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Exportações já sentem retração, afirma ministro

Da Folha de São Paulo:

A crise, de uma forma ou de outra, está batendo no Brasil e atinge, principalmente, os produtos que dependem de exportação, segundo Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura.Haverá perda dos preços no mercado internacional, devido à valorização do dólar, mas a queda do real poderá gerar renda maior.

“Que vamos ter alguma diminuição nas exportações, não há nenhuma dúvida, mas estimativas são difíceis.” Alguns produtos, no entanto, já estão com o cenário comprometido, na avaliação de Stephanes. Um deles é o algodão, produto que vem com problemas no mercado externo há dois anos.

A carne suína, com demanda menor, também está na lista. Já as exportações brasileiras de frango, que recuam em alguns países, poderão ser compensadas pela entrada da China, enquanto o mercado de carne bovina vai se manter razoável.

O mercado mundial de soja deve manter, em 2009, as mesmas condições de demanda deste ano, mas haverá um retardamento nas compras porque ninguém quer carregar estoques.

2009

Stephanes não se arrisca a fazer uma previsão para 2009, mas, como ministro, diz que tem de ser otimista. “O cenário do próximo ano vai depender muito do que ocorrer na comercialização da safra e de uma pergunta crucial: “A crise mundial se aprofunda?”. Caso não, e voltar um pouco a confiança, o produtor pode continuar plantando. Caso contrário, vai se retrair ou usar menos tecnologia no plantio”, diz.

Apesar dos problemas de 2008, Stephanes destaca alguns pontos positivos. Entre eles, o plantio de 98% da área destinada aos grãos e uma utilização de pelo menos 90% do uso tradicional de tecnologia nesse plantio.

Sobre as renegociações, o ministro diz que esse é um processo de endividamento de 20 a 30 anos. Tem origem e razões. À medida que não se tratou dessas questões, acabou se jogando o problema para a frente.

A última reestruturação foi bem-feita, segundo ele. Só que foi feita dentro de um cenário de otimismo em relação ao futuro da agricultura. Mercado bom, preços bons e previsões boas. “Só que isso ruiu e evidentemente essa reestruturação possivelmente não vai resolver.”
Na avaliação do ministro, não é mais possível a manutenção desse modelo. Em dois ou três meses, um grupo apresentará caminhos diferentes do atual. “Ainda não tenho sinais do que possam ser essas indicações”, diz ele.

Estoques

Stephanes endossa a discussão atual de que os governos ricos deveriam aumentar os estoques de grãos para dar sustentação aos produtores e incentivos à produção. “Quando o mundo retornar a uma condição melhor, vai necessitar de alimentos.”

“Muitos países vão incorporar vastas populações ao consumo, como China, Índia, Rússia, Malásia e Brasil. Esse é o momento para uma recomposição desses estoques, o que manteria, inclusive, os preços das commodities agrícolas.”

Apesar de baixos, ninguém quer carregar esses estoques. “Neste momento, todos querem dinheiro e não produto.”

Na avaliação do ministro, a médio e longo prazos, o mundo vai continuar comendo mais, porque as pessoas estão vivendo mais tempo, e o mundo vai continuar crescendo.

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