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Para a Fazenda, o crescimento volta só no final de 2009

De Josias de Souza, na Folha Online:

Escorado em projeções feitas pela equipe do ministério da Fazenda, o governo estima que a economia brasileira retomará a curva de crescimento no final de 2009.

Pelas projeções da Fazenda, repassadas a Lula, o Brasil vai conviver, no primeiro trimestre do ano, com uma espécie de chuva de canivetes.Colecionará indicadores econômicos amargos. O segundo trimestre seria menos pior do que o primeiro.

E a situação começaria a melhorar de forma visível a partir de julho, no início do terceiro trimestre.Tomado pelas previsões do mercado, o PIB brasileiro será miúdo em 2009: algo como 2%. Visto pelas lentes da equipe de Guido Mantega, chegará aos 4%.

O argumento oficial é o de que o pessimismo do mercado desconsidera o ânimo do governo no gerenciamento da crise.

Diz-se que Brasília não está e não ficará inerte. Longe disso. Agirá com a energia que o cenário exige. Daí a aposta de que o trem voltará aos trilhos no final do ano.

Acredita-se que, somando-se o desempenho de outubro, novembro e dezembro, o PIB do último trimestre de 2009 pode alçar a casa dos 6%.

Algo que compensaria os indicadores minguados dos primeiros meses do ano. E confirmaria os 4% de crescimento anual pretendidos pelo governo.

No curtíssimo prazo, são três as iniciativas que o governo pretende adotar para romper o pessimismo supostamente exacerbado:

1. Juros: Haverá, segundo a equipe da Fazenda, um abrandamento da política monetária.

Alega-se que os efeitos inflacionários da alta do dólar foram compesados pela queda do nível de atividade da economia e pela redução nos preços das comoddities.

Por isso o Copom teria reduzido em um ponto percentual a taxa Selic, que foi de 13,75% para 12,75%. Diz-se que novas quedas estão por vir.

2. Investimentos: O governo planeja tonificar os investimentos em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Vai-se privilegiar as obras que estão em estágio mais avançado. Sobretudo as que se referem a projetos de infra-estrutra;

3. Habitação: Anuncia-se para a semana que vem a divulgação de um ambicioso plano de estímulo a projetos de construção de casas populares.

Fala-se em prover financiamento para algo como 900 mil a 1 milhão de residências até o final de 2009.

Lula traz um olho na economia e outro na política. Quer eleger Dilma Rousseff em 2010. Sabe que o agravamento da crise serve ao projeto do tucano José Serra.

Serra é, hoje, o candidato mais bem-posto nas pesquisas. Decidido a converter Dilma numa presidenciável competitiva, Lula agarra-se às previsões da Fazenda.

Com toda a razão, o presidente acha que o êxito de seu projeto político está condicionado à capacidade do governo de responder adequadamente à crise.

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