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Lula chama PMDB
para conter rebelião

* Partido está em pé de guerra contra reforma na Infraero
* Governo deve rever a demissão de parentes dos líderes

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De Josias de Souza, na Folha Online

Uma reunião de emergência quebrou a rotina do Planalto na noite passada. Lula chamou ao seu gabinete a caciquia do partido no Congresso. Queria entender por que o PMDB, dono de seis ministérios, anda tão emburrado.

O maior partido do consórcio governista passou a difundir uma ameaça de rebelião. Súbito, voltou ao noticiário no seu velho e bom estilo. Pela enésima vez, o PMDB passou a pleitear, a pedir a querer… mais cargos.

Em conversa com um auxiliar, Lula mostrou-se irritado: “O que quer essa gente?” Nos subterrâneos, o PMDB pleiteia o cargo de José Múcio (Coordenação Política). Pede uma cadeira nas reuniões da coordenação de governo. Diz que quer ser ouvido na definição das políticas de governo.

Sob o atacadão de solicitações esconde-se o verdadeiro alvo do PMDB. O partido mira, na verdade, o varejo de cargos da Infraero. Pegou em lanças contra uma reforma moralizadora feita na estatal.

Deve-se a irritação do PMDB a providências adotadas por um militar. Chama-se Cleonilson Nicácio Silva. É tenente-brigadeiro-do-ar.Assumiu a presidência da Infraero em dezembro de 2008. Está prestes a deixar a estatal. Vai retornar à Aeronáutica.

Antes, reformou o estatuto da Infraero. Pôs fim a uma farra. A farra que submetera a estatal aeroportuária ao baixo mercado político. Das cinco diretorias da Infraero, quatro passaram às mãos de pessoal de carreira.
Os 109 cargos comissionados –preenchidos sem concurso—foram reduzidos a 12. Foram mandadas ao olho da rua 28 pessoas que haviam entrado pela janela.

Incluíram-se no rol de demitidos: Mônica Azambuja, Oscar Jucá e Taciana Canavarro. Mônica é ex-mulher do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Oscar e Taciana são, respectivamente, irmão e cunhada de Romero Jucá (RR), líder de Lula no Senado. A resposta à pergunta de Lula –“O que quer essa gente?”—foi insinuada na reunião noturna. “Essa gente” quer a revisão das demissões da Infraero. E Lula deve atender.

Depois da reunião, já se insinuava no Planalto que o afastamento da parentela fora “suspenso”. O tenente-brigadeiro Cleonilson está na bica de ser desautorizado. Aventurou-se a fazer a coisa certa. E deve ser instado a dar meia-volta. Curiosamente, Cleonilson agira com o assentimento de Nelson Jobim (PMDB).

Militar disciplinado, ele não dera um passo sem ouvir o ministro da Defesa, seu chefe. Imaginou que, consultando-se com Jobim, vacinava-se contra o PMDB. Ingenuidade. O partido entregou-se à sua especialidade: pleitear, pedir, reivindicar…

Se desatendido, ameaça votar contra o governo no Congresso. Pior. Leva à corda bamba as negociações em torno da candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Tudo isso por conta de uma tentativa de moralizar a Infraero, cuja reputação deslizou em escândalos que mal saíram da pista.

5 Comentários

  1. O senador Jarbas Vasconcelos tinha razão quando deu aquela entrevista histórica e devastadora. No PMDB a voracidade por cargos e outras benesses campeia, e não é de hoje. O gente insaciável, não?

  2. Seis Ministérios é uma miséria. Existem 30! Com a representatividade do PMDB em todo o país mereciam bem mais.
    Isso de acordo com a democracia representativa. Moralmente, já não sei de nada.
    (Com certeza é melhor que o PT, independente de qualquer coisa).

  3. depois algumas pessas falam que o senador Vasconcelos não tinha razão…esse PMDB é fogo..

  4. O PT sozinho não tem poder nenhum , o Lula e os mensaleiros estão preocupados por que sabem que a quadrilha só tem mais um ano, e suas pretensões começam a ruir! Começando pela Dilma!

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