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O desafio de reinventar
o desenvolvimento, segundo José Serra

Em comemoração aos 40 anos do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Flávio Moura e Paula Monteiro organizaram o livro RETRATO DE GRUPO – 40 ANOS DO CEBRAP.

O livro traz, entre outras, uma entrevista do governador de São Paulo e virtual candidato do PSDB à presidência da República, José Serra.

Seguem trechos da entrevista:

O senhor foi identificado com o polo desenvolvimentista durante todo o governo Fernando Henrique. E hoje, o que significa e quem são os desenvolvimentistas?

José Serra
-Essa análise não tem muito sentido, é até cretina. O que há de errado em se desejar o desenvolvimento e batalhar por ele? Nada. O problema é outro. O termo tem sido espertamente utilizado para insinuar que os que se preocupam com o desenvolvimento o querem a qualquer preço, mesmo à custa de mais inflação. Não há necessariamente esse dilema, estabilidade x desenvolvimento. Na verdade, a diferença existe em relação a políticas macroeconômicas, e não à estabilidade. Eu só posso dizer o seguinte: em nenhum dos preceitos do consenso de Washington figura a ideia de que para desenvolver o país você precisa megavalorizar a moeda. Isso é simplesmente um erro, não é ortodoxo nem heterodoxo. (…)

Por que o Plano Real deu certo?

José Serra – Porque concentrou-se, inicialmente, na questão essencial: a quebra dos mecanismos de indexação da economia, e não descuidou de três complementos essenciais: a austeridade fiscal e monetária e o financiamento externo. Eu não acreditava que ele ia dar certo, não porque tivesse alguma coisa errada nele do ponto de vista teórico. Eu achava que o governo não ia dar sustentação a ele, sobretudo porque estávamos num período pré-eleitoral. A eleição para presidente da República era em outubro, e o plano ali, no meio desse processo! Não sentia que o governo daria toda a cobertura necessária. Mas deu certo. Refletiu de maneira enfática o cansaço da sociedade com a inflação, Agora, não acho que para o Plano Real dar certo fosse necessário sobrevalorizar a moeda na escala que aconteceu. Mas aí é outra discussão que fica para outro momento. (…)

Qual é a agenda de futuro para o Brasil, ou qual é a utopia, digamos assim, para um país como o nosso?

José Serra -Temos um problema macroeconômico de curto prazo muito sério, antes de falar em longo prazo. O Brasil está de alguma maneira numa armadilha, que tem três lados: os maiores juros do mundo, já há muitos anos; a taxa de câmbio talvez hoje mais valorizada do planeta; e uma explosão de gastos correntes como nunca houve cm valores reais. Na época do Sarney houve uma explosão, mas a inflação era de dois dígitos ao mês. Esse tripé perverso tem um peso determinante, é a tal da travessia. Agora, a longo prazo, temos de pensar o seguinte: o Brasil deve ter hoje 190 milhões de habitantes, perto disso; daqui a dez anos, teremos dezenas de milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho. O modelo primário exportador, para onde o país está caminhando, não é capaz de gerar empregos com o dinamismo que a oferta de trabalho exige. Ele não vai gerar desenvolvimento sustentado (e sustentável) e o país está caminhando para isso. Então é um grande desafio reinventar o desenvolvimento, como se dizia na linguagem da Cepal, “hacia dentro” [para dentro], junto com “hacia fuera” [para fora], porque voltar o desenvolvimento só “hacia fuera”, que é o que está acontecendo, não vai dar conta dos problemas principais do país. Esse é o desafio maior: uma economia que simultaneamente se expanda no mercado interno e no mercado externo, até porque se não for assim o desenvolvimento será medíocre.

E, para finalizar esta entrevista, como, na sua opinião, pode-se encontrar uma nova trajetória que nos permita vislumbrar melhor o futuro?

José Serra
– Através de um bom debate, algo interditado no Brasil de hoje. Infelizmente esse debate não existe, está obscurecido e até reprimido, não pela força, mas reprimido ideologicamente. E, em segundo lugar, que as forças com maior lucidez política vençam as eleições.

(Texto distribuído pela Arko Advice, empresa de consultoria política)

8 Comentários

  1. desenvolvimento?1?!?!
    agilidade, nunca.
    o PT deu um banho no PSDB, conseguiu driblar a crise internacional e defender o “povão” , classe C,D e …………….
    Serra ???????????????

  2. E JOSÉ SERRA PRESIDENTE Responder

    JOSÉ SERRA É O GOVERNADOR MELHORA AVALIADO PELOS JORNALISTAS diz pesquisa (do PIG?)

    13
    Nov
    2009Redação, Comunique-se

    “O governador de São Paulo, José Serra, é o preferido entre os jornalistas. Levantamento realizado com 70 profissionais – entre diretores, editores, chefes de redação, colunistas e repórteres – aponta o pré-candidato à Presidência pelo PSDB com o maior índice de aprovação.

    A pesquisa avaliou os governadores de seis estados, mais o Distrito Federal. Em segundo lugar ficou Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, seguido por Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo; Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco; José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal; Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro; e Yeda Crusius (PMDB), do Rio Grande do Sul.

    “O que distingue os três é o grau de visibilidade: Serra é melhor avaliado fora do seu próprio estado, Aécio encontra equilíbrio entre as avaliações internas e externas e com Hartung ocorre o oposto – as avaliações internas são melhores do que as externas”, avalia a coordenadora técnica da pesquisa, Karla Régnier, sobre os três governadores melhores avaliados.

    O estudo, realizado pela Macroplan, também mostra que os jornalistas aprovam as ações tomadas pelo governo federal para contornar a crise financeira internacional. As medidas, como a redução do IPI para produtos de linha branca e automóveis, o estímulo ao crédito e a redução dos juros, foram consideradas adequadas ou muito adequadas por 87% dos entrevistados.”

    Este é o nosso futuro Presidente

  3. José Serra pode até ser idenficado pela academia como “desenvolvimentista”, porém, sua história em cargos eletivos e o seu partido, são rentistas.
    Afirmar que José Serra defende a ação do Estado é pura hipocrisia e falta de leitura política.
    José Serra, FHC e o PSDB se confundem naquilo que defendem: a ausência do Estado e a regulação social pelo “deus” Mercado.

  4. REINVENTAR SÓ SE FOR COM O CONHECIMENTO DE DERUBAR PONTES DEIXAR O ESTADO UM CAUS DISTRIBUIR CARNES PODRES NAS ESCOLAS E NÂO INVESTIGAR PARA NÂO ATRAPALHAR SEUS PLANOS POLITICOS AO CONTRARIO DO LULA QUE SEMPRE DIZ INVESTIGE QUE COMPRIREMOS MESMO QUE SEJA DORO PARA O PARTIDO OU PARA O GOVERNO MAS BOM PARA O BRASIL O FHC PAGAVA PARA POLITICOS FICAREM QUIETOS

  5. Viva Lula e suas políticas públicas de distribuição de renda.
    Elas salvaram o país em 2009 e vão proporcionar um excelente 2010!
    Fosse o Serra presidente aí sim estaríamos em maus lençóis, pois ele já teria vendido todo o patrimônio do BRAZIL e torrado a grana, assim como fez FHC, em seguida seria visto no FMI pedindo mais dinheiro, assim como fez FHC, teria quebrado o Brazil 4 vezes, assim como fez FHC!
    Viva DILMA!

  6. É isso aí Presidente! Isso aqui está virando uma china, e não somos chineses para nos matarmos a preço de banana para sustentar dados economicos! Chega de altos juros para sustentar banqueiros, apoio ao mercado produtivo já!

  7. Conhecemos muito bem os tucanos, e suas tucanadas, planejamento não é o forte deles, diga-se FHC, que foi na onda do real (de Itamar) e depois só fez … .

  8. Esse Serra não invistiu em SP e por isto muita gente estão morendo com as enchentes por falta de investimento do serra em galerias pluviais.
    Não consegue cuidar de um Estado e ainda quer ser Presidente.
    Fora Serra.
    Fora PSDB.

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