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Mimo para empreiteiras adia votação da MP anticrise

A reação foi ácida ao relator da medida provisória 443, o deputado João Paulo Cunha, do PT, que incluiu no texto uma emenda que envenenou o ambiente que era de paz e harmonia entre governistas e oposição.

A MP 443 trata do socorro aos bancos. Autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar ações de instituições financeiras. De repente, não mais que de repente, João Paulo injetou no texto uma linha de crédito de R$ 3 bilhões para o capital de giro de empreiteiras contratadas para tocar obras do PAC.

É dinheiro do Tesouro Nacional, que João Paulo quer ver repassado aos empreiteiros por meio do BNDES. PSDB e DEM, que se dispunham a aprovar a medida provisória, recuaram imediatamente. A votação da medida provisória anticrise, a segunda baixada por Lula, teve de ser adiada para hoje.

Além do mimo para as construtoras, o parecer de João Paulo desagradou noutro ponto: o prazo de validade da medida provisória. A oposição pede a fixação de prazo para que o BB e a CEF comprem ações de bancos privados. João Paulo fixou um prazo que tucanos e ‘demos’ consideraram demasiado elástico: até 2011, com direito a prorrogação.

Na votação desta quarta, a oposição tentará mudar o texto de João Paulo. Não dispõe, porém, de votos. O governo é amplamente majoritário na Câmara.

Chama-se Henrique Eduardo Alves (RN) o autor da proposta da discórdia. Ele é líder do PMDB. Pendurara o mimo às empreiteiras na MP dos bancos há dias.

Curiosamente, em reuniões com líderes da oposição, o relator João Paulo concordara em excluir a esquisitice de seu relatório.

No plenário, porém, a emenda de Henrique Alves ressurgiu. Coisa improvisada, incorporada ao relatório orginal em texto manuscrito. No joelho, por assim dizer.

Mesmo no ministério da Fazenda a emenda companheira foi recebida com estranheza. As empreiteiras do PAC vêm recebendo do governo repasses mensais.

1 Comentário

  1. Rafael Filippin Responder

    É de estarrecer o poder das empreiteiras. Os maiores financiadores de campanha de Beto Richa e de Gleisi mandam no país. Fazem o que querem. O CNEC, do grupo Camargo Correia, por exemplo, adulterou o EIA/RIMA da usina de Mauá e, como “prêmio”, recebeu da COPEL e da ELETROSUL mais de 5 milhões de reais e, pior, conta com a ajuda das duas e também da ANEEL para não devolver o dinheiro que está sendo solicitado judicialmente. Chama a atenção também os números revelados ontem pela Gazeta do Povo. A maior emenda para o orçamento de 2009 que a bancada paranaense está negociando é para a construção da UHE Mauá… Será que a geração de energia é o principal problema do estado, a ponto de fazer com que a maior emenda seja para Mauá? Não temos problemas de abastecimento de água no interior? Não temos défcit habitacional na capital? Não precisamos de mais transporte (rodovias, pontes, metrô, aeroporto, porto)? O que é mais urgente? Definitivamente não é energia, já que o Paraná só consome 20% da eletricidade que já produz… UMA VERGONHA, senhores membros da bancada! Precisamos de dinheiro para outros serviços públicos e não para engordar o setor elétrico!

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