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Presidentes se encontram na Cúpula da América Latina e Caribe, na Bahia

Viviane Vaz no Correio Braziliense

Disputas internas que ameaçam a integração regional, afastam investimentos externos e contribuem com a escalada de tensão diplomática serão tema de conversa durante encontro de cúpula na Bahia

As disputas políticas entre os países sul-americanos estão afastando os investimentos e atrapalhando a integração. No centro das brigas entre os vizinhos, existe de tudo: demarcações de terra, acesso ao mar, energia… Segundo analistas, discursos populistas, estilos de governo avessos a críticas e a ambição por um poder eterno também alimentam os atritos regionais que ficarão explícitos nesta semana, durante o encontro de presidentes da região para a Cúpula da América Latina e Caribe, na Bahia.


Há, ainda, o choque ideológico entre uma América do Sul que se proclama “antiimperialista”, como é o caso dos atuais governos de Venezuela, Bolívia e Equador, e aqueles que querem alavancar sua economia por meio do estreitamento de vínculos com os Estados Unidos, como é o caso de Colômbia e Peru. Segundo o ex-vice-chanceler argentino Andrés Cisneros, os três países “bolivarianos” e a Argentina “não encontram um destino no mundo e seus governos cultivam a cultura de buscar um culpado, sempre alguém de fora”.
Como a maior economia sul-americana, o Brasil está e já esteve no centro de muitas pelejas no subcontinente. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alertou na semana passada para a importância de se respeitar os mecanismos de crédito existentes na América do Sul. As declarações foram feitas em referência a países como o Equador, que estuda o não pagamento da dívida junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contraída para a construção da usina hidrelétrica de San Francisco.
Neste ano, conflitos entre a oposição e o governo do presidente boliviano, Evo Morales, ameaçaram os investimentos da Petrobras no país e o envio de gás ao mercado brasileiro. Com o Paraguai, existe o histórico desentendimento sobre a usina binacional de Itaipu: os paraguaios tentam aumentar o valor recebido por cederem ao Brasil sua cota de energia elétrica e tentam reduzir a dívida contraída com a obra. Outro grande problema é a questão fundiária — muitos brasileiros possuem terras e cultivam no Paraguai, onde o presidente Fernando Lugo ainda estuda uma estratégia para a reforma agrária.

Cicatrizes
Na Bahia, Luiz Inácio Lula da Silva terá uma reunião bilateral com o líder equatoriano, Rafael Correa, na tentativa de chegar a um acordo sobre o financiamento do BNDES. Lula demonstrou muita irritação pelo fato de o anúncio do questionamento da dívida ter sido feito em público, sem uma consulta prévia ao Planalto. O tema foi levado por Correa à Câmara Internacional de Comércio, em Paris. É possível que, nesta semana, os dois países cheguem a um acordo provisório para a rolagem da dívida.
Outro que deseja ter uma conversa particular com Lula é o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ávido por resolver o impasse sobre Itaipu até a agosto de 2009, quando completará um ano de poder. O brasileiro tenta evitar o tema, atualmente em debate em uma comissão binacional técnica e política. Para o Brasil, a renegociação do tratado de Itaipu é impossível, e o chanceler Celso Amorim defende outros mecanismos de redução das assimetrias no processo de desenvolvimento do vizinho.
O Itamaraty garante que, diante das pressões, saberá adotar políticas justas para a região. “Não podemos querer ter uma política de Big Stick na região. O Brasil não pode ter a política de Teddy Roosevelt (Theodore Roosevelt, ex-presidente dos EUA). Se nós fôssemos ter alguma política, seria para ter a do segundo Roosevelt, a política da boa vizinhança”, ponderou Amorim, lembrando que a boa vizinhança não se trata de excesso de generosidade, mas uma maneira “calibrada” de defender interesses nacionais.

ANALFABETISMO ZERO
A Bolívia se tornou ontem o terceiro país latino-americano a erradicar o analfabetismo, ao lado de Cuba e Venezuela. Com a ajuda do programa cubano “Sim, eu posso”, 820 mil bolivianos aprenderam a ler e escrever desde 2006. Segundo o presidente Evo Morales, o objetivo agora é ajudar o Paraguai com o mesmo projeto.

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