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Paraguai considera insuficiente a oferta
do Brasil

De Raquel Landim no Valor Econômico

O Paraguai considerou “insuficiente” a contraproposta do Brasil sobre sua demanda de venda direta de energia no mercado brasileiro. “É insuficiente. Queremos uma integração de verdade. O Paraguai não deseja caridade”, disse ao Valor o diretor paraguaio de Itaipu, Carlos Mateo.

O país vizinho quer autorização do Brasil para a estatal Ande (Administração Nacional de Energia) comercializar a parcela paraguaia de energia de Itaipu no mercado brasileiro. O governo do Brasil não concorda, porque avalia que essa mudança quebraria as regras do tratado

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O Brasil ofereceu como contraoferta permitir que a Ande venda no país a energia de outras hidrelétricas paraguaias, como Icaraí e Iguassu – esta última ainda está em construção. Quando as obras estiverem finalizadas, significaria cerca de 1,3 mil megawatts de energia hora e uma receita adicional de cerca de US$ 50 milhões para o Paraguai.

Mateo disse que é um montante muito pequeno quando comparado com Itaipu e que essa energia não é contínua, mas intermitente, o que dificultaria bastante os negócios para o país no mercado livre. A hidrelétrica de Itaipu produz, por ano, cerca de 90 mil gigawatts de energia.

Negociadores paraguaios e brasileiros se reuniram ontem em Assunção para tentar avançar nas discussões. Havia uma grande expectativa em relação a reunião na mídia paraguaia, inclusive com declarações de otimismo dos representantes do governo do presidente Fernando Lugo de que um acordo estaria próximo..

Segundo Mateo, a questão da venda direta de energia não foi discutida hoje a pedido do Brasil e uma nova reunião deve ocorrer em breve, mas ainda não há data marcada. Ontem foram discutidos questões como tarifas, transferências e construção de obras civis na usina, sem conclusões.

4 Comentários

  1. Via de regra (e de honra), contratos são para ser cumpridos, salvo casos excepcionalíssimos.
    Até agora não vi, por parte da imprensa, qualquer análise do acordo vigente que possa fornecer ao contribuinte base para que ele se posicione sobre as reivindicações de Lugo.
    Assim não dá para saber se são ou não justas.

  2. As reivindicações não são justas. O Paraguai quer, por exemplo, que a dívida do país seja zerada. Ou seja, somente nós, contribuintes brasileiros, devemos pagar a conta pela construção de Itaipu. Além disso, quer que o valor pago pela energia vendida por eles tenha um aumento absurdo. Ou seja, novamente nós, contribuintes brasileiros, pagamos a conta. E por aí vai. Todas as reivindicações que forem acatadas pelo Brasil, acabarão estourando no nosso bolso.

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