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Só 14 agentes cuidavam de 1,5 mil presidiários na hora da rebelião

De Guilherme Voitch e Audrey Possebom na Gazeta do Povo

O sistema prisional do Paraná tem uma média de 6,8 presos sob a responsabilidade de cada agente penitenciário. Os dados são do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça, e indicam que o número de agentes penitenciários está abaixo do ideal. O conselho estabelece que cada profissional deveria zelar por, no máximo, cinco presos. Até o primeiro semestre do ano passado, no último levantamento realizado, eram 23.263 os presos custodiados no estado, para 3.417 agentes.

Na prática, porém, a relação preso/agente é ainda maior. Na quinta-feira da semana passada, dia da rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Pira­quara, eram 30 agentes trabalhando, e apenas 14 lidando diretamente com os 1.578 presos da unidade. Cada agente, portanto, estava responsável por 112 detentos. “É óbvio que faltam agentes, por isso a Polícia Militar ali servia para manter um equilíbrio. Quando ela saiu, veio a revolta”, diz o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Clayton Auwerter. Segundo os dados do Conselho de Política Criminal, 40 policiais militares reforçavam a segurança nos presídios paranaenses. No Rio Grande do Sul, com uma população carcerária de 28.619 detentos, 537 PMs auxiliam o trabalho nas penitenciárias.

Tensão

Ontem, o sindicato promoveu uma entrevista para que os agentes que foram mantidos reféns durante a rebelião fossem ouvidos pela imprensa. Abalada e com medo, a maioria dos agentes não compareceu. Apenas o agente penitenciário Antônio Luiz Alves falou. Alves disse que foi rendido, junto com outros três colegas, quando o grupo fazia a contagem de presos em uma das galerias da PCE. “Até o 20.° cubículo (cela) estava tudo bem. Foi quando eles estouraram uma das portas e vieram para cima de nós com estoques e pedaços de pau.”

O agente disse que tentou fu­­gir, mas foi impedido pelos pre­sos. “Passou um filminho na minha cabeça. Era uma situação de muita tensão”, comentou. Com hematomas nos olhos, na cabeça, braço e costas, ele afirmou que a presença da Polícia Militar garantia mais segurança ao trabalho. “Uma rebelião ocorre por uma série de fatores. Mas em nove anos que a PM esteve lá, não tinha acontecido mais coisas desse tipo. Bastou eles saírem para isso se repetir.”

A cúpula do governo do estado nega que a saída dos policiais seja uma das causas da rebelião. O governador Roberto Requião declarou que havia índicios de que a revolta dos detentos foi facilitada pelos próprios agentes penitenciários, que teriam misturado presos de facções rivais nas mesmas galerias. O ato seria uma forma de protesto contra as condições de trabalho no local. O governador determinou a abertura de inquérito policial no Centro de Ope­rações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil, para apurar as causas da rebelião.

Já o presidente do Sindicato disse que a categoria também quer apurar as responsabilidades sobre o ocorrido. Sobre a declaração do governador, Clayton limitou-se a dizer que “quem acusa tem de provar.”

Segundo ele, o próprio secretário de Estado da Justiça, Jair Ra­­mos Braga, sabia que com poucos agentes penitenciários e sem a Polícia Militar na PCE o risco de uma rebelião era iminente. “Há um ofício do secretário de Justiça para o secretário de Segurança pedindo que os policiais continuem ali e um outro, depois da saída dos mesmos, pedindo que eles retornem.” Ontem, o secretário de Justiça passou a tarde em reunião.

4 Comentários

  1. Maskão Destroyer Responder

    A situação para entender e ser comentada é muito complexa, sendo o conteúdo da mesma carente de lapidação. Julgar e emitir pareceres é cedo,isto, no sentido administrativo, policial e jurídico! Mas no sentido político da coisa, está sendo, um desastre estes últimos momentos do governo requianista na área de segurança e de cidadania! Pois, é um tal de maquiarem e disfarçarem os números da violência no estado que já ultrpassaram a mentira como limite! Este fato de tirarem os policiais militares de dentro do presídio, foi o segundo acontecimento emblemático e de terror (cite-se a cabeça de um detento na bandeija e as várias mortes dentro da PCE) que marca este governo, juntado ao primeiro, ou seja, que foi a escalação de poucos policiais militares no estádio Couto Pereira,e todos, sabem no que deu! Já reparam que a gloriosa Policia Militar (Diga-se na sua maioria Soldados, Cabos e Sargentos que são a linha de frente da instituição no inicio da ocorrência) está colocada estratégicamente no meio das circunstâncias e não é valorizada como se deve! Sendo usada como justificativa e joguete políticos para encobrir a verdadeira discussão sobre as trapalhadas de secretários estaduais incompetentes! Foi assim em governos passados, esperamos como sempre que não seja desta forma no próximo governo! Observaram! Sou um idealista sonhador daqueles bem “inocente” que pelo jeito gosta de sofrer com a decepção! Lá vai! Esperemos!

  2. O RESTO TAVA????? Responder

    CALCULAMOS QUE O RESTO DOS AGENTES ESTAVAM CUIDADANDO DO LARAPIOS DO IAP (INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANA),POIS ESTE POVO E DE ALTISSIMA PERICULOSIDADE, O MAIS TROUXA LÁ, PASSA A PERNA NO REQUIÃO QUASE TODO O DIA.
    DEPOIS ELE FALA QUE É PRA FAZER CAIXA DE CAMPANHA.
    PELO MONTANTE ACUMULADO ACHAMOS QUE DEVE SER PRA PRESIDENTE DO ESTADOS UNIDOS.
    SORRY

  3. Média de 6,8 presos para cada agente ?
    No dia da rebelião existiam 1500 presos para 14 agente = 107,14 presos para cada agente.
    Falta esclarecer algo. Ou o cálculo foi feito conforme os critérios já adotados no Couto Pereira ?

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