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Sem Gilberto Carvalho, PT entra em guerra interna pela direção

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De Josias de Souza, na Folha Online

Ao vetar a participação do paranaense Gilberto Carvalho (foto), seu chefe-de-gabinete, na disputa pela presidência do PT, Lula incendiou o partido. Sondagens informais indicavam que Carvalho iria à disputa interna com chances de unificar as diversas tendências que se espremem sob o guarda-chuva do PT.

Sem ele, a perspectiva de unidade se esvaiu. Por ora, pelo menos quatro grupos manifestam a intenção de disputar o cargo de presidente do partido. A eleição está marcada para 22 de novembro. Está em jogo a renovação dos diretórios em três níveis: nacional, estadual e municipal.

O cargo mais vistoso é o de presidente nacional. Hoje, é ocupado pelo deputado Ricardo Berzoini (SP). O substituto terá mandato de três anos. A perspectiva de dirigir a legenda no ano eleitoral de 2010 e no alvorecer do governo que sucederá o de Lula tonifica a ambição dos contendores.

A disputa mais aguerrida será travada entre o ex-Campo majoritário, tendência do ex-ministro José Dirceu, e o Mensagem ao Partido, grupo do ministro Tarso Genro.

Já mediram forças em 2007. A turma de Dirceu prevaleceu. E Berzoini, embora tisnado pelo affair dos aloprados do dossiê antitucanos, foi reconduzido à presidência.

Ao grupo de Tarso restou acomodar o deputado José Eduardo Cardozo na secretaria-geral do PT, o segundo cargo mais importante da hierarquia partidária.

Para essa disputa de 2009, os candidatos ao diretório nacional terão de registrar suas chapas até o próximo dia 25 de julho.

Pelo menos quatro tendências petistas esboçam a intenção de entrar na briga. São as seguintes:

1. Ex-Campo Majoritário: Rebatizado de CNB (Construindo um Novo Brasil), o grupo de Dirceu e Antonio Palocci controla algo como 40% dos votos dos filiados do PT.

O ex-Campo reuniu-se na sexta (5) e no sábado (6), conforme já noticiado aqui. Sem Gilberto Carvalho, decidiu fixar-se no nome do ex-senador José Eduardo Dutra (SE).

Vem a ser o atual presidente da BR Distribuidora. É subsidiária da Petrobras, a maior distribuidora de combustíveis do país. Deve deixar o cargo em julho.

2. Mensagem ao Partido: Criada na fase pós-mensalão sob o lema da renovação ética, a tendência de Tarso Genro amealhou em 2007 algo como 20% dos votos do petismo.

Cogita relançar o atual secretário-geral José Eduardo Cardozo ao cargo de presidente. O êxito da empreitada depende de alianças com outras tendências minoritárias.

3. Articulação de Esquerda: O integrante mais buliçoso desse grupo é Valter Pomar, atual secretário nacional de Relações Internacionais do PT.

Pomar torce o nariz para os dois Josés –o Eduardo Dutra, dodói do ex-Campo Mojoritário, e o Martins Cardozo, opção do Mensagem ao Partido.

Articula-se o lançamento da candidatura da deputada Iriny Lopes (ES). Sozinho, o Articulação de Esquerda padece da inanição.

Controla cerca de 10% do cesto de votos do petismo. Numa escala de zero a dez, a chance de eleger o sucessor de Berzoini é menos um. Porém…

Porém, num eventual cenário de placar apertado, os votos da Articulação de Esquerda podem vir a ser disputados como uma espécie de última coca-cola do deserto.

4. Movimento PT: Essa corrente cogitava alinhar-se à candidatura de Gilberto Carvalho. Com o veto de Lula, passou a flertar com uma opção própria.

Há uma disputa interna no grupo. A favorita é a deputada Maria do Rosário (RS), candidata derrotada à prefeitura de Porto Alegre no ano passado.

Corre por fora o também deputado Geraldo Magela (DF), candidato derrotado ao governo do DF em 2006.

O Movimento PT, por minúsculo, tem algo como 8% dos votos do petismo. Porém, na disuta de de 2007, escalara a casa dos 20% graças a uma aliança.

Juntara-se a outras duas tendências: a Lutas de Massas, do deputado Jilmar Tatto (SP) e a Novo Rumos, dos ex-prefeitos Fernando Pimentel (BH) e Marta Suplicy (SP).

Reeditando-se a parceria, esses três grupos desceriam ao tabuleiro como uma força nada desprezível nas composições internas. Seriam a penúltima coca-cola do Saara.

Lula observa a ebulição de seu partido com uma ponta de preocupação. Egresso do Ex-Campo Majoritário, o presidente pende para José Eduardo Dutra.

Nos próximos dias, Dutra deve pedir uma audiência a Lula. A pretexto de discutir sua saída da BR Distribuidora, vai tentar consolidar o apoio do presidente.

A guerra interna que se instalou nos subterrâneos do petismo não afeta diretamente a candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

Ao antecipar o lançamento de Dilma, Lula como que ergueu um dique que represou o debate sobre nomes alternativos.

Dividido quanto à sucessão de Berzoini, o PT está unificado em torno de Dilma. Seja qual for o escolhido, não se atreverá a peitar Lula.

O receio do presidente é o de que a disputa atrase as composições que considera urgentes, sobretudo com o PMDB. Por isso, vai cuidar pessoalmente desse pedaço da encrenca.

4 Comentários

  1. Nelson Justus. Reply

    Carma que não é bem anssim. Os Trabalhadores aprenderam com as disputas que travaram e usarão, sabiamente, o proximo PED pra fortalecer a candidatura da Dilma.

  2. Conversa Mole Reply

    Desse Josias de Souza – não existe isso – sempre houve disputas fortes no PT e nem por isso o partido se estraçalhou. Na ultima eleição (PED) 11 chapas disputaram a direção nacional e o partido saiu coeso após isso, aliás, esse Jo$ia$ de $ouza não fala, é que o PT é o único partido em que o filiado eleje desde a direção municpal até a nacional. Como são feitas as escolhas no PSDB e DEM? Os filiados votam ou são os caciques que escolhem?

  3. Tarso de Castro Reply

    Bota o retrato do Dirceu/ Bota no mesmo lugar/ A mala do Dirceuzinho/ Faz a gente se alegrar

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