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Juanita Castro entrega a espiã brasileira Nininha Leitão da Cunha

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Flávio Tavares no Zero Hora

Todas as histórias de espiões são fantásticas em si próprias. A espionagem é atividade secreta e pública ao mesmo tempo, tão antiga quanto aquela outra, a profissão mais velha do mundo – a prostituição. No fundo, ambas se assemelham ou se igualam. Em cada uma, tudo depende da simulação, do faz de conta retribuído em dinheiro. O êxito está em saber mentir ou na capacidade de enganar.

Nem a fantasia da melhor ficção de espionagem, porém, supera o que Juanita Castro (foto) revela agora num livro de memórias sobre os anos em que trabalhou em Cuba como espiã da CIA norte-americana. A irmã de Fidel Castro desnuda tudo e conta como a brasileira Virgínia a recrutou para o mais sofisticado órgão de espionagem do planeta.

Sim, a brasileira Virgínia Leitão da Cunha, casada com Vasco Leitão da Cunha, embaixador do Brasil em Cuba, recrutava espiões para os Estados Unidos.

No início do governo de Fidel, em 1959 (quando os guerrilheiros vitoriosos eram independentes e não tinham optado pelo socialismo ao estilo soviético), nos salões da embaixada brasileira em Havana, a embaixatriz ouviu as críticas de Juanita à reforma agrária e iniciou seu trabalho. Ofereceu dinheiro de uma potência estrangeira e apresentou sua amiga aos agentes secretos da Central Intelligence Agency.

Que a irmã de Fidel tenha se transformado na agente “Donna” da CIA, é um assunto dos cubanos ou um penoso problema de família. Muito pior fez Caim ao matar Abel e nem por isso a humanidade se estancou.

Terrivelmente fantástica, porém, é a participação da embaixatriz do Brasil. Se recrutava agentes secretos, a única explicação plausível é que trabalhava para a CIA. Ninguém granjeia confiança numa engrenagem tão sofisticada só por ser simpática.

Mas, se trabalhava para a CIA, o marido sabia? Tudo leva a crer que sim, pois não há evidências de que o casal vivesse sequer em discordância. Se ele o sabia, também conhecia que ela utilizava as imunidades e vantagens diplomáticas para infiltrar-se onde fosse.

A teia nos leva a uma trama infinita e desemboca numa pergunta óbvia, quase constatação: e se o próprio marido trabalhasse para a CIA?

Leitão da Cunha assumiu a embaixada em Cuba no governo Juscelino Kubitscheck e só saiu de Havana no final de 1961, quando João Goulart o nomeou embaixador na União Soviética. No auge da Guerra Fria, quantas russas terá recrutado nossa embaixatriz? O casal detestava o frio, mas só saiu de Moscou após o golpe de 1964, quando Leitão da Cunha foi nomeado ministro de Relações Exteriores do governo de Castelo Branco.

Com ele, começa a política de submissão incondicional aos EUA. Foram os anos em que nosso (nosso??) embaixador em Washington bradava em público que “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”, política que nem Costa e Silva ou Médici mantiveram como regra.

À exceção de Juanita, os demais personagens morreram e a teia não se desvendará. Nossas corporações são fechadas, seus membros se protegem uns aos outros como caranguejos na carapaça e, nisso, o itamaraty é um sólido crustáceo. Mas a espionagem concreta está aí e sobrepuja a fantasia.

Espiamos pelas frestas desde pequenos, em travessura, sabendo que é incorreto. Ninguém sabia, porém, que até nisso Deus é brasileiro e nos deu uma Matta Haari com outro nome.

12 Comentários

  1. Fico muito feliz em saber que mesmo de forma discreta, teve brasileiros que se indignaram e lutaram contra a revolução sanguinaria de Fidel e Che! Uma pena que não tenham conseguido restituir a liberdade para os cubanos, mas é provavel que tenham salvado algumas vidas…

    Espero ainda ver CUBA LIBRE!!!

  2. Ora que absurdo, o que era sanguinareo era a forma com o Batista e a elite americana prostituía a Ilha, seus filhos e seus descendentes, deixando-os ao regalo da sorte de uma esmola ou de um favor sexual!!
    Fidel pode ter defeitos, porém, fechar os olhos para o que ocorria na ilha antes dele é mediocridade e hipocrisia. Justificar suas acoes a partir disso tbem nao é a soluçao, mas ignorar os avanços sociais é outra hipocrisia. Pq a medicina, o esporte e a alegria co povo cubano é melhor q o resto do mundo?

  3. Silvano Andrade Responder

    Eu sonho em ver a Cuba livre…mas não ser comandada por burguês…se for para ser comandada por burguês…então que fique o poder com o Raul…Já tive o previlégio de conhecer Cuba em tempo de Furacão…é o máximo…mostra o quão somos nada perante a natureza…tenho certeza que se burguês querer colocar as asinhas pra fora…o povão Cubano decapita o maldito…
    O povão Cubano quer igualdade e dignidade…Não quer burguês andando de Bmw, ou ostentando poder através do dinheiro…

  4. Viva Cuba livre!!!
    Livre dos porcos capitalistas, dos arrogantes americanos, dos reacionarios nazistas, das pessoas como a Renata e a Virgínia Leitão da Cunha.
    Viva el Che
    Viva Fidel
    Viva a revolução!!!!

  5. Com essas revelações da Juanita, tomamos conhecimento de forma deplorável que nosso embaixador, posteriormente ministro das relações exteriores, era assalariado e informante de uma organizaç/ao de espionagem extrangeira. Seguramente os interesses de nosso país não poderiam ser os mesmos da CIA e dos americanos. Diante disso, mesmo pós-mortem, deveriamos dar a esse “leitão” o título de traidor da pátria e a sua dignissima esposa, ser promovida de “leitoa” para porca rampera!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  6. Cuba com Fidel e sua turma foi um atraso para a Ilha. Cinqüenta anos de poder nas mãos de um homem que não fez nada de espetacular. Apenas trocou o poder de mando e usurpou o que pode, além de comandar o morticínio de todos quantos se opusessem ao seu regime ditatorial e covarde.
    De bom, a ilha tem um povo maravilhoso e a natureza que à privilegiou em todos os sentidos. No mais o povo vive num miserê danado. Os salários dos trabalhadores são uma vergonha, quando encontram emprego, é claro; a qualidade de vida péssima, os profissionais qualificados como médicos, engenheiros etc, não ganham nem para uma alimentação digna.
    O povo é alegre, porém bebe em demasia para esquecer o sofrimento e busca na música um alento para a alma. As jovens, por necessidade financeira e também para ajudar a família, acabam se prostituindo por não ver um futuro promissor.
    Tudo, na ilha cubana é fantasia, enquanto o regime for fechado e cuja chave permanecer nas mãos da família Castro (Fidel e Raul), ou de qualquer outro usurpador da esquerda socialista e decadente, de Cuba.
    Lá a miséria é a realidade. O Malecon que o diga!

  7. Provavelmente esta história está vinda à tona, preparando alguma ação de algum parasita que buscará alguma indenização do erário, por alguma espécie de dano… como virou moda no Brasil, os fracassados, miseráveis, vagabundos e ex-militantes contra qualquer coisa enxergam no tesouro uma chance de ganhar uma bolada sem fazer qualquer esforço e passar o resto de suas vidas miseráveis fazendo o que sempre fizeram: friccionando longamente a bolsa escrotal… pena que falhou o plano de se aproximar do cachaceiro-charuteiro de Cuba e seu irmãozinho nanico e assassino… teria sido um saneamento básico…

  8. Alguns vão dizer que Cuba é uma ditadura forjada por Fidel. Outros dirão que ele tirou Cuba do controle da máfia americana e seu sócio sanguinario Fugêncio Batista e transformou Cuba numa sociedade socialista de fato. Bem, o fim do domínio da máfia ninguém pode negar. Mas essa polêmica não me interessa nessa matéria. A questão de fundo não é Cuba e sim a confirmação que autoridades diplomáticas brasileiras eram espiões da CIA. Lamentável. E ainda mais sabendo que esses arapongas a serviço da CIA influenciaram em parte os rumos da relação americana com a ditadura assassina no Brasil. Pena essa corja já está morta. Queria ver a cara deles depois de desmascarados. Mas é bom essa história ter vindo a tona para manchar seu passado e sua honra, se é que tinham. Mas fica uma pergunta: será que eram apenas esses diplomatas que faziam esse jogo sujo naquele período? Duvido. Domingo na Discovery vai passar um especial sobre essa história. Vou ver para me interar dos detalhes dessa podridão.

  9. Essa historia de que o que é bom para os E.U. é bom para o Brasil é muita ingenuidade ou traição. Alguns até afirmam que fomos beneficiados com a tecnologia desenvolvida pelos E.U., mas esquecem que nada nos foi dado e sim pagamos com muito suor e fornecemos materias primas a preço de bananas. Segundo reportagens o Brasil estava numa politica independente em relação a outras nações até o golpe financiado pelos E.U. , pois o proprio embaixador estadunidense, afirmou que foram milhões de dolares. Os E.U. sempre visaram seus proprios interesses manipulando governos conforme suas conveniencias, mantendo comercio com varios paises independentes de ideologias e ditaduras, mas se intrometem em assuntos externos e de soberanias de outros paises. Lamentavel saber que brasileiros que deveriam zelar pelos nossos interesses se curvaram a subserviencia e traições de nossa Patria e deveriam ser severamente investigados e punidos atos semelhantes. Se a situação fosse invertida como os E.U. teriam reagido, na época e hoje???

  10. tive a oportunidade de trabalhar na casa da filha de vasco leitão fiquei maravilhada com a historia da familha quero ler esse livro gostaria de informações sobre o livro.

  11. Improvável. Absolutamente improvável! Da. Nininha salvou a vida de Fidel Castro quando ele esteve escondido nos porões da embaixada, por alguns meses. Fidel respeitava o
    Embaixador e sua família a ponto de poupar a vida de Toni Cuesta, a pedido do Embaixador. Juanita é do tipo de fazer qualquer coisa para atrair atenção inclusive acusar uma senhora da estirpe da Da. Virginia! Essa estória não é digna da menor credibilidade!

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