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A decadência das ideologias e dos valores

povo_espanha3[1]

Para refletir neste domingo, as questões oferecidas por Maria José Nogueira Pinto, no Diário de Notícias de Lisboa.

1. Foi a decadência das ideologias que arrastou a decadência dos valores. A questão que, apesar de tudo, permanece é a de saber se sem convicções e sem valores pode haver, verdadeiramente, luta política ou, mesmo, política. Como podemos resignar-nos a uma política assepticamente não ideológica, não valorativa, sem princípios objetivos, sem convicções? Uma agenda política tem de definir valores, convicções e políticas consequentes: tem de escolher em nome desses valores e da sua coerência, uns caminhos, e tem de rejeitar outros.

2. Porque uma das razões da indiferença dos cidadãos comuns pela política é que esta, como espetáculo (às vezes triste) do protagonismo de personalidades e de casos, lhes surge como alheia ao que realmente é importante. Resta saber se o “eleitorado” é uma abstração com que os especialistas em sondagens se entretêm, uma massa incapaz de pensar, movida por slogans primários, promessas vãs, convocada para o espetáculo, mas excluída de ser parte, ou se são pessoas que sabem que a fantasia é inimiga do futuro e não querem mais sonhos efêmeros que as façam perder tempo?

4 Comentários

  1. Tem muita pertinência a visão da articulista portuguesa. Este breve retrato do que presume-se ocorre em Portugal ocorre no Brasil. Sintomático até culturalmente. A par da decadência de valores, no Brasil avançamos à própria inversão de valores – o errado passa a ser o certo e mesmo defendido pelo político. Lula (nada sabe do mensalão), Sarney (não foi ele quem fez os atos secretos) e Requião (nepotismo familiar, culpa do pedágio na herança neoliberal, uso politiqueiro da RTVE) são exemplos. Mas o mais tenebroso é o compadrio entre os poderes públicos. No Paraná, “nada é investigado, ninguém é punido”, conforme apostrofou o deputado Fruet em pronunciamento no Congresso. O exemplo intolerável foi a nomeação do nepote do governador a uma vaga vitalícia no Tribunal de Contas, para o que TODOS os segmentos dos poderes públicos envolvidos DERAM SEU COTA de submissão à vontade personalíssima do governador, com algumas exceções honrosas. Foi necessário um irrisignado cidadão ir ao STF para ser cassada a nomeação. Aí entra, portanto, a questão da indiferença dos cidadãos ou da sociedade organizada em geral quanto a todos estes desmandos, esta inversão de valores, apregoada como legítima pela politicagem que se assenhorou dos cargos públicos para seu exclusivo interesse ou recíproco toma lá dá cá. As pesquisas ou sondagens levadas a efeito são altamente questionáveis e deveriam ser objeto de investigação séria do Ministério Público e do Parlamento, porque manifestamente parecem mais se destinar a “conduzir” as mentes, “fazer as cabeças” do que a informar a real situação do seu objeto. E enfim, a mídia em geral, que inobstante apurar fatos contundentes e de interesse público deixa-os cair no túnel do tempo passado para nunca mais retornar ou cobrar sua apuração pelas ditas autoridades públicas. A sociedade brasileira está na mão de uma nomenklatura pública que se criou a partir da Constituinte de 1988 (Ulysses dizia que era a “Constituição Cidadã”), que, apoderando-se dos mandatos eletivos, dos cargos públicos e do recursos financeiros do Estado, vive em compadrio escandaloso atendendo suas benesses e sinecuras e deixando as prioridades nacionais para vésperas de eleições, para tudo continuar como era antes. Temos que repensar urgentemente a República ou ela, da forma como está sendo exercida, nos sufocará como o país de maior carga tributária, maior taxa de juros, maior criminalidade, menor saúde, educação e segurança públicas. E a sociedade continua votando nos mesmos e nos mais desqualificados, para logo esquecer em quem votou.

  2. Renato.endres@gmail.com Responder

    Pô,tão bom quanto o artigo,é o comentário do Jango.Êle conseguiu trazer a teoria da portuguesa para dentro do nosso quintal de uma maneira muito lúcida.Parabéns Jango,vc prova que este blog não é lido sòmente por beócios deslumbrados do mauricinho prefeito que em nada difere dos outros políticos em geral.Viva a lucidez!!!Abaixo o conformismo e o deslumbramento!!
    Só nós(eleitores) poderemos mudar êste status.
    Um grande abraço
    Renato

  3. Renato.endres:
    Procuramos contribuir com a oportunidade que nos oferece o Fabio Campana apresentando temas para reflexão, geralmente muito oportunos. O compadrio dos poderes públicos no Paraná é exemplarmente tenebroso. É bom sabermos que não estamos só nesta visão. Grato pela sua manifestação.

  4. Nelson Edison de Moura Rosa Responder

    Um amigo, servidor público em uma cidade de 40 mil habitantes, Diretor da Secretaria de Administracao do Municipio me segredou certa vez…
    Dizia ele: “Não sei o que faço. Meu filho que já tem 18 anos me reclamando que precisava de tenis de marca, calça, etcc.. e eu lhe respondi que o que ganhava não dava para estravagâncias e que estava economizando para a cobertura da faculdade dos filhos..
    O filho, imediatemente respondeu: Voce vive dizendo e falando sobre honestidade… Você não é honesto, você é muito burro, pois tem pessoas na prefeitura que ganham muito menos que você e tem dois carros zero, casa nova, viaja com a familia sempre e todos usam tudo de “marca”.
    Neste caso, caro amigos, RESIDE A IMPUNIDADE… O DESLEIXO DA JUSTIÇA, DOS TRIBUNAIS DE CONTAS, DOS VEREADORES E DEPUTADOS…
    O balaio Brasil está feio… E não sabemos quando vamos limpá-lo…

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