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2010: Só 25% têm candidato na ponta
da língua

opiniao

* José Roberto de Toledo, do O Estado SP

Do ponto de vista do eleitor, a corrida presidencial não começou para valer. Tome-se a pergunta espontânea sobre intenção de voto na última pesquisa CNT/Sensus. Nada menos do que 52% dos eleitores não responderam ou não souberam responder em quem votariam se a eleição fosse hoje. Outros 18% responderam “Lula”, que é inelegível, e 5% disseram que anulariam ou votariam em branco.

Resumo: só 25% dos eleitores optaram, de cara, por um dos candidatos elegíveis. Os outros 75% provavelmente nem sequer haviam pensado seriamente no assunto até serem abordados pelo pesquisador.

Mesmo depois de expostos aos cartões com as várias hipóteses eleitorais, um porcentual entre 23% e 41% dos eleitores (dependendo de quem são os candidatos) declara que não sabe em quem votar ou que votará nulo/branco. Isso mostra que a eleição ainda está distante do universo de preocupações do entrevistado. É o que os pesquisadores denominam “imposição de problemática”.

Pesquisas de opinião nesta fase da campanha eleitoral servem, principalmente, a outros propósitos: 1) saber se a eleição será de situação ou de oposição; 2) avaliar o grau de conhecimento dos candidatos pelo eleitorado; 3) testar cenários de disputa; 4) avaliar a rejeição e o potencial de crescimento dos presidenciáveis; 5) sondar os temas que mais preocupam os eleitores e que nortearão as campanhas.

Se a eleição fosse hoje, seria mais favorável ao candidato da situação do que ao da oposição. O grau de aprovação do governo federal (ótimo + bom) supera dois terços do eleitorado: 67% segundo o Datafolha (agosto), 69% pelo Ibope (setembro) e 70% pela pesquisa mais recente, do Sensus. Nem o blackout parece ter diminuído essa aprovação.

Em cenários assim, candidatos da situação politicamente inexpressivos acabaram eleitos. Foi o que aconteceu nas duas maiores cidades brasileiras em 1996. Dois secretários municipais com perfil tecnocrata e que jamais haviam ganho uma eleição importante acabaram virando prefeitos: Celso Pitta em São Paulo, e Luiz Paulo Conde no Rio de Janeiro -por força da boa avaliação de seus respectivos chefes, Paulo Maluf e Cesar Maia.

Isso não quer dizer que 2010 sejam favas contadas.

Principal oposicionista, José Serra (PSDB) é o mais conhecido dos presidenciáveis. Só 6% dos eleitores dizem não saber quem ele é. Isso explica os seus 9% de intenção de voto espontânea, o maior percentual depois de Lula, e sua liderança na pesquisa estimulada (quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor).

Uma relativamente baixa taxa de rejeição (28%, pelos critérios do Sensus) dá a Serra um alto potencial de crescimento: 63%, no limite. O cenário mais favorável ao tucano é sem Ciro Gomes (PSB) e com Marina Silva (PV) na disputa. Aí ele chega a 40% na estimulada. Quando o deputado cearense entre em jogo, o percentual de Serra cai a 32%.

Já a candidata do governo, Dilma Rousseff (PT), tem 6% na espontânea, entre 21% e 28% na estimulada (dependendo do cenário), e 34% de rejeição. É desconhecida por 13% dos eleitores e tem um potencial de voto de 56%, sempre segundo o Sensus. Ciro se sai um pouco melhor do que Dilma, mas pior do que Serra.

Como explicar, então, essa aparente contradição, em que o cenário é o de uma eleição de situação, mas todos os números favorecem o principal oposicionista? O eleitor aprova Lula, mas sem o presidente na disputa, o nome que mais lhe vem à cabeça é o de Serra, por que?

Para a maioria dos eleitores, esse problema ainda não existe na prática, e, quando se vê à frente do pesquisador, usa mais a memória do que o raciocínio. O mais provável é que, apenas quando a Copa do Mundo acabar e a campanha chegar diariamente à TV e ao rádio, o eleitor médio se preocupe em decidir se quer manter o que aí está ou se prefere que as coisas mudem. E, só então, escolha aquele que, na sua opinião, representa melhor uma dessas opções.

Até lá, caberá ao candidato(a) da situação convencer o eleitorado que ela(e) é Lula e que Lula é ela(e). Pode parecer fácil, mas não é. Para o candidato(a) da oposição, a tarefa é duplamente difícil: provar ao eleitor que é mais capaz do que seu adversário(a) situacionista, e que uma mudança é necessária.

*É jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji

4 Comentários

  1. CAÇADOR DE PETISTAS Responder

    Hummm, interessante pois, isto significa que as pessoas estão com um pé atras sobre a candidatura da Guerrilheira Dilma, candidata de Lulla.

    Que bom, acredito que as pessoas ao contrário da Petezada, não tem memória curta e sabe que a estabilidade econômica atual, foi graças ao Plano Real e não foi mérito de Lulla da Silva como o ditador quer pregar.

    Também, o povo esta vendo que, os gastos do governo com as Olimpiadas não passa de palanque político para querer alavancar Dilma Guerrilheira pois, milhares de pessoas são arrastadas pelas águas lamacentas das chuvas no Brasil afora devido a falta de investimentos em moradia e infra estrutura.

    O povo também vê a criminalidade aumentando e os bandidos mais armados que a polícia.

    O povo vê, o povo sente que, o governo lulla é o governo do pão e circo e a auto estima so se consegue com trabalho e não mendigando bolsa familia eternamente como o Ditador quer.

    O povo esta percebendo a amizade avermelhada de Lulla e Chaves e teme também trilhar o mesmo caminha da Venezuela.

    O povo percebe que o Governo Lulla da Silva tem raiva da classe média e so pensa em dar de comer a populaçãoe esquece dos outros direitos Constitucionais tais como, saúde, lazer, educação, moradia.

    O povo brasileiro também esta percebendo de que, os Bancos nunca ganharam tanto dinheiro como estão ganhando com o governo de Lulla da Silva e é óbvio de que não querem largar a teta.

    Enfim, o povo brasileiro esta mais esperto e vai dar seu voto caladinho na hora certa e a ganque do PT/MST, jamais terá o poder novamente e deixará de enganar a poppulação.

    Acorda Brasil

  2. Serra conhecido por 94% dos eleitores, esta na frente de Dilma que só é conhecida por 87% dos eleitores, e provavelmente estes 13% que não conhecem a Dilma é o povo pobre que vota no candidato do PT seja ele quem for, ai temos então que somar estes 13% aos 28% = 41%.
    Dilma vai ganhar e o Serra vai perder mais uma.

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