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Mobilização do CNJ descobre cinco milhões de processos sem baixa

justiça
O Estado de S. Paulo

Acostumados a trabalhar sem dar satisfações sobre resultados, os juízes se defrontaram com uma novidade decidida e anunciada no 2º Encontro Nacional do Judiciário, em fevereiro. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabeleceu a chamada meta 2 para a identificação e julgamento, ainda neste ano, de todos os processos ajuizados até 31 de dezembro de 2005.

O pente-fino nos arquivos ajudou numa descoberta impressionante: 5 milhões de processos estavam julgados em definitivo, mas engordavam a estatística da morosidade do Judiciário, pois ainda não haviam recebido baixa. Além desses, havia 5,2 milhões de ações anteriores à espera de julgamento há mais de quatro anos.

Um processo julgado, mas não baixado, aparece para a Justiça como se ainda estivesse pendente. Um réu absolvido, após ser acusado por um crime, continua com a ficha suja até que haja a baixa do processo. Mas o efeito das sentenças independe da baixa. Uma condenação, por exemplo, passa a valer imediatamente após a publicação do acórdão, mesmo que o processo ainda conste nas estatísticas dos pendentes.

– O CNJ não persegue ninguém, não é um órgão de repressão – disse ao Estado o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp. – Estamos apenas trabalhando em cima do problema mais grave do Judiciário, que é a falta de planejamento e gestão – acrescentou.

As primeiras críticas à meta 2 partiram dos juízes, que já se dizem sobrecarregados e afirmam que impor metas quantitativas para julgamentos pode provocar decisões erradas.

Mas o CNJ bateu pé e os juízes passaram a perseguir o cumprimento da meta. – O cartório da Vara do juiz de primeiro grau e o gabinete do desembargador não são feudos impermeáveis a novos métodos. Não basta que o juiz e os servidores trabalhem muitas horas. É preciso trabalhar de modo eficiente – disseram os juízes no relatório da inspeção no Pará.

Desde o início do ano, os magistrados julgaram 1,4 milhão (27%) do total de 5,2 milhões de ações identificadas como pendentes. Restam, portanto, 3,8 milhões para os próximos dois meses. Segundo o CNJ, a meta já foi cumprida pelos tribunais regionais do Trabalho das 11ª, 13ª, 14ª, 16ª e 22ª regiões, pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do Amapá e do Acre e pelo Superior Tribunal Militar (STM). Outros estão próximos de atingir o objetivo.

Mas nem todos chegarão lá, admitem o presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, e o corregedor Dipp. Mas 70% de todos os processos ajuizados até 2005 devem estar julgados até o final do ano. Não há punição para quem descumprir a meta, mas, como todos os números serão divulgados, os magistrados poderão ser cobrados pelo desempenho.

Uma forma de buscar o saneamento dos processos antigos foi promover semanas de conciliação nos tribunais. As partes foram chamadas para discutir a possibilidade de um acordo. Entre 14 e 19 de setembro, o mutirão da conciliação homologou 25.723 acordos em 69.728 audiências.

Além da meta de julgar os processos antigos, os tribunais têm outras nove balizas traçadas que envolvem a informatização dos processos e a implementação de sistemas para controlar a execução das penas.

3 Comentários

  1. A SEGURANÇA, FALIU !

    A SAÚDE, FALIU !

    A EDUCAÇÃO FALIU !

    E A JUSTIÇA, TAMBÉMM FALIU !

  2. Policial Militar Responder

    Palavras de Castelo Branco pouco antes de deixar o poder: “cometi apenas um erro: não intervir no Judiciário.” Em razão disto, temos que conviver com este paquiderme anabolizado. O CNJ é uma grande conquista, mas, ainda não é suficiente. Sempre que um Juiz figurar num dos pólos da ação, seja cível ou criminal, o fato deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. Com esta medida os Juízes brasileiros, finalmente, respeitarão os cidadãos deste País.

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