compromisso de ocupação de cargos. Evidente que numa composição de base, administrativa, pode haver, mas nada que venha a prejudicar o interesse público. Vamos escolher os melhores.

A Sercomtel será mantida como empresa pública? E os critérios para ocupação das diretorias – que têm os mais altos salários da administração local?

BELINATI – A Sercomtel é o cartão postal de Londrina, tem uma equipe competente que merece os nossos aplausos. Apenas, tem algumas dificuldades porque inundaram a empresa de carrapichos eleitorais, alguns ganhando mais de R$ 15 mil, com carro, telefone e mordomia. Nós vamos fazer uma limpeza nesses casos. Não temos propósito de negociar ações nem privatizar.

HAULY – Vamos transformá-la numa empresa regional, se possível estadual, com o governo do Estado. Os diretores que cabem à prefeitura, na maior parte, serão entregues aos próprios servidores, através de escolha de mérito. Não vamos vender ações, se possível, até recomprar. E dar o reconhecimento aos 30 mil acionistas por meio de minutos de ligações ou entrega de ações.

Quais seus projetos para a área ambiental?

BELINATI – Boa parte da nossa arborização está condenada e deve ser trocada. E nós vamos criar em várias regiões os chamados ‘bota fora’ – para as pessoas se desfazerem de sofás velho a entulhos de construção. Hoje, isso vai para os fundos de vale – que vamos recuperar. E partiremos com urgência para resolver um problema que não dá voto: o aterro sanitário.

HAULY – Temos muitos problemas, como o lixão, a proteção dos rios, dos fundos de vale, a qualidade da água, dos alimentos, poluição visual, a questão dos animais, das aves, temos que pensar num coletivo. A questão do corte de árvores (inclusive sadias) é uma questão para especialistas, não para leigos. Posso gostar de uma árvores e não saber se ela é boa ou não.

O sr. manterá as terceirizações realizadas na gestão do prefeito Nedson?

BELINATI – Não somos contra a terceirização, mas contra o dono da empresa botar muito dinheiro no bolso e criar um subemprego para o terceirizado que está ganhando muito pouco. Queremos repartir melhor esse pão. E trazer de volta as margaridas, de forma terceirizada.

HAULY – Em primeiro lugar manteria todas as terceirizações. Vamos rever os contrantos para ver a justeza do preço e dos salários dos servidores. E eficiência: meu objetivo é que os serviços tenham eficiência. Se o lucro dos empresários for exagerado, os contratos serão revistos.

Como encara as reivindicações salariais dos servidores?

BELINATI – Vou voltar com o sistema que sempre adotei nos 13 anos de prefeito. Todo mês eu dava a reposição salarial (da inflação). Com isso, a gente resolve uma parte do problema. As perdas nós vamos avaliar com os servidores: na primeira semana a gente analisa a situação de caixa e vê o que pode ser dado.

HAULY – Todos os servidores municipais têm uma defasagem salarial acumulada de 38%, mais a diferença desse ano. O compromisso é fazer a reposição de 1/4 (ou 9,5%) já no primeiro ano. Também queremos incorporar a cesta de alimentação para os aposentados e fazer uma administração interativa e participativa.

4 Comentários

  1. “política neoliberal de FHC x assistencialismo liberal de Lula”?

    Senhor Campana,

    Isso foi um escorregão ao redigir a matéria ou intencional?

    Se intencional, é até maldoso chamar o governo tucano de neoliberal e o governo petista de liberal – assistencialista, populista, vá lá.

    Vou repassar sua observação para o Fábio Cavazzoti, autor do texto que esta assinado. publiquei a matéria porque achei interessante ter no blog uma entrevista com os dois candidatos.

  2. Belinati Ganha essa com no mínimo 5% de vantagem sobre Hauly – quem viver – verá!!

  3. A crise envolvendo a corrupção na Câmara reavivou o Movimento do Pé Vermelho,como resgatou a memória da cassação em 2000 e junto com ela quem é o Belinati!

    Você vai sofrer a maior surpresa da sua vida com a esmagadora vitória do Hauly!

    Chega de janenismo!

  4. LONDRINENSE ATENTO Responder

    Muita gente vem apoiar o Hauly. Só cuidado para não trazerem o M. que está na Cohab da Prefeitura de Curitiba, o cara tá queimado por aqui. Gente que fala muito e pensa que os outros são bobos. Ele é que pensa que o mundo é dos que enganam. A Caixa conhece bem a tranqueira. O Beto foi enganado pelo “brimo” que indicou.

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