Uncategorized

Quércia fecha com Serra e põe Requião no pacote

20060829-quercia1
De Sérgio Pardellas na ISTO É

Até os petistas mais cautelosos davam como favas contadas o apoio do velho aliado de Lula no PMDB, o governador do Paraná, Roberto Requião, à candidata do presidente à sucessão de 2010. Mas um encontro no dia 6 de abril, em São Paulo, entre caciques do PMDB paulista e paranaense, selou a reviravolta. Hoje, Requião está mais próximo de fechar uma aliança com um dos pré-candidatos tucanos ao governo do Paraná, o senador Álvaro Dias ou o prefeito curitibano Beto Richa. E, com isso, abrir um palanque forte para José Serra ou Aécio Neves no ano que vem. “Agora existe a possibilidade de um acordo com o PSDB, já que o PT está com Osmar Dias, nosso adversário aqui”, admitiu Waldyr Pugliese, presidente do diretório paranaense do PMDB. Nessa negociação, a peça-chave foi o ex-governador Orestes Quércia. “Ele foi fundamental na aproximação do Requião com o Serra”, atesta Pugliese.

O caso do Paraná não é isolado. Presidente do PMDB paulista, Quércia tornou-se um dos principais articuladores da campanha de Serra à Presidência. Ele joga combinado com Serra desde o apoio do PMDB à reeleição de Gilberto Kassab (DEM). A aliança em 2010 é fundamental para Quércia se eleger senador. Uma participação mais decisiva de Quércia nas costuras regionais, sobretudo com o PMDB , foi acertada num jantar na casa de Kassab no início de abril.

Estiveram no encontro, além de Quércia, o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, o ex-senador Jorge Bornhausen e os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra, e do PPS, Robertopercorrido o País na tentativa de desatar os nós que impediam PMDB e PSDB de se coligarem nos Estados. Obteve resultados. Além do Paraná, o ex-governador deixou bem encaminhados acordos em Santa Catarina, Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, na Bahia e no Rio Grande do Norte. Em pelo menos outros dez Estados, a aliança já é dada como certa. “Hoje o Quércia é o nome mais autorizado para falar sobre a aliança tucana com o PMDB “, reconhece Guerra.

No dia 22 de abril, ele esteve em Brasília e pediu a interlocutores de Lula, como José Sarney, Renan Calheiros e Michel Temer, que não fechassem uma aliança formal com o PT em 2010. “Me dêem um voto de confiança. Se formalizarmos com o PT, podemos ter prejuízo nos Estados”, argumentou. Para convencer o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, a se unir ao PSDB, Quércia não foi menos incisivo. “É um equívoco político ficar a reboque de Jaques Wagner”, disse. Geddel ainda não bateu o martelo, mas a avaliação é de que, se Paulo Souto (DEM) não for candidato, o PSDB fechará com o PMDB.

No Rio Grande do Sul, está quase tudo certo para que José Fogaça (PMDB), prefeito de Porto Alegre, seja o candidato da chapa PMDBPSDB. Pelo acordo, a governadora tucana Yeda Crusius, desgastada com denúncias, abrirá mão da reeleição. No Rio Grande do Norte, o senador Garibaldi Alves (PMDB) havia rompido com José Agripino (DEM) até a entrada de Quércia em campo.

Agora, admite apoiar a candidatura ao governo da senadora Rosalba Ciarlini (DEM). Ou seja, mais um palanque para Serra. Por ironia, o PSDB, que hoje Quércia ajuda, nasceu de uma dissidência do PMDB. Mas as conveniências políticas os reaproximaram e o novo casamento está em curso, pelo menos até que outra eleição os separe.

De olho no Senado Federal, o ex-governador Orestes Quércia está disposto a esquecer o passado. Na quarta-feira 20, ele recebeu ISTOÉ para falar como tem sido sua convivência com os antigos desafetos do PSDB e sobre sua estratégia para atrair o PMDB para a candidatura de José Serra.

ISTOÉ – O sr. é o grande articulador político do governador José Serra?
QUÉRCIA – Não sou o grande articulador. Tomamos uma decisão no PMDB de São Paulo de não seguir esse processo que acontece em nível nacional que é de apoio a um candidato. O PMDB apoia o governo, mas não tem o compromisso de apoiar uma candidatura. Existe um movimento dentro do PMDB, e é forte, de apoiar uma alternativa que não seja do PT. São as pessoas que gostariam que o PMDB tivesse candidato próprio, o que hoje é difícil.

“Respeito muito o Aécio, mas o quadro hoje é favorável ao Serra”

ISTOÉ – Por que, se o PMDB apoia o governo, não apoiaria o candidato do governo?
QUÉRCIA – Porque seria ruim para o País a continuidade do projeto do PT. No nosso ponto de vista, o governo perdeu a oportunidade de fazer o País começar a crescer de fato. O PT sairá do governo sem nada, sem obras, sem aprovar os projetos fundamentais da legislação trabalhista, da reforma política, da reforma previdenciária. Então, nós achamos que é preciso mudar e a opção que se tem é o Serra. Sempre fui contra o PT.

Sérgio Pardellas

ISTOÉ – Como tem sido essa convivência com os tucanos?
QUÉRCIA – Tudo bem. No passado, nós estávamos todos juntos no MDB. Houve problemas, houve separação. Acho que houve uma classificação assim muito de dizer que “saíram por causa do Quércia”. Tudo bem. Deve ter sido. O Mário Covas não queria sair.

Custou a sair. Mas assumi o governo e se imaginou que eu teria uma força para dominar o partido. E tive. Foi um processo político. Sempre me dei bem com o Serra, com o Fernando Henrique [Cardoso].

ISTOÉ – O que é “se dar bem”?
QUÉRCIA – Se dar bem. Socialmente. Nunca há nada pessoal. Por isso estamos trabalhando para o PMDB apoiar o Serra em nível nacional.

ISTOÉ – Qual a chance de o PMDB surpreender, desta vez, e ficar unido?
QUÉRCIA – Temos um quadro positivo. A dificuldade é a área parlamentar, que depende muito do governo. É difícil para eles anunciar, fazer mudanças agora. Na Bahia, tenho conversado com o Geddel [Vieira Lima, ministro da Integração Regional]. Ele não é uma liderança da Bahia, ele é a grande liderança da Bahia. Então, qual a alternativa do Geddel? É ser candidato a governador.

Ele vai concorrer com o PT. Ele não pode perder essa oportunidade. Existe a oportunidade de o Democratas apoiar o Geddel. Como o próprio Jader [Barbalho]. Ele não se dá bem com a governadora do PT [Ana Júlia Carepa]. As circunstâncias podem ajudar bastante. Tenho conversado também com o [Roberto] Requião. Se o PMDB tivesse condições de lançar um candidato a presidente, seria o Requião. Em Santa Catarina, o Luiz Henrique também tem feito um governo extraordinário. Mas hoje é difícil os governadores tomarem uma decisão.

ISTOÉ – E em Minas Gerais? QUÉRCIA – Em Minas, o adversário principal do Hélio Costa [ministro das Comunicações e candidato ao governo em 2010] é do PT. ISTOÉ – E se o PSDB escolher o governador mineiro Aécio Neves? Todas as articulações são só para o Serra? QUÉRCIA – Se for Aécio, vamos precisar reformular. São conversas para o Serra. Mas, se ele apoiar o Aécio, nós estaremos com o Serra, apoiando o Aécio. Eu respeito muito o Aécio, mas acho que o quadro hoje é favorável ao Serra. Ele está melhor nas pesquisas.

ISTOÉ – Como o sr. avalia o fator doença para a candidatura da ministra Dilma Rousseff? QUÉRCIA – Estamos torcendo para que ela supere. Eu tive câncer na próstata. Resolvido o problema, como acho que ela vai resolver, não tem mais problema nenhum. Acho que não prejudica a campanha dela. Até ajuda.

O Lula tem sido hábil na condução. O Lula é hábil em tudo, menos em governar o País.

ISTOÉ – Qual a principal resistência ao nome de Serra no PMDB?
QUÉRCIA – Olha, não tenho sentido nenhuma resistência ao nome do Serra, não. Todos no PMDB são amigos do Serra. O Serra votou no Jader [Barbalho] para presidente do Senado. O Geddel é amigo do Serra. O Requião também. O Jarbas [Vasconcelos], o Íris [Resende]. ISTOÉ – O sr. tem falado com o Aécio? QUÉRCIA – Não. Nos encontramos numa feira de gado em Uberaba, mas não falamos sobre política.

ISTOÉ – No Rio de Janeiro, como está a situação?
QUÉRCIA – O governador [Sérgio Cabral] está com o PT, mas temos no Rio muita gente que pode apoiar o Serra.

ISTOÉ – Quem?
QUÉRCIA – (rindo) Muita gente. Gente nossa. Posso dizer que tem.

ISTOÉ – O sr. passou por um grande desgaste de imagem. Qual a sua imagem política?
QUÉRCIA – É boa. Meu governo é muito bem avaliado. Foi o governo que mais fez metrô. Fez estradas.

ISTOÉ – O sr. não teme receber a mesma crítica feita ao PSDB, por exemplo, sobre os pedágios? QUÉRCIA – Nunca fiz pedágio. Fiz estrada sem pedágio. Mas já disse para o pessoal de marketing que nós vamos fazer campanha preocupados com o futuro, não com o passado.

27 Comentários

  1. Eu imagino como será o Beto Richa candidato a governador… do lado direito o Jaime Lerner, do lado esquerdo o Roberto Requião… e adeus prefeitura, adeus governo do Estado…

  2. Se o PSDB fechar com o PMDB no Paraná, o atual governador irá transferir toda a sua rejeição, que não é baixa (vide eleições municipais de 2008).

    Será ainda pior se o candidato do PSDB for Beto Richa, que possui um eleitorado que abobina o governador.

    Quem ganha com isso é o PT e o Osmar Dias, seria uma eleição de rejeição, tal qual elegeu o Sen. Flávio Arns.

    Mas caso se confirme a aliança, o único candidato que o PSDB poderia lançar seria o Álvaro, com a renúncia do Rossoni da presidência estadual do partido.

    A única escapatória de todos os grupos envolvidos e o fim do Requião é a manutenção da aliança em torno da candidatura do Osmar, mas parece que se está indo no caminho inverso disso.

    Frese-se: No Paraná o PMDB é apenas rejeição, nada soma a nenhuma candidatura, nem a do Serra.

  3. Tanto faz PT, PMDB, PSOL, PV, PSDB e etc e tal, o que eu quero é furunfar!!!!
    O poder é o que interessa, e claro, suas benesses. Quem se interessa, candidato ou eleitor, em governar por um bem maior? Utopia de alguns, ignorância de outros e descaramento de muitos. Como diz o Nego Pessoa, qual a diferença do Fidel e do Pinochet? A HIPOCRISIA E A INCOPETÊNCIA!

  4. É, André, não dá para aceitar, muito menos entender. O fato do Quércia se bandear para o lado do Serra naõ chega a surpreender, mas a tentativa do Requião se aproximar do Richa é preopucante se o Richa aceitar. Particularmente, acho e torço para que o Beto não caia nessa arapuca. Ele sabe muito bem porque e mais: não precisa do apoio desse “coroné”. Não carece de explicação…

  5. O Requião é raposa política mesmo, está fazendo jus a sua antiga declaração que fazia aliança até com o diabo para ganhar as eleições. Veja só as alianças pelo país afora que o Quércia mencionou, é o supra-sumo do caudilhismo, atraso e conservadorismo que dominou o país por muito tempo e fez um mal danado. Só ver os nomes para perceber que canoa furada está embarcando o “Reiquião” e o PMDB como um todo que agora está demonstrando ser um partido completamente sem identificação ideológica ou sem compromisso com a Nação, mas apenas e tão somente com sua manutenção no Poder, seja ela qual for, tenha ele qual projeto tiver, o importante é manter as benesses de ser assecla do Poder. Pela entrevista fica claro isto, com rara e louvável exceção que é digna de citação e me parece um homem de honra e valor, que é o Governador Sérgio Cabral, mostrando lealdade não apenas ao Lula, mas principalmente a uma visão de projeto para o país e a Nação. O MDB véio de guerra, como dizem alguns, ligado a lideranças obsoletas e com visões de mundo de meados do século passado, como o Quércia, parece mais uma biruta que toma a direção que vento tocar, sem projeto próprio ou identificação ideológica. Uma pena, um belo partido, com grandes conquistas, porém sem face.

  6. Parafraseando o tiozão que já tá fazendo hora extra na política paranaense: “Faço aliança até com o diabo, se for necessario”.

  7. Será que o Richa (ou o Álvaro) se submeterão a uma aliança com o “Ralo” (“por onde escoa a popularidade de qualquer político” – Veja).

  8. ATÉ QUANDO ? ? ? ? CHEGA !!!
    ORÉSTES QUÉRCIA ? PELO ANDAR DA CARRUGAEM, DAQUI A POUCO ATÉ O PAULO MALUF SERÁ CANDIDATO NOVAMENTE…
    SERÁ QUE A CRISE DE NOVAS LIDERANÇAS É MAIOR ATÉ DO QUE A CRISE ECONÔMICA ? TÁ NA HORA DE MUDAR… POR QUE SEMPRE OS MESMOS ? QUÉRCIA NÃOOOOOOOOO !

  9. ENTAO AGORA , O QUE RESTA AO OSMAR BARBUDO DIAS.
    CORRE SE NAO NEM O SENADO SOBRA.. E PODE FALR O QUE FOR DO REIQUIAO, MAIS O HOMEN NO INTERIOR TEM VOTO HEM. O SUFICIENTE PRA INFLUINCIAR DIRETAMENTE AS ELEIÇOES 20010.
    AGORA E SO DEFINIR BETO OU ALVARO.

  10. Sobre o Beto , esta composição dá a certeza que ele vai continuar na Prefeitura e deixar esta fria para outros.

    Cade o Pai do Secretário de Finanças da PMC para explicar esta???

  11. Luis Adolfo Kutax Responder

    Enquanto todo mundo está a passar a perna em todo mundo o barco anda. Talvez o Requião e alguns outros estão trabalhando no sentido de desiquilibrar alianças, e percebe-se que o Osmar Dias já está perdendo forças…

  12. Essa eleição vai acabar caindo de graça no colo do Osmar Dias, só pela ganância tucana e requianista de se manter no poder…

  13. Alguem lembra do DISQUE-QUERCIA promovido pelo Requião? E qual era a intenção ? A quem recorda por favor me lembrem !

  14. PAULO SERGIO MOREIRA Responder

    ‘EU COLOQUEI UM CARIMBO DE CORRUPTO NA TESTA DO QUÉRCIA” – Roberto Requião.

  15. ALGUÉM LEMBRA DO DISQUE-QUÉRCIA?
    SERVIÇO IMPLANTADO PELO “NOSSO” GOVERNADOR TEMPOS ATRÁS, O QUE MUDOU? O QUÉRCIA OU O REQUIÃO?

  16. MARCOS MATINHOS Responder

    QUEM ESTIVER COM REQUIAO,ESTA CONTRA O PARANA E CONTRA A DECENCIA .PERDE MEU VOTO.

  17. Jogada muito bem pensada, PMDB E PSDB no Parana juntos, falam e falam do BOBREQ mas ele que vai quebrar os votos do OSMAR no interior e curitiba fica com o BOYBETO, que por não fazer nada alem de seguir oque o Jaime Lerner (Greca, cassio, beto, nao fizeram nada alem de seguir o planejamento que lerner deixou a eles) plantou a anos atraz e ficar escondido no seu mandato o ajudaram a nao ter reclamações. Obs: Se acontecer esta coligação, os militantes é que vão sofrer, como foi o pt e pmdb pra municipal, quando rolou panacadão dentro do proprio comite, Jacaré e Jacaroa, Rosane(romaneli), hudson e companhia limitada se quebraram……

Comente