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Renan aconselha e José Sarney faz do ataque a defesa

Sarney

Neste momento, José Sarney fala no Senado. Diz que a crise não é dele, é do Senado, e apavora meio mundo com a possibilidade de abrir todas as caixas pretas da instituição. A descoberta de que o Senado manteve por 14 anos uma burocracia secreta para distribuir favores a um pequeno grupo levou José Sarney às cordas.

Entronizado em sua terceira presidência há quatro meses e meio, o morubixaba do PMDB encontra-se acuado.
Ontem, a palavra “renúncia” foi ouvida pela primeira vez no Senado. Pronunciou-a, em privado, o gaúcho Pedro Simon. Dissidente do PMDB, o partido de Sarney, Simon vem soando entre quatro paredes sempre um tom acima das manifestações que se permite fazer em público. Acossado pela crise, Sarney ruminou seus rancores ao longo do final de semana. E hoje partiu para o ataque.

Sarney se reuniu com dois aliados de todas as horas: os líderes Renan Calheiros (PMDB) e Gim Argelo (PTB). Aconselharam-no a se defender atacando. Renan pôs para rodar o hardware ao qual sempre recorre quando se vê em apuros. Primeiro, identifica os inimigos: PT e PSDB. Na sequência, esboça uma reação que se escora em dois pilares: o ataque e a chantagem. Ameaça vazar para os jornais dados que constranjam os rivais.

Nas últimas semanas, Sarney dissera a amigos que estava arrependido de ter disputado a presidência do Senado com o petista Tião Viana.

Chegara mesmo a confidenciar a intenção de renunciar ao cargo em 2010, quando fará 80 anos. Depois da conversa com Renan e Argelo, Sarney mudou o rumo da prosa.

Agora, diz que vai à luta. Cogita ler no plenário uma resposta às denúncias que o lançaram no caldeirão dos malfeitos secretos do Senado.

Fala em modificar as regras daqui pra frente. Punições? Por ora, só cogita levar à bandeja a cabeça de José Grazineo, o sucessor de Agaciel Maia na direção-geral.

Caberá a Renan e Argelo executar o pedaço sujo da estratégia, que envolve o recurso à baixaria e à chantagem.

Na outra ponta, o grãotucano Tasso Jereissati organiza uma reunião suprapartidária. Fará um almoço nesta quarta (17).

Está convidando os senadores que, a seu juízo, têm disposição para confontar as mazelas que roem o prestígio do Senado.

Gente como Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon, Tião Viana, Cristovam Buarque, Renato Casagrande, Demóstenes Torres, Sérgio Guerra e Arthur Virgílio.

Tasso é velho amigo de Sarney. A despeito disso, participou, em fevereiro, da articulação que acomodou a maioria dos votos tucanos no colo de Tião Viana.

Nas pegadas do triunfo de Sarney, Tasso foi à presença do amigo. Levou consigo Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

Os dois aconselharam Sarney a esquecer as rugas da campanha, uma das mais encarniçadas da história. Pediram que “governasse” para todo o Senado.

Hoje, Tasso se diz “decepcionado”. Acha que Sarney tornou-se “prisioneiro” das vontades de Renan.

A idéia da reunião-almoço dos senadores que Renan identifica como “inimigos” foi urdida na noite de sexta (12).

Deu-se em Pernambuco, numa festa junina oferecida por Sérgio Guerra. Entre os mais de mil convidados, havia 12 senadores.

Acomodados na mesma mesa, Tasso e Jarbas Vasconcelos trocaram idéias sobre a encrenca do Senado.

Concluíram que o caso dos atos administrativos secretos levara a crise às fronteiras do paroxismo. Tasso mencionou a idéia de promover o encontro. Jarbas pôs-se de acordo.

“É preciso encontrar saídas”, disse Jarbas ao blog. “A gente pode ficar assistindo ao derretimento do Senado sem fazer nada”.

Para Jarbas, quem preside o Senado é Renan, não Sarney. “O Renan tem, hoje, mais poderes do que na época em que foi presidente…”

“…Renan lideran a bancada do PMDB, cerca de 16 senadores, tirando os dissidentes, e mais a bancada do PTB. O Sarney é refém do Renan”.

Nesta terça (16), o alarido que toma conta do Senado começará a ser içado dos subterrâneos para a tribuna.

Pelo menos três senadores planejam remexer o monturo dos atos secretos em discursos no plenário: o próprio Jarbas, Tião Viana e Arthur Virgílio.

A tropa da dupla Renan-Argelo promete intervir no debate. Algo que deve elevar uma temperatura que, no dizer de Virgílio, tem sido demasiado “amena”.

O líder Virgílio acusa colegas vistos pregoeiros da ética se “acocorar” diante da ameaça de abertura do baú de favores do ex-diretor-geral Agaciel Maia.

Uma divisão da tropa oposicionista favorece Sarney. José Agripino Maia, líder do DEM, não foi convidado para a reunião organizada por Tasso. Consideram-no ligado demais a Renan e Sarney.

Privadamente, Agripino diz que a reunião produzirá barulho, não soluções. Ele pretende se reunir com Sarney.

Acha que a crise exige “providências” que culminem com “punições”. Aconselhará Sarney a demitir a parentela pendurada secretamente na folha do Senado.

Contabilizados inicialmente em 300, os atos secretos saltaram para 500. Agora, diz-se que passam de mil.

Sacudindo-se os papéis, foram ao solo três frutos da árvore genealógica dos Sarney e dos Macieira, o tronco familiar de Marly, a mulher do presidente do Senado.

Reside aí o ponto fraco da pregação de Renan. A lista dos malfeitos não é obra de petistas e tucanos. Foi encomendada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM).

12 Comentários

  1. O Povo não merece explicações?o que diz o ministerio publico e os seus nobres juizes,tá na hora de passar este país a limpo.fora Sarnei

  2. Isso tudo não vai dar em nada, todo mundo deve favor pra esse dinossauro do Sarney. Infelizmente esse país não tem jeito, o povo brasileiro é muito pacato, não tá nem aí pra isso.Enquanto tivermos esse bolsa familia, bolsa escola, vale gas, seguro desemprego etc, etc, etc, tá tudo uma maravilha. O problema que o povo não percebeu que esses ‘PROGRAMAS SOCIAIS’ não passa de esmola pra comprar o silencio dos menos favorecidos, pra que essa cambada que tá pendurada no poder a decadas faça o que bem entender com o dinheiro que é do povo. Dão migalhas pra ficar com o bolo todo E viva a DEMOCRACIA, VIVA OS SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS, GOVERNADORES , PREFEITOS , VEREADORES, SECRETARIOS MUNICIPAIS, ESTADUAIS,CHEFES DE GABINETES, MINISTROS, JUIZES, DESEMBARGADORES, ETC, ETC, ETC.

  3. Esses sangue sugas da Nação se merecem.
    Que cantem a musica que foi feita para eles;
    “nós somos dois sem vergonha…”

    O gesto nobre único destes dois pulhas, seria a renúncia imediata, de ambos.
    Aliás, o Renan já foi anistiado uma vez, quando apeou do cargo de presidente do Senado, naquele episódio de sua filial paga num esquema de corrupção. Devia ter sido cassado na época.

  4. Sarney, Renan Calheiros e Gim Argelo (que era suplente e não recebeu nenhum voto), estes são os donos do senado. Torna-se cada vez mais perigosa a incompetência da instituição Senado em resolver seus escândalos que se sucedem em ritmo alucinante. Por muito menos do que isso, estados sucumbiram frente a tiranias. Portanto, fiquem de olho, com toda certeza tem muita gente espreitando nos porões para que o desgaste das instituições democráticas traga de volta algum salvador da pátria embalado num discurso autoritário.

  5. SYLVIO SEBASTIANI Responder

    CHICO 1: O Estado doMaranhão já é pobre desde o começo da era Sarney.”POBRE DO BRASIL E DOS BRASILEIROS, PRINCIPALMENTE DO NORDESTE.

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