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Mundo já vive a Grande Recessão

crise-2008De Natalia Pacheco no Jornal do Brasil

Economistas preveem retomada da economia só em 2012, com a eliminação de ativos tóxicos

Se havia alguma expectativa de recuperação mundial no segundo semestre deste ano, as duas últimas semanas praticamente jogaram uma pá de cal nas esperanças de economistas e CEOs de empresas. E o pior: o setor produtivo terá que esperar pelo menos dois a três anos para voltar a viver dias promissores. Afinal, para os especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil, o mundo está mergulhado no que já foi batizado de A Grande Recessão – a pior crise desde a década de 30. Para sair dela, advertem, só mesmo com a estatização de bancos ou a compra dos chamados papéis podres das instituições financeiras. Mesmo que tudo isso seja feito, o pesadelo só deve passar só em 2012.

O diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, previu na semana passada que o Produto Interno Bruto (PIB) global deve ficar entre 0,5% e uma variação negativa. Na quinta-feira, foi a vez do presidente do Banco Mundial (Bird), Roberto Zoellick, dar a sua pitada de mau agouro: em 2009, previu, a retração da economia mundial chegará a 2%. As previsões não pegaram de surpresa os especialistas ouvidos pelo JB.

A chave está nos bancos

O professor de Economia e presidente do Instituto Desemprego Zero, José Carlos de Assis, acredita que o mundo só vai sair da crise quando os vários pacotes de socorro já lançados pelos países forem coordenados. Só aí, projeta Assis, a roda da economia vai voltar a girar.

Otimista, prevê que isso deverá começar no próximo ano. Aliás, para o economista, 2010 será melhor que este ano, mas a recuperação das indústrias, dos bancos, do mercado financeiro, das empresas e do emprego só virão mesmo em 2011.

– Já vivemos uma forte retração neste ano. Em 2010 não vamos crescer, mas também não vamos cair. O início da recuperação se dará em 2011 – disse. – As medidas adotadas até agora estão muito concentradas. Será necessário um “New Deal” mundial. Aliás, será a primeira vez na história do mundo que a cooperação será o imperativo para a superação.

Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a recomposição das perdas das riquezas, que até agora já somam US$ 10 trilhões, demandará três anos. A solução para a crise é desvendar o problema dos bancos, diagnostica Freitas. O problema, lamenta, é que o problema ainda está longe de ser solucionado.

– Enquanto o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, não definir o que vai fazer com os ativos podres, a economia ficará estagnada. O segredo está aí. E ainda há muita coisa por trás disso.

O economista diz que a recessão não chegou aos números desastrosos da Grande Depressão dos anos 30 por causa da habilidade dos bancos centrais.

– Os BCs agiram corretamente – reconheceu Freitas. – Cortaram os juros ao limite e os governos lançaram programas fiscais. Eles aprenderam com as crises anteriores, mas ainda falta mais firmeza no caso dos bancos.

Dívidas de 30 anos

Para o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Júlio Gomes de Almeida, a forte dívida do setor público vão se converter em “esqueletos” de 30 anos.

– O Brasil paga hoje dívidas dos anos 70 e isso vai acontecer no mundo inteiro porque o crédito ficará muito mais caro. A escassez de financiamentos vai continuar porque haverá uma maior regulação nesse setor – ressaltou Almeida.

Só para se ter uma idéia, um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que o débito do Japão, que já é o maior entre as grandes economias, vai alcançar 225% do PIB japonês em 2010. As dívidas dos países ricos vão passar de 83,3% do PIB mundial em 2008 pra quase 100% em 2010.

Mas os países estão com pressa em resolver o drama atual: a crise. O endividamento público será pensado mais tarde, mas os governos vão adotar velhas medidas, segundo o professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antônio Corrêa de Lacerda.

– Os bancos centrais vão tentar combater a inflação, causada pelo endividamento, através da elevação dos juros e ajustes fiscais. Não terá muito jeito – disse Lacerda.

4 Comentários

  1. Vigilante do Portão Responder

    EXTRA, EXTRA, Lula e Obama vão assinar acordo de cooperação sobre a crise econômica. Requião foi convidado para dirigir o novo departamento, está, nesse momento viajando, às pressas para os EUA.
    Um cara que patrocinou o “maior encontro” para achar soluções para a crise mundial, não poderia deixar de ser propatogonista da nova empreitada da parceria Brasil/EUA. Rsrsrsrsrs.
    Enquanto isso, na Venezuela, o grande democrata Hugo Chávez, mandou o exército tomar todos os portos e aeroportos. Pelo menos uma notícia boa, o Mano Eduardo está salvo, vai ser o diretor dos portos da Venezuela. O melhor administrador de portos do mundo não pode ficar fora dessa. Quem sabe, com uma ajudazinha não dá para encaixar o Maurício, ele poderia cuidar dos aeroportos. KKKKK

  2. FÁBIO.

    E OS CULPADOS POR ESTE MEGA GOLPE MUNDIAL , NÃO VÃO PRESOS ?

    ATÉ AGORA SÓ VÍ UM PRESO NOS ESTADOS UNIDOS, AQUELE MALANDRÃO DE GRAVATA DE OURO, CHEFÃO DA BOLSDA “NASDAK” DE NOVA IORQUE, DE DEU UM MEGA GOLPE DE U$ 50 BILHÕES, SÓ.

    LINEU TOMASS.

  3. Orgasmo de Rotterdam Responder

    Se algo construtivo deve emergir da crise, então que seja, antes de mias nada, uma radical renovação da matriz enegética nos veículos automotores – não, não se trata de fazer apologia da meia-solução dos bio-combustíveis – e sim de algo mais profundo: alta tecnologia também na indústria automobolística – para exemplicar: a telefonia evoluiu bastande desde que Bell apresentou a novidade na exposição da Filadélfia em 1876, não? Tanto que , aliada ao computador, tornaram obsoletas coisas como a máquina de escrever, o correio porta a porta, e a imprensa periódica – e a questão do automóvel – em 1886 surgiu o motor a explosão, quee em pouco tempo aposentou o cavalo e iniciou uma desesperada busca, extração, refino, distribuição e consumo de combustíveis líquidos (sejam de origem fóssil, ou vegetal, não interessa, não é este o ponto) – será que não chegou definitivamente a hora e a vez dos motores inteligentes? Deixo a pergunta no ar

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