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Queda recorde na indústria brasileira

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Liana Melo e Fabiana Ribeiro no Globo

Foi um tombo histórico, que não se via desde 1975, quando o IBGE começou a fazer sua série histórica de indicadores da indústria. A produção industrial brasileira despencou 13,4% entre janeiro e junho deste ano, no pior primeiro semestre em 34 anos. Foi uma queda maior do que a registrada até mesmo em 1991 (quando o país mergulhou numa recessão com o confisco do presidente Fernando Collor) ou em 1980, após o segundo choque do petróleo de 1979.

Ainda assim, a indústria cresceu 0,2% em junho passado, na comparação com maio, já descontados efeitos sazonais, e analistas veem sinais de uma gradual recuperação.

No primeiro semestre, porém, dos 27 setores pesquisados, 24 registraram recuo e nem mesmo os segmentos beneficiados com medidas anticrise conseguiram evitar números negativos. Os únicos três setores da indústria que registraram expansão no primeiro semestre foram farmacêutico (10,3%), equipamentos de transporte (14%) e bebidas (5,2%).

Apesar da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a produção de veículos caiu, nos primeiros seis meses do ano, 23,6%, no pior resultado do setor para um primeiro semestre desde 1991.

E, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de automóveis caíram 4,92% em julho, na comparação com junho, para 285.406 unidades.

No ano, porém, as vendas registram alta de 2,34%.

Fundo do poço ficou para trás, diz analista

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) — setor também beneficiado pela redução do IPI — indicam uma queda de 19,4% no faturamento no primeiro semestre, para R$ 29,31 bilhões. As exportações no setor recuaram 29,2%, para US$ 3,797 bilhões. E o consumo interno caiu 6,3%.

Mas, segundo o IBGE, a produção industrial vem dando sinais de melhora e recuperando parte das perdas do último trimestre de 2008, quando o país foi atingido pela crise global.

Considerando o crescimento mês a mês (ou seja, na série com ajuste sazonal), a indústria acumula expansão de 7,9% entre dezembro de 2008 e junho. Trata-se de uma taxa, porém, ainda longe de zerar a perda de 20% registrada no fim do ano passado. A retomada, ainda que lenta, sinaliza uma reação da produção industrial, na avaliação de Isabella Nunes, no IBGE.

— É natural que, depois de taxas anteriores, que foram de crescimento forte, ocorra uma acomodação — analisa Isabella, referindo-se ao fato de, em junho último, a indústria ter registrado crescimento de 0,2%, inferior portanto ao 1,2% de maio.

A retomada da indústria vem sendo liderada pelo segmento de bens de capital o que, para João Saboia, do Instituto de Economia da UFRJ, é sinal de confiança dos empresários. Em junho, esse segmento — que produz máquinas e equipamentos para outros setores da indústria e, por isso, é um termômetro dos investimentos da economia — cresceu 2,1% frente a maio.

— O fundo do poço está ficando para trás — avalia Sabóia.

Mesmo concordando com Saboia que a indústria está retomando uma trajetória de crescimento, Ariadne Vitoriano, da Tendências Consultoria, não acredita que o país consiga chegar ao fim do ano registrando um taxa positiva. Ao contrário. Pelas suas projeções, a produção industrial deverá fechar 2009 com uma queda de 8,7%.

O presidente do Sindicato da Construção Civil do Rio (SindusconRio), Roberto Kauffmann, está confiante e aposta em números positivos para os próximos meses, ainda que o setor tenha registrado retração de 9,5% na produção de insumos para a construção civil ante junho de 2008.

Assim como automóveis e máquinas e equipamentos, alguns materiais de construção tiveram redução de IPI.

Kauffmann prevê que o setor tenha expansão entre 3% e 5% este ano.

— O setor tem potencial para crescer, especialmente com investimentos em infraestrutura, obras públicas e programas do governo — disse Kauffmann.

Apesar do tombo da indústria, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, está convencido de que o país saiu da recessão.

Ontem, Meirelles afirmou que a economia brasileira já apresenta sinais claros de ter crescido no segundo e terceiro trimestres do ano.

Exportações recuam 10,7% em julho

Com peso de 24% no Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) a indústria foi a atividade econômica mais afetada pela crise internacional, porque é muito influenciada pelo comportamento das exportações e da oferta de crédito.

Ontem, o Ministério do Desenvolvimento informou que as exportações brasileiras caíram 10,7% em julho, frente a junho, totalizando US$ 14,143 bilhões. As importações, por sua vez, cresceram 4%, para US$ 11,215 bilhões, resultando num superávit comercial de US$ 2,928 bilhões.

Para o diretor de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, a valorização contínua do real frente ao dólar deve fazer com que os exportadores — cujas vendas desabaram 30,8% em julho na comparação com o mesmo mês de 2008 — percam rentabilidade este ano em reais. Levando em conta uma estimativa de exportações para este ano em torno de US$ 160 bilhões, ele acredita que o prejuízo será de cerca de R$ 48 bilhões.

Ele criticou o BC. Disse que hoje, no governo, não há ninguém que se responsabilize pela “estabilidade cambial”, agindo para evitar oscilações e movimentos especulativos: — O Banco Central não cumpre este papel.

COLABORARAM Lino Rodrigues, Eliane Oliveira e Eduardo Rodrigues

2 Comentários

  1. E tem por aí “AnalfaLulas” e sua corja querendo nos fazer engolir que nunca o País esteve tão Bem.

    Vamos dar uma pequena explicação, e deixem-me desculpar-me já que didática não é o meu forte.

    Matemática é uma ciência exata, e a estatística é uma área dela, com estatística é possível fazer parecer correto qualquer resultado vai do ponto de viste que ele for enfocado.

    Quando os manipuladores dos Números, como no caso são desonestos e teem intenções escusas, eles fazem as estatísticas dar o resultado que lhes convém.

    Graças a Deus, temos Jornalistas capacitados e no vira e mexe nos trazem as verdades tal como elas são.

    PARABÉNS E O MEU MUITO OBRIGADO,

  2. CAÇADOR DE PETISTAS Responder

    POR QUE O BRASIL NÃO CRESCE?

    Se alguém ainda tinha dúvida quanto à razão que impede o Brasil de crescer ao redor de 10% ao ano como alguns países emergentes, não tem mais. Basta ler o estudo que foi preparado pelos economistas José Roberto Afonso, Geraldo Biasoto Júnior e Carolina Freire para apresentação em fevereiro durante fórum da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal).

    O documento mostra que o governo do Brasil investe apenas 1,9% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em infra-estrutura e equipamentos, embora os gastos globais do setor público somem 46,6% do PIB, o que equivale à média do que gastam os países mais desenvolvidos, que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre 44 nações emergentes e desenvolvidas, o Brasil apresenta a quinta menor taxa de investimento público.

    Embora tenha uma carga tributária que está entre as mais altas do mundo, o Estado brasileiro não tem sabido direcionar o que arrecada, malbaratando verbas em aposentadorias e salários milionários no serviço público, empresas estatais deficitárias, despesas excessivas da máquina pública, amortização da dívida e atividades que poderiam muito bem ser transferidas para a iniciativa privada.

    Além disso, a pretexto de fazer justiça social, o governo tem estimulado o crescimento dos benefícios assistenciais e subsidiados, item, aliás, que foi o que mais cresceu. Tais benefícios não oferecem a contrapartida do cidadão ou da parte da população beneficiada, como o seguro-desemprego, programas de renda mínima, Fome Zero e a aposentadoria rural. São programas pretensamente sociais, que rendem votos, mas que constituem uma armadilha que ajuda a emperrar o crescimento do País. Sem contar os famosos ralos da corrupção por onde escoa boa parte dos recursos públicos.

    É claro que isso vem de longe. E é fruto de uma mentalidade atrasada que ainda considera o Estado Leviatã um instrumento de justiça social, quando o Estado, em razão da força centrípeta que o move, o que mais quer é expandir os seus tentáculos indefinidamente. E sempre à custa da sociedade, cujo sangue pretende sugar à exaustão.

    Segundo o estudo, o custeio do setor público consome 19,5% do PIB, enquanto a transferência de subsídios e programas previdenciários e assistenciais levam mais 17,1%. Para piorar, o governo brasileiro gasta 8,2% do PIB em juros por força de uma política monetária excessivamente conservadora. Assim não dá. Enquanto esse quadro persistir, a economia brasileira continuará a registrar o crescimento medíocre dos últimos anos, ao redor de 2%, o que significa o agravamento dos problemas sociais.

    Em outras palavras: o gasto médio do Brasil nos últimos anos foi de 46,6%, taxa igual à das economias ricas (46,5%) e superior em 10% à média registrada em países emergentes. Em compensação, a taxa média de investimento público (1,9% do PIB) é a metade da registrada em economias em desenvolvimento (3,7% do PIB).

    Eis aqui o busílis da questão. O Brasil tem hoje uma carga tributária superior à média dos países ricos e gasta com investimentos públicos menos do que a média das economias emergentes, tendo por trás disso tudo a enorme pressão resultante de uma política monetária concentrada na aplicação de taxas de juros reais que constituem recorde mundial há muitos anos. É o que prova o estudo.

    Não é preciso ser Prêmio Nobel em Economia para perceber que, com a globalização, a logística e o transporte passaram a atuar como fatores essenciais para uma inserção mais ampla do País no mercado internacional. E que o Brasil só escapará do destino trágico que se desenha no horizonte se ampliar a sua capacidade produtiva, aumentando a sua presença no mercado externo. Só assim será possível estimular o crescimento do mercado interno, a partir da geração de milhares de empregos.

    Com mais empregos, com certeza, cairão os números da evasão escolar e da violência social. Porque, afinal, só o emprego dá dignidade ao cidadão e à família. Para isso, no entanto, é preciso não só que o Estado passe a gastar melhor o que arrecada, investindo em projetos de infra-estrutura, como é fundamental buscar acordos internacionais relevantes. Caso contrário, o Brasil corre o risco de ficar excluído dos mercados internacionais. E chafurdar no caos social.

    FORA LULA, FORA DILMA, FORA SARNEI,FORA PMDB
    VERDADEIROS VERMES PARASITAS DO BRASIL

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