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A pouco convincente ‘defesa’ de Arruda

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Via Josiasde Souza na Folha Online

Depois que o dinheiro da propina do DF virou grana de panetone, todo mundo já estava desobrigado de fazer sentido no Brasil.

Nesta segunda (30), o governador José Roberto Arruda veio aos holofotes para arredondar a sua defesa.

Num curto pronunciamento, o mandachuva do GDF voltou a usufruir do vale-tudo semântico que inaugurara no final de semana. Arruda desqualificou seu algoz: “Durante 8 anos o denunciante, Durval Barbosa, hoje réu em 32 processos…”

“…Todos por atos praticados no governo anterior, foi presidente da Codeplan, empresa de informática do governo [Joaquim] Roriz”.

Tolice. Que Durval é desqualificado, ninguém ignora. A questão é: Por que Arruda, depois de eleito, o arrastou para dentro do seu governo?

Vale a pena continuar ouvindo Arruda: “Na montagem da equipe de governo, o denunciante desejou continuar na empresa de informática…”

“…Avisados de que ele respondia, como réu, a processos por condutas praticadas no governo anterior, não concordamos com sua permanência no mesmo posto…”

“…E o mantivemos no governo, em outro setor, meramente burocrático, já que não havia ainda nenhuma condenação”.

Desconversa. Sob Arruda, Durval serviu, primeiro, como assessor especial do governador. Depois, como secretário de governo. Foi, portanto, promovido.

Arruda discorreu sobre as verbas que Durval, ainda sob Roriz, lhe provera.

Reconheceu que manteve com o réu em 32 processos um relacionamento financeiro longevo. Durou três anos.

Disse: “Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais, nos anos de 2004, 2005 e 2006…”

“Entre os quais o que foi exibido pela TV [R$ 50 mil], foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral”.

Esperteza. O governo converte propina em verba “social”. Transforma dinheiro de má origem em doação de campanha. Caixa dois. Coisa que não dá cadeia.

No último mês de outubro, Arruda manteve com Durval um diálogo de 55 minutos. Conversa vadia, sobre compra de deputados.

Tudo devidamente captado por um equipamento de escuta que a Polícia Federal plantara sob as roupas de Durval.

Devolva-se a palavra a Arruda: “Quanto ao diálogo gravado no dia 21 de outubro, fica claro que foi conduzido para passar uma versão previamente estudada..”

“…A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos ‘defeitos’ ou ‘aquecimento’ e ‘resfriamento’ do aparelho de gravação…”

“…Conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a ‘desconfiguração dos dados armazenados’…”

“…Os advogados estão estudando essa questão”. Lorota. Os autos mencionam problemas no equipamento de vídeo, não na aparelhagem de áudio.

Falhou a captação de imagens. Mas, no áudio, a voz de Arruda soa límpida como água de bica. Nada truncado. Nenhuma desconfiguração.

E quanto à profusão de vídeos que exibem deputados apoiadores do governo Arruda recebendo “panetone$” das mãos de Durval?

Arruda jogou os aliados ao mar: “[…] É preciso que haja uma análise cuidadosa dos advogados para esclarecer melhor as datas e as responsabilidades”.

Dinheiro, como se sabe, não nasce em árvore. As verbas que Durval entregou a Arruda e aos deputados foi mordida de empresários que negociam com o GDF.

Em português claro: propinas. Sobre isso, Arruda esquivou-se de falar. Limitou-se a dizer que, na sua administração, reduziram-se os gastos de informática.

Falou de informática por que é esse o setor em que Durval sempre nadou de braçadas.

“O nosso governo reduziu os gastos de informática em mais de 50% em relação ao último ano do governo passado…”

“…Isto contrariou a muitos interesses políticos e empresariais que, agora fica claro, são ligados ao denunciante”.

Conversa fiada. As ligações não se restringiram ao denunciante, mas a todos que se serviram da coleta feita por ele.

O Arruda de 2009 soou diferente do Arruda de 2000. Há nove anos, pilhado no escândalo da violação do painel do Senado, o ‘demo’ portara-se de outro modo.

À época no PSDB, líder de FHC no Senado, Arruda escalara a duas vezes. Na primeira, sob lágrimas, jurara que não acessara os votos que cassaram Luiz Estevão.

No dia seguinte, Arruda voltaria à tribuna. Dessa vez, para confessar o crime. Desculpou-se. Em 2002, elegeu-se deputado. O mais votado do DF.

O novo Arruda pelo menos não importunou a platéia com suas lágrimas. Mais escolado, pronunciou uma defesa de palavras medidas.

“Os nossos advogados estão analisando detalhadamente os autos para, no momento próprio, apresentar nossas posições”, disse ao final.

“Além das investigações internas que determinei, com o apoio da Controladoria, da Procuradoria e da Polícia Civil, vamos colaborar com tudo que for necessário”.

O diabo é que, dessa vez, a corrupção não é apenas presumida. Os vídeos e áudios já expostos como que revogaram o benefício da dúvida.

Os advogados e a tradição brasileira podem até livrar Arruda de punições judiciais. Mas o lero-lero de Arruda não o livra da condição de cadáver político.

Depois de ler as pseudoexplicações, Arruda retirou-se da sala sem responder a perguntas dos repórteres. Natural. A “defesa” do governador não resiste ao contraditório.

4 Comentários

  1. Essa é a turma que quer voltar ao poder. No escandalo do painel o Arruda era Senador TUCANO, agora é Governador do DEMO….
    É novo só na idade e na aparencia….já posou de renovação, de sangue novo e por aí vai….O Alceni Bicicleta Guerra esteve por lá e deve ter ensinado algumas lições ao seu parceiro de partido, agora esta por aqui junto com o RAPAZ, sempre no meio dos Tucanos, sempre trocando ¨experiencias¨.

  2. Vigilante do Portão Responder

    A defesa dele foi muito convincente sim; Só a ameaça de “contar tudo” fez Brasília tremer. Os companheiros do DEM e os aliados dos diversos partidos da base de apoio ao Arrudão, terão a coragem de tomar iniciativas mais drásticas; Mesmo o PT, vide as declarações da Dilma e do Lula, tratou de forma mais contida o esquema.

    Não sejamos ingênuos, lembram do mensalão do PT/PMDB/PTB e outros? Pois é, não aconteceu nada com os envolvidos, apenas o Marcos Valério (ele fez a mesma ameaça do Arruda: Olha que eu conto tudo) perdeu alguns contratos, seu silêncio deve ter custado muita grana. De resto, todos estão sãos e salvos, Zé Dirceu, Genoino, e todos os outros continuam numa boa, inclusive o tesoureiro e o cara da Land Rover. O Roberto Jeferson também ameaçou contar tudo, foi calado, sabe-se lá por quanto.

    Agora, caso o Ministro Joaquim Barbosa, do STF. resolva punir alguns, bem, daí o caldo pode entornar. Já imaginaram se o Carequinha do Marcos Valério vai parar na cadeia? Ou se faz uma delação premiada? Hum, não vai sobrar pedra sobre pedra em Brasília e diversos estados da federação.

    Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, MInistérios, IRB, entre outros, vão desabar, Jornais, revistas e emissoras de TV, terão suas auras de Paladinos da moral, enchovalhadas, quando a patuleia descobrir o “jabá” que recebem e as comissões (do tabela cheia) que dão para as agências, agências essas que repassam parte para os anunciantes, no caso, os governos e suas empresas.

    O castelo está desmoronando, Eu, se fosse o Ministro Joaquim Barbosa, expedia o mandado de prisão contra alguns, só para ver o FERVO. KKK

    Como diz um amigo meu: a roçeira vai cortar bem rente ao chão, não vai sobrar nada. KKK

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