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Governo Lula pesquisa informações para trocar chumbo na CPI

lupanumeros

De Josias de Souza, na Folha Online

A pedido do Planalto, a Petrobras recolhe em seus arquivos dados referentes à era FHC. Serão usados como munição da tropa do governo na CPI. Buscam-se no paiol da estatal petroleira, por exemplo, informações sobre a distribuição de verbas de patrocínio.

Lula e um grupo de grãopetistas –lideranças do PT e ministros da cota da legenda— já manuseiam os primeiros números. Indicam que prefeituras geridas pela oposição frequentam a lista de beneficiários. Um dos personagens que apalparam o levantamento preliminar disse ao blog: “Se for somar por partido, desconfio que o DEM recebeu mais que o PT”.

Mencionam-se duas vitrines ‘demos’: as prefeituras de São Paulo, hoje gerida por Gilberto Kassab; e do Rio, chefiada por Cesar Maia. “O único [patrocínio da Petrobras] de que me lembro foi um réveillon –Tributo a Tom Jobim—, em 1994 ou 1995”, informou ao repórter um despreocupado Cesar Maia.

E quanto a São Paulo? Filho do prefeito carioca e presidente nacional do DEM, o deputado Rodrigo Maia dá de ombros: “Seria ridículo se uma empresa do porte da Petrobras não fosse parceira de eventos em São Paulo, a principal cidade do país.”

“…Em matéria de patrocínios e publicidade, o que está em discussão não é isso, mas a má utilização das verbas. Há casos escabrosos, sobretudo no Nordeste…”

“…No início, diziam que queríamos prejudicar a Petrobras, para depois privatizá-a. Uma bobagem. Agora mudam de tática. Esse tipo de comparação nos interessa”.

Pescou-se também nos arquivos da Petrobras um contrato firmado com uma ONG tucana no apagar das luzes da gestão FHC.

Protocolado em 10 de dezembro de 2002, a peça foi aprovada em escassos dois dias. Informado, Lula proibiu o petismo levar esse contrato à refrega da CPI.

A estratégia governista foi esboçada numa reunião realizada na semana passada. Participaram líderes petistas e ministros.

Lá estava Ricardo Berzoini, presidente do PT. Lá estavam também os líderes petistas Cândido Vacarezza (Câmara) e Aloizio Mercadante (Senado).

Além deles, os ministros Tarso Genro (Justiça) e Guido Mantega (Fazenda) e o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Convidada, Dilma Rousseff não pôde participar.

Foi à mesa uma idéia de Mercadante. Achava que o governo deveria mandar à CPI os seus melhores quadros. Incluiu-se entre os candidatos. Por quê?

A intenção de Mercadante era a de usar o palco da CPI para debater sobre o marco regulatório que vai reger a exploração do óleo do pré-sal.

Mercadante foi, porém, voz isolada. Na visão dos demais, o governo deve esvaziar a CPI, não valorizá-la. Se fustigado, planeja reagir “à altura”.

Quanto à oposição, em minoria de três contra oito na CPI, decidiu tentar furar o bloqueio. Fará uma investigação paralela.

PSDB e DEM buscam malfeitos que, por graves, desmoralizem as barricadas erguidas pelo governo contra as investigações.

Dono de pelo menos três votos na CPI, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), joga o seu jogo. Acompanha a briga com vivo interesse.

Dependendo de como Renan posicionar suas peças, a maioria na comissão, hoje governista, pode virar.

Ameçou virar se Mercadante tivesse levado adiante a idéia de integrar, ele próprio, o rol de membros da CPI. A portas fechadas, Renan disse que não iria tolerar.

6 Comentários

  1. 27/5/2009

    ”Consenso despolitiza sociedade e coloca Lula à direita de FHC”. Entrevista com Francisco de Oliveira

    Intelectual historicamente identificado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo sido filiado ao PT até 2003, o professor aposentado de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Francisco de Oliveira tornou-se ao longo do atual governo um dos mais cáusticos críticos à esquerda do lulismo. Para este ano, o acadêmico pernambucano de 75 anos, conhecido como Chico de Oliveira, prepara um livro que irá retratar a construção de uma hegemonia às avessas. Ou seja: como um líder popular carismático trabalharia no sentido contrário aos interesses da base que o elegeu.

    A reportagem e a entrevista é de César Felício e publicada pelo jornal Valor, 27-05-2009.

    No ano em que rompeu com o PT, Oliveira desferiu no front literário um dos mais contundentes ataques sofridos por Lula, ao escrever “O Ornitorrinco”, um posfácio ao seu livro “Crítica da Razão Dualista”, editado pela primeira vez em 1972.

    Neste posfácio, Oliveira procurou fazer uma aproximação entre a elite dirigente do PT e a da oposição tucana, que teriam como grande traço de união o controle do acesso a fundos públicos.

    Em setembro de 2004, Oliveira participou da criação do P-SOL, formado por dissidentes do PT que discordavam da moderação econômica do governo Lula, particularmente da reforma da previdência. Meses depois, o partido receberia outra maré de adesões de desiludidos com o petismo depois da eclosão do escândalo do mensalão.

    Com a eleição de 2006, ocorre um novo afastamento. Oliveira discordou da condução da candidatura presidencial da então senadora Heloísa Helena (AL), sobretudo da decisão da sigla de permanecer neutra no segundo turno da eleição presidencial, e declarou voto pela reeleição de Lula. Chegou a definir a campanha da candidata do P-SOL, calcada nas denúncias contra o governo federal no plano ético, como um “udenismo de esquerda”.

    No início da crise econômica global, em janeiro deste ano, Oliveira propôs que o governo federal radicalizasse suas políticas de desenvolvimento, sugerindo que se criassem “cinco Embraer por ano”, uma maneira de defender a maior participação do Estado na economia. Mas a ausência de mudanças na estratégia governamental ao longo deste ano fez com que o sociólogo voltasse à posição crítica dos últimos tempos.

    Nesta entrevista Chico de Oliveira demonstra ceticismo em relação a mudanças no quadro político com as eleições presidenciais do próximo ano.

    Eis a entrevista.

    Qual a avaliação que o senhor faz do governo Lula, já em seu penúltimo ano? O senhor rompeu publicamente com o PT em 2003, mas depois declarou voto pela reeleição de Lula em 2006…

    A minha declaração de voto em 2006 foi uma atitude política. Lula estava sob ataque de forças opositoras naquele momento e havia a esperança, uma palavra que nem gosto de usar, de que um segundo mandato fosse promotor de mudanças, mas hoje podemos ver que não houve nenhuma mudança e essa chance passou. O governo de Lula, concretamente, não demonstrou nenhum avanço social no plano dos direitos. Do ponto de vista da condução econômica é uma administração medíocre, que pensou que se salvaria da crise global e percebe-se que não tem nenhum domínio da situação. Economicamente o governo Lula é um barco à deriva, que se as ondas forem boas chega a um bom porto, e caso contrário, não.

    Que comparação pode-se fazer com o governo FHC?

    Lula está à direita de Fernando Henrique [Cardoso] ao não recompor as estruturas do Estado e não avançar na ampliação de direitos. O presidente tenta se legitimar promovendo consensos que passam pela cooptação dos mais pobres. O Bolsa Família não é um direito, mas uma dádiva. Neste sentido, vivemos na gestão dele uma regressão política, porque no governo Lula houve uma diminuição do grau de participação popular na esfera pública. E quando se projeta o cenário de 2010 percebe-se como Lula resulta regressivo. Com a força perdida pelo PT e a ausência de alternativas de Lula, uma vez que a doença de sua candidata mostra sinais de gravidade, aparece o terceiro mandato.

    O senhor acha que o governo está criando um caldo de cultura para o terceiro mandato?

    Sim, porque Lula aparece, para os olhos de determinados segmentos do meio político e popular, como o homem providencial. E neste sentido a possibilidade de um terceiro mandato é perigosa. Getúlio [Vargas] ensaiou isso com o queremismo, em 1945. Agora, pode muito bem surgir um queremismo lulista: o povo ir às ruas para pedir a continuidade do governo.

    E o senhor acha que o povo irá às ruas?

    Não digo o povo, uma categoria imprecisa, mas o PT e a CUT ainda têm capacidade para promover barulho, e barulho é o que é decisivo em uma questão como essa.

    Porque no campo da esquerda nem o P-SOL, nem outras siglas conseguiram se firmar como alternativas a Lula?

    Nada surgiu porque, ao tornar-se um mito popular, Lula tornou-se infuso à política. Ele produz um consenso de forças sociais, que estão todas muito contentes com o governo, e assim torna impossível ao eleitorado fazer escolhas reais. Isto explica porque Heloísa Helena, apesar do apelo popular que teve e tem, não se tornar uma alternativa. Vivemos um consenso conservador, no sentido de não se transformar nada, mesmo com a presença das massas populares neste consenso.

    Ao romper com o PT, o senhor disse que o partido poderia ter o mesmo destino do peronismo, tornando-se uma força política que não consegue ter referências ideológicas e prende-se ao espólio de uma liderança…

    Se fiz esta aproximação, foi um equívoco meu. A mídia brasileira por vezes passa uma ideia equivocada do que foi [Juan Domingo] Perón na Argentina. O Perón não despolitizou o país. Sob o vezo do autoritarismo, em seu período se produziu uma ampliação de direitos tal que a tradicional oligarquia argentina jamais se recuperou. No caso de Lula, está ocorrendo exatamente o contrário, a diminuição do espaço da política na sociedade.

    O governo Lula não investiu na inclusão de minorias nos espaços de poder, por meio de políticas de ação afirmativas para negros e mulheres?

    Ele tomou os vestígios de um discurso sociológico fajuto para negar o conflito de classes. Veja, com a análise da questão das classes se mata as charadas no Brasil. Quando a gente pensa a sociedade por meio destas clivagens de gênero e raça, não se mata charada nenhuma. O problema do Brasil é de uma grande maioria, virtual totalidade mulata, e não pode ser resolvido por políticas afirmativas étnicas, diferentemente do que ocorre na Bolívia e na Venezuela, onde a chave étnica é decisiva. Para resolver os problemas de exclusão social no Brasil, é preciso enfrentar problemas de classe. A política de cotas só faz reafirmar a exclusão. Qual as chances concretas que um negro com grau universitário obtido graças às cotas ampliação de direitos combatem a discriminação.

    O senhor analisa o governo Lula como o autor de uma guinada conservadora, mas, com instrumentos como a Carta ao Povo Brasileiro, Lula já não se elegeu sob este signo?

    Pelo contrário, Lula foi eleito em um processo de força popular crescente de um movimento político, que acumulou energia de eleição em eleição desde os anos 80. Não foi um episódio que se resume à crônica de 2002, foi um processo longo. Lula foi eleito com uma base progressista. Não houve nenhuma chancela do eleitorado para o que ele faria a seguir.

    Além de sua gestão econômica até certo ponto surpreendente, o primeiro mandato de Lula foi marcado pelos escândalos na área ética, dos quais o do mensalão foi o mais emblemático. Por que a ressonância popular destes problemas foi zero?

    Há uma tendência popular de nivelar a todos. Historicamente, a questão ética só estigmatiza políticos de estatura menor, como os exemplos recentes de [Paulo] Maluf e [Orestes] Quércia. Gostaria que tivesse sido diferente, mas este fator jamais foi decisivo em eleições brasileiras e não será na próxima.

    Qual o balanço que o senhor faz da oposição brasileira nestes últimos sete anos?

    Que crítica a oposição pode fazer ao governo Lula? Objetivamente nenhuma. Os governadores José Serra e Aécio Neves estão do mesmo lado. Em termos concretos, já há tempos a oposição deixou de existir. Isto porque a política no Brasil perdeu a capacidade decisória.

    Que diferenças o senhor identifica entre Serra e Aécio?

    Rejeito ambos por motivos diferentes. Aécio parece mais um político superficial que se faz sob a herança política familiar. Nunca vi uma opinião dele que impressionasse. Serra é uma surpresa. Faz um governo gerencial e até reacionário, ao lidar com o funcionalismo e com a universidade pública. É um político que gradualmente se converteu, quando vemos o passado dele e o local onde atua agora. É o grande líder conservador.

    Sob que signo será disputada a eleição presidencial do próximo ano?

    A eleição de 2010 será despolitizada e regionalista. Vejo agora a articulação entre São Paulo e Minas. Antes era o café com leite, hoje talvez seja o café com leite de um lado, a cana e a indústria do outro… a eleição caminha para ser uma disputa entre a confluência de São Paulo com Minas em contraposição à confluência do Nordeste e do Norte. É uma disputa que se dá em termos regionais, sem nenhum ponto político, nenhuma discussão de concepção propriamente política. Ao criar um consenso, Lula foi fortemente despolitizador. É uma dinâmica diferente do tempo de Fernando Henrique. Fernando Henrique buscou subjugar as forças contrárias, Lula as desmobiliza.

    E que papel jogam atualmente os movimentos sociais?

    Os movimentos sociais estão apagados, porque tratam-se em sua maioria de articulações em torno de objetivos pontuais, o que tornam limitadas as possibilidades de crescimento. O mais importante deles, que é o MST, busca saídas para a sobrevivência.

    Esta desmobilização política não é um fenômeno global?

    Ela é um fenômeno mundial. A França elegeu [Nicolas] Sarkozy, um direitista que se disfarça. Nos Estados Unidos, temos [Barack] Obama, que está recuando de suas posições iniciais. Na Alemanha, Ângela Merkel faz uma conciliação que junta sociais democratas e conservadores. E na Rússia, há um florescer do autocratismo. Todo mundo está convergindo para um ponto médio, que é uma espécie de anulação das posições. Mas no Brasil é mais grave, porque aqui a desigualdade é muito maior.

  2. Ai sim.
    Se for para investigar tem que ser tudo, e não somente os últimos 6 anos, mas sim pelo menos 12 anos ou 14.
    E creio que todos que estão preocupados com o Brasil defenderão uma investigação ampla dos últimos 14 anos.
    Se isso acontecer Parabéns!
    E casa seja o contrário é lamentavel.

  3. ESTA CONVERSA IDEÓLOGICA JÁ ENCHEU O SACO DO CIDADÃO COMUM, O DA CLASSE MÉDIA, AQUELE QUE REALMENTE PAGA A CONTA DA FARRA COM O DINHEIRO PÚBLICO. E AO CONTRÁRIO DO QUE PREGA O SR. FRANCISCO OLIVEIRA, NÃO TEM QUE ESTATIZAR MAIS NADA, E SIM PRIVATIZAR O QUE FOR POSSÍVEL. SÓ ASSIM ACABAREMOS COM OS ABUSOS COMETIDOS PELOS POLÍTICOS NAS ESTATAIS.

  4. sem bolsa esmola Responder

    ESSE È OUTRO APODRECIDO, SE DIZ CONTRÀRIO AO PESTE MOR LULA MAS APOIOU ELE NA ÙLTIMA ELEIÇÃO. A BÌBLIA CONDENOU A 2000 ANOS ESSE TIPO. a SENADORA HELOÌSA HELENA O SENADOR CRISTOVAO BUARQUE TMB SÃO DO MESMO TIPO, INSATISFEITOS COM A ROUBALHEIRA DO PT, MAS APOIARAM E CONTINUAM APOIANDO O MERDA-MOR DO PLANALTO, PQ SE CAGAM DE MEDO DE PERDER ALGUM VOTO POIS APARENTEMENTE A APROVAÇÃO DO PRESIMENTE ESTÀ INFLADA AO MÀXIMO, COM PESQUISAS PAGA E MANOBRADAS PELOS GOEBELS DO PT

  5. o lula fazer pesquisa do que ele emboso durante o governo eles e os filhos este so ve lama em toudos as organizações do governo federal e correio e pretobras e caixa federal e aonde foi para as ong dele e luz para toudos quem foi beneficiado foi a fifa que em bolso o dinheiros dos troxa e levo para cuisa e levo para e toudo pradão fifa botar dinheiro no bolso e não sabe de nada istou faz parte do PT

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