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Após quase 40 anos, último “clandestino” brasileiro volta do exílio

o ultimo clandstino

Passaporte de Antônio Geraldo da Costa, o Neguinho, emitido há quatro semanas após autorização obtida no Itamaraty pelo vice-cônsul em Estocolmo, José Ulisses Ribeiro.

O ex-marinheiro, que viveu com identidade falsa na Suécia por quase 40 anos, desembarca no Galeão na terça-feira.

Por Elvira Lobato, na Folha de S.Paulo:

Após viver por quase 40 anos, na Suécia, com identidade falsa, o ex-marinheiro Antônio Geraldo da Costa, o Neguinho, entrará no país, pela primeira vez, com seu nome verdadeiro. Ele desembarca no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, na terça-feira.

Neguinho viveu seis anos na clandestinidade, depois do golpe militar, quando participou de assaltos a banco no Rio e em São Paulo para financiar a luta armada. Fugiu do Brasil em 1970. Está com 75 anos.
Os crimes políticos foram anistiados por lei, em 1979, mas o ex-marinheiro continuou em exílio voluntário na Suécia, com medo de retornar e ser punido pelos atos que praticou.

Fragilizado emocionalmente, teme ser preso ao passar pela imigração. Um grupo de companheiros de militância vai recebê-lo no aeroporto para confortá-lo e tentar evitar uma suposta e, segundo a Polícia Federal, improvável detenção.

Ele obteve o passaporte brasileiro em seu verdadeiro nome há apenas quatro semanas. Uma anotação do consulado, em Estocolmo, de que o documento foi emitido por autorização, via despacho, do Ministério das Relações Exteriores, aguçou o medo de que a Polícia Federal estaria à sua espera.

“Ele não acredita que o Brasil se redemocratizou. Acha que a situação pode virar a qualquer momento”, diz seu amigo Antônio Duarte dos Santos, também ex-marinheiro, que foi exilado na Suécia de 1971 a 1980, quando foi anistiado.

Outro companheiro de exílio, o ex-marinheiro Guilem Rodrigues da Silva, que se tornou vereador, professor e juiz na Suécia, compara Neguinho ao oficial japonês Hiroo Onoda, que viveu escondido na selva das Filipinas por 29 anos, sem saber que a Segunda Guerra havia acabado. Onoda só saiu da selva quando seu superior no Exército lhe mandou depor as armas.

“Neguinho viveu, praticamente clandestino, na Suécia. Nunca modificou seu pensamento político. Acha que é espionado e seguido”, diz Guilem.

Golpe e tortura

Neguinho foi vice-presidente da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais. Cinco dias antes do golpe militar que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, o Ministério da Marinha proibiu um ato público em comemoração de dois anos da associação. O ato foi então transferido para o Sindicato dos Metalúrgicos.

Ele foi preso e, segundo colegas, brutalmente torturado. Foi citado na reportagem “Tortura homogênea”, do “Correio da Manhã”, de outubro de 64, sobre os maus-tratos nas prisões.

Avelino Capitani, ex-dirigente da associação, atribui a fragilidade emocional de Neguinho às torturas no Cenimar (Centro de Informações da Marinha) e ao estresse da clandestinidade e das ações armadas.

No prontuário de Neguinho existente no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro consta que ficou preso de setembro a dezembro de 64, e que fugiu dias antes de seu alvará de soltura ter sido assinado.

Fuga

Sua ação de maior repercussão foi o resgate de presos políticos da Penitenciária Lemos de Brito, no Rio, em 1969. Também fez quatro assaltos a bancos para levantar dinheiro para os fugitivos. Atuou em ações armadas da ALN (Aliança Libertadora Nacional, de Carlos Marighela) e se aproximou de outras organizações clandestinas.

Para fugir para o exterior, obteve uma certidão de nascimento em nome de Carlos Juarez de Melo, no interior de São Paulo, e tirou carteira de identidade e passaporte -assim que recebeu a cidadania sueca, casou-se e registrou os dois filhos.

Na Suécia, foi cozinheiro de frades e funcionário de casa de repouso. Como na nova documentação sua idade foi reduzida em cinco anos, aposentou-se mais tarde do que poderia.

Só em 2005, por pressão dos amigos, pediu anistia no Brasil. Entrou no país e saiu dele com a documentação falsa, e fez o pedido por procuração. Segundo o Ministério da Justiça, a anistia foi dada em dezembro de 2006. Mesmo assim, ele seguiu usando a identidade falsa.

Há menos de um ano, atormentado pelo desejo de voltar, procurou autoridades suecas, desfez o imbróglio e obteve a regularização, há cinco meses.

10 Comentários

  1. Pelo que já vi e pelo andar da carroagem, logo, logo esse “Nobre Guerrilheiro Urbano”, do Grupo da Dilma, já estará no Palácio, em Brasília e ninguém se admire se logo, logo não estiver filiado no PT, concorrendo a uma vaga na Câmara Federal.
    HARE BABA !!!
    ALELUIA !!!

  2. Bom retorno, não esqueça que quem infringiu a lei, foram os que derrubaram João Goulart…….

  3. Giovani Antonio Responder

    Fábio, pela leitura acima, é dificíl saber se o homem foi parte do “bem” ou do “mal” na história de nosso país. A minha preocupação é no sentido de que pode ser outra criatura, como disse o colega acima, de que foi um guerrilheiro chegado ao grupo do governo atual e que como volta, entra com pedido de indenização e é outro que leva o dinheiro do povo no bolso, como tantos o já estão levando. E aí haja dinheiro para a educação, saúde, segurança e para os verdadeiros trabalhadores aposentados de nosso país, que sempre acabam com suas aposentadorias achatadas e estorquidas.

  4. Esse ai ficou bem pra caramba!!! Passou os melhores anos da liberdade sexual logo na Suécia. Deve ter aproveitado muito!

  5. Ele ficou neste período proibido de ler jornal e se atualizar? Será que ele sabe que o murro de Berlin caiu?
    Quando ele descobrir a corrupção que o Brasil se transformou, vai querer voltar correndo para novo exílio de mais 40 anos!

  6. É ESTE bRASIL NÃO TEM JEITO MESMO!!!!!
    Agora aparece mais dos “salvadores da patria”a retornar infelizmente. Devia ter ficado lá , pois não fez falta nenhuma aqui.Os outros que já foram para a outra dimensão já estão de braços dados com o capeta, esperando ele.
    Agora só falta o (des)governo brasileiro pagar indenização ao “velho”. Espero que com o dinheiro dos impostos pagos por esse povo burro, não. Paguem com os desvios fantasticos que a camara dos deputados e senado constantemente realizam

  7. Ele não sabe que seus companheiros, banditos de outrora, hoje estão “por cima da carne seca”??? e que a impunidade no Brasil corre solta??? Por que o medo de ser preso???

  8. Quem não vê um companheiro bem e quer voltar participar? só espero que não venha pra tirar mais um do cofrinho…

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