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Rossoni na liça

Azedou de vez o humor dos palacianos. Acabou o refresco. Valdir Rossoni volta ao comando das oposições na Assembléia Legislativa e isso é suficiente para provocar azia, dor de cabeça e má digestão nos governistas.

Acontece que Rossoni tem um estilo, digamos, mais contundente e adora examinar as iniciativas da turma de Requião que sempre são apresentadas com o verniz da boa ação.

É o caso dessa reforminha tributária que o governo inventou para fazer caixa em ano de costuras políticas que prepara o seguinte, o da grande eleição de 2010.

Requião enviou o aumento do ICMS da energia elétrica, da gasolina, da telefonia e de outros produtos e serviços escondido sob o glacê da redução de impostos de produtos considerados de primeiríssima necessidade. Pois o Rossoni retirou a cobertura e olhou o que havia por baixo.


Ora, pois, o que o Requião quer é um tarifaço para fornir o caixa e sair por aí a negociar com prefeitos recém eleitos a possibilidade de realizar obras em convênios e outros programas que podem render para ele, Requião, uma exposição ao lado de vitoriosos e a possível transfusão de votos para o seu balaio, que está vazio.

Como se vê, o deputado Valdir Rossoni, do PSDB que se recusa a negociar com Requião, não se deixa enganar. Ele anunciou que sua principal tarefa será combater a mini-reforma tributária, proposta pelo governador Requião.

“O governo está vendendo a idéia de que esta reforma vai diminuir impostos de produtos da cesta básica enquanto, na verdade, essa é uma maneira disfarçada para melhorar a arrecadação do Estado. Nada mais do que isso”, disse Rossoni.

Posições como essa deixam os palacianos de todas as extrações roxos de raiva. E não é só a turma do PMDB e do PT que defende o governador. Há gente de outros partidos que continuam no jogo duplo que Rossoni começa a estragar. Imaginem a bronca.

2 Comentários

  1. Sob o glacê, Fabio, o mundo é comédia:

    MUNDO É COMÉDIA

    Dez figas para vós, pois com furtado
    Consular nome vos chamais Prudência,
    Se, fazendo co’o Mundo conferência,
    Discursais, revolveis, e eis tudo errado!

    Quem vos vir, Apetite, disfarçado,
    Digno vos julgará de reverência;
    E a vós, ódio, por homem de consciência,
    Vendo-vos tão sesudo e tão pesado.

    Dois a dois, três a três e quatro a quatro,
    Entram, de flamas tácitas ardendo,
    Astutos Paladiões em simples Tróias.

    Quem enganas, ó Mundo, em teu teatro?
    A mi não, pelo menos, que estou vendo
    Dentro do vestuário estas tramóias.

    (* Obras Métricas, tomo II, p. 6)
    D. Francisco Manuel de Melo – Séc. XVII

    A tragédia vai ser o passivo milionário das ações judiciais do e contra o Estado sobre o pedágio, a maior aventura judicial já perpetrada por um governo numa causa perdida, até o momento também debaixo do glacê. As ditas autoridades de controle público, aliás, adoram glacê – quanto mais melhor, não se atrevem olhar por baixo, seus régios salários estão garantidos, o povo que se ferre.

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