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Depois da “marolinha”, o “choque de realidade”

Josias de Souza, no Folha Online:

Em períodos de crise, é grande, muito grande, enorme a oferta de parola.

Infelizmente, a fantasia é invariavelmente conspurcada pelos fatos.

Passada a fase do lero-lero marqueteiro, o governo começa a cair em si.

O ministro Carlos Lupi (Trabalho), por exemplo, já prevê a corrosão do emprego.

“O primeiro trimestre [de 2009] será brabo”, diz o ministro.

Lupi está sendo otimista. A construção civil estima que a “brabeza” é coisa para já.

Ouça-se o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo:

“Notamos um aumento muito grande no número de demissões homologadas pelo sindicato desde a segunda semana de outubro”.

A entidade estima que algo como 100 mil trabalhadores conhecerão o olho da rua.

A Vale do Rio Doce já passou na lâmina 1.300 postos de trabalho.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos está na bica de engrossar as estatísticas.

Prevê que haverá uma “carnificina” na folha do setor depois das festas de fim de ano.

Também no setor automobilístico, prenuncia-se uma atmosfera de borrasca.

Nesta quinta (4), a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) participou de um debate com sindicalistas.

No alvorecer da crise, a presidenciável de Lula encorpou a “marolinha” do chefe com a tese marqueteira da “pequenininha gripe”.

Agora, ajusta o discurso à realidade. Diz: “Nós vamos tomar todas as medidas para evitar ao máximo o desemprego”.

A certa altura, espremida pelos companheiros da CUT, Dilma lembrou que a ação de Brasília tem limites:

“Não podemos baixar uma medida provisória dizendo: que fique o emprego como está. Se fosse assim, seria muito fácil”.

Avizinha-se um daqueles momentos em que a única coisa boa que os jornais vão informar é que a solução das palavras cruzadas sairá no dia seguinte.

Em períodos assim, o otimismo, quando exacerbado, soa como embuste ou delírio.

A primeira condição para alcançar um acordo que reduza os danos é falar o mesmo idioma.

8 Comentários

  1. Vigilante do prtão Responder

    A crise vai atrapalhar os planos do Lula. Até agora o governo do Pt deu toda a visibilidade possível para a Dilma, vejamos:
    Ela é qum gerencia o PAC, obras para cacifar a candidata, sendo que muitas delas vão ficar prontas exatamente em ano elitoral, certamente com festas de inauguração;
    O Lula tem colocado a ministra para dar boas notícias, desde a descoberta de petróleo até a recente ajuda aos desabrigados de Santa Catarina, a Dilma foi encarregada de anunciar as benesses;
    A crise está forçando a paralização de obras e o cancelamento de projetos, Lula anunciou que o PAC deve ser preservado;
    Na recente viagem à Roma, fora de hora, por sinal, a ministra, que é comunista, foi beijar a mão do Papa, apareceu na primeira página de todos vários jornais, inclusive da Folha. Era um dos problemas da candidata, pois todos sabem que comunistas não toleram religião, Marx chamava de “ópio do povo”.
    A “venus platinada” vai ajudar a tornar mais palatável a Sra. Roussef.

  2. Pesquisa Datafolha mostra que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é considerado ótimo ou bom por 70% dos brasileiros, maior aprovação de um presidente desde 1990, informa reportagem da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

    Nenhum presidente no Brasil desde a redemocratização atingiu esse patamar. O recorde anterior já pertencia ao próprio Lula: 64% o avaliavam positivamente em setembro. A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 28 de novembro.

    Segundo o levantamento, o presidente conta com a avaliação positiva da maioria da população em todos os segmentos socioeconômicos e regiões do país. Isso já ocorria no levantamento de setembro, mas agora Lula teve reforçado o apoio sobretudo entre os mais jovens (mais nove pontos), os mais escolarizados (mais nove) e no Sudeste (também mais nove pontos). O Nordeste segue como principal área de apoio a Lula: 81% o avaliam como ótimo ou bom.

  3. Que diferença faz o que o lula diz ou deixa de dizer? Quem leva a sério o que diz esse cara? Ele é só o palhaço do “circo para o povo”!!!

  4. E O “CUMPANHERO” LULALÁ TINHA DITO QUE A CRISE NÃO IA ATRAVESSAR O OCEANO!

    MAIS RECESSÃO, CRESCIMENTO PÍFIO E DESEMPREGO!

    A MAROLINHA SE TORNOU UM TSUNAMI!

  5. FERNANDES OLHA SO
    O Brasil é a única grande economia analisada no CLI (Indicador Composto Avançado, na sigla em inglês), divulgado nesta sexta-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que, segundo uma previsão da organização, não terá uma forte desaceleração de sua atividade econômica nos próximos seis meses.

    Para o Brasil, a OCDE prevê uma “leve desaceleração”. Já em relação à China, Índia e Rússia, as perspectivas de crescimento econômico para os próximos seis meses “se deterioraram consideravelmente” e esses países agora “devem enfrentar uma forte desaceleração”, segundo a organização.

    VAI TRABALHAR QUE NÃO TEM CRISE

  6. Luis, melhor não compreender o que lê, do que ser analfabeto, né?!

    A leve desaceleração é porque o Brasil já está desacelerado a muito tempo. Já os que estavam com um crescimento razoável vão começar a desacelerar.

  7. Luis

    A diferença é que enquanto nós estávamos crescendo igual a rabo de cavalo eles cresciam e se desenvolviam acumulando muito dinheiro.

    A recessão e os juros altos foram à constante na nossa realidade durante o governo Lulalá, que do ponto de vista da economia só foi bom para os banqueiros e para o latifúndio.

    A China em 2005 cresceu 9,8% e a Índia 7,5% e o nosso país somente 2,3%, e aqui nas Américas só ganhamos do Haiti.

    Em 2006 crescemos 2,9%, a China 10,4% e a Índia 9,2% e aqui nas Américas continuamos somente a frente do Haiti.

    A Índia em 2007 cresceu 9,2%, a China 11,4% e o Brasil apenas 5,4%, mais uma vez ficamos na rabeira.

    É normal que as economias pujantes da China e da índia perante o quadro da crise mundial venham desacelerar um pouco, mas se nós desacelerarmos um mínimo que seja iremos parar de vez

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