Uncategorized

Senado escondeu atos de propósito, diz funcionário

CongresoCircoSLim
De Josias de Souza, na Folha Online

Na última terça, do alto da tribuna do Senado, José Sarney discursou: “Eu não sei o que é ato secreto. Aqui, ninguém sabe o que é ato secreto”.

Era lorota. O chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado, Franklin Albuquerque Paes Landim, sabe muito bem o que é ato secreto. Para desassossego de Sarney, Franklin contou o que sabe aos repórteres Andreza Matais e Adriano Ceolin.

O depoimento vai à fogueira como um jato de gasolina. Segundo Franklin, os atos administrativos secretos do Senado foram escondidos de propósito. Chegavam à sua mesa com um carimbo: “Publique-se”. Mas nem todos ganhavam a publicidade exigida pela Constituição. Franklin revelou que recebia ordens para esconder uma parte dos atos. A determinação partia de dois ex-diretores do Senado.

Sim, exatamente, eles mesmos: Agaciel Maia, ex-diretor-geral, e João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos.

Minucioso, Franklin relatou que as ordens de Agaciel chegavam pelo telefone. As de Zoghbi, que despachava no mesmo andar, eram dadas pessoalmente.

Referindo-se especificamente a Agaciel, Franklin declarou: “Ele mandava guardar. Dizia: ‘Esse você não vai [publicar]. Você aguarda’”…

“… Com esse aguarda, às vezes mandava publicar, às vezes não. Podia ser amanhã, podia ser depois.”

Franklin informou que alguns dos atos sigilosos do Senado permaneceram guardados durante “anos”.

A coisa funcionava assim: diante de uma ordem para esconder determinado ato, Franklin o levava a uma pasta. Dali só saíam mediante nova orientação.

Quantos foram os atos secretos? No comando do setor de publicação há quatro anos, Franklin disse que nunca contou.

Comissão formada pelo primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) faz a contagem. Já contabilizou 623. Começaram a ser editados em 1995.

Nesse ano, eleito para a primeira de suas três presidências no Senado, Sarney nomeara Agaciel Maia para a direção-geral.

O mandarinato de Agaciel durou 14 anos. Teria durado mais, não fosse pela revelação de que escondera a posse de uma mansão avaliada em R$ 5 milhões.

Franklin decidiu quebrar o silêncio por receio de que a corda se rompa para o seu lado. “[…] Não vou pagar por isso. Eu vou dizer a verdade. Eu não temo nada”.

Ele disse que “nunca” recebeu ordem de nenhum senador para esconder esse ou aquele ato administrativo. Só de Agaciel e de Zoghbi.

Em entrevista veiculada no último final de semana, Agaciel dissera que ninguém no Senado poderia alegar desconhecimento sobre a burocracia cladestina da Casa.

O ex-superdiretor afirmara que “as decisões foram referendadas por um colegiado”, a Mesa diretora do Senado.

Negara, porém, que o segredo fosse proposital: “O Senado publica por ano cerca de 60 mil atos e decisões administrativas. Pode acontecer alguma falha…”

“…Se houve mesmo, uma comissão nomeada pelo senador Heráclito Fortes deverá apontá-la. Posso apenas assegurar que nenhum ato ilegal foi baixado”.

Confrontado com as declarações do servidor Franklin, o lero-lero de Agaciel, repisado por Sarney no discurso de terça, ganha as feições de rematada mentira.

A maioria dos atos clandestinos serviu para criar cargos, aumentar salários e contratar ou exonerar parentes e amigos de senadores e de servidores graduados.

No discurso em que tentou saltar das labaredas, Sarney pontificara: “A crise do Senado não é minha. A crise é do Senado”.

A frase, que já não parecia fazer sentido, virou pó. Noves fora o fato de ter nomeado e mantido Agaciel enquanto pôde, Sarney comparece à crônica secreta como beneficiário.

Sabe-se, por ora, que pelo menos oito parentes do senador passearam pela folha de pagamento do Senado.

Desse total, pelo menos quatro foram contratados e/ou exonerados por meio dos famigerados atos secretos.

Resta a Sarney a defesa à moda Lula: “Eu não sabia”. Surge, então, a pergunta inevitável: Afora o presidente da República, quem se anima a acreditar?

12 Comentários

  1. O Lula já disse que tudo isso é exagero e que Sarney deve ter tratamento diferenciado.
    Lula disse…tá falado.

  2. Marcilio Pinto Barbo Responder

    Será que a foto ilustrativa da matéria não vai ofender os profissionais do circo?

  3. Sarney, caia fora antes que voce se desgaste mais ainda e acabem tirando voce da presidência do Senado.

    Não dá mais para aguentar sua desculpas esfarrapadas, sem nexo algum, sem nehum cabimento e todas afrontam o mais burro e idiota dos homens.

    Chega Sarney. Pare. Não se afunde mais.

  4. Ninguém Acredita. O Pior é que a continuação do Sr. Sarney no Senado desacredita por completo a instituição, composta de muitos Senadores, alguns deles Corretos e dignos dos cargos que ocupam. Esses a gente corre o risco de acabar perdendo, pois quem se mistura com essa gentalha se proclama igual. Então restam duas opções, ou os decentes se retiram e deixam esse circo pegar fogo. Ou tomam uma atitude que demonstre que estão lá para cuidar sim dos interesses do contribuinte e, pelo menos afastam o Sarney para que a instituição possa ser realmente auditada. Só Assim se aceita que a sindicância proposta pelo Incompetente e negligente Sarney(em tom de brincadeira) tenha o mínimo de transparência e dignidade. Senão é o Fim da credibilidade da instituição e seus membros, alguns dos quais, São Sim Pessoas de Respeito.

  5. Da essencia do ato juridico perpeito, no caso dos atos publicos, por insposição constitucional do artgio 37, que seja publicado. Nulos portanto, todos os atos que o Senado não tenha publicado e isso equivale dizer que devem ser ressarcidos ao erário, todas as despesas decorrentes da nulidade destes atos. Como fiscal da Lei, tem o dever funcional e intitucional o Ministério Público, como assevera o art.127 da Constituição, de defender a ordem juridica.
    Impossivel a partir destas denuncias que o Ministério Público permaneça omisso e silente como até agora, infelizmente para a propria instituição, tem se conduzido.
    Espera-se, no mínimo, sejam denunciados criminalmente os envolvidos e ação publica busca reaver toda esta dinheirama que foi irrigada pela corrupção e apadrinhamento de “influentes figuras” da Republica, mormente os membros da mesa diretiva do Senado.
    Seria de se esperar que agora que vai ter que por a mão na massa mesmo, o MP também questionasse a constitucionalidade da vergonhosa VERBA INDENIZATÓRIA dos R$15.000.00,

  6. que cada parlamentar vem recebendo sem pagar o imposto de renda e que a Fazenda Nacional tambem assumisse a postura de reaver, no minimo, os ultimos 5 anos, porquanto os anteriores ja foram levados pela prescrição.

  7. Palhaço de circo... Responder

    Circo sim…mas dos horrores, afinal é nosso suado dinheirinho que está à anos sustentando esta “corja de vagabundos” e seus familiares!!

  8. V.Lemainski-Cascavel Responder

    Será que precisamos do senado?
    Seriam os atuais senadores covardes ou cúmplices?
    Foram capazes de cassar um presidente e agora não são capazes de cassar uma meia dúzia de corruptos…
    Fora o Sarnei e quadrilha!!!!!!
    Desculpem-me mas tenho que cuspir…

Comente