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Confiança do consumidor desaba e Obama tenta passar otimismo

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Do Estadão

No mesmo dia em que um instituto de pesquisa informou que a confiança do consumidor nos Estados Unidos está no nível mais baixo desde que começou a ser medida, em 1967, o presidente Barack Obama tentou passar uma mensagem de otimismo aos cidadãos.

Na primeira aparição no Congresso desde que assumiu o cargo, em 20 de janeiro, Obama reconheceu que a economia “está debilitada” e a confiança dos americanos, abalada. “Vivemos tempos difíceis e inseguros, mas, nesta noite, quero que todos os americanos saibam o seguinte: vamos nos reconstruir, vamos nos restabelecer. Os EUA sairão mais fortalecidos”, afirmou, durante discurso a deputados e senadores.

Os EUA vivem a mais grave crise econômica desde o pós-guerra. Obama anunciou três planos para tentar tirar o país dessa situação. O primeiro, de quase US$ 800 bilhões, é voltado para a economia “real” e prevê forte investimento público. O segundo, que pode chegar a US$ 2 trilhões, tem como objetivo resgatar o sistema financeiro. O terceiro, com orçamento de US$ 75 bilhões, será destinado a mutuários com dificuldades em honrar suas hipotecas.

O plano para o setor financeiro ainda não convenceu investidores. Muitos analistas, como o Prêmio Nobel Paul Krugman, acreditam que o governo não terá outra saída senão estatizar temporariamente as instituições com problemas, entre elas o Bank of America (BofA) e o Citigroup, os dois maiores do país. As autoridades vêm negando essa hipótese, o que, para alguns observadores, só atrasará a recuperação.

Obama frisou, no discurso, que o pacote para o setor financeiro não significa ajudar os bancos, mas a população. Segundo ele, a economia precisa da retomada do crédito para se recuperar. Para isso, pediu ao Congresso que aprove rapidamente um projeto do governo que reforma a regulação financeira.

Para Obama, “a hora da verdade” chegou para os americanos. “Este é o momento em que devemos assumir o controle de nosso futuro”, disse.

O presidente americano também deixou claro que continuará apoiando a indústria automotiva, mas salientou que o governo exigirá que o setor se modernize.

FUTURO INCERTO

O instituto privado Conference Board anunciou ontem que o indicador de confiança nos EUA caiu para 25 pontos este mês, ante 37,4 pontos em janeiro. Foi o pior resultado da série histórica do indicador, que começou a ser apurado em 1967.

“De modo geral, os consumidores não somente sentem que as condições da economia pioraram, como não esperam nenhuma melhora na situação nos próximos seis meses”, disse Lynn Franco, diretora do instituto.

Apesar de o quadro da economia dos EUA ser considerado muito grave, a forte queda surpreendeu o mercado. Analistas esperavam um índice em torno de 35 pontos para fevereiro. Para se ter uma ideia do tamanho do tombo, em fevereiro do ano passado, o nível era de 76,4 pontos. A pesquisa é vista como um indicador chave dos gastos futuros.

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