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Dilma terá de mediar sua 1ª ‘crise’ entre PMDB e PT


Do Josias de Souza

Ao retornar de Seul, Dilma Rousseff encontrará um cenário político diferente do que deixara para trás ao voar para a reunião do G-20, há quatro dias.

A presidente eleita será apresentada à primeira crise no consórcio partidário que lhe dará suporte congressual a partir de 1º de janeiro de 2011.

No centro da encrenca, PT e PMDB, os dois maiores partidos da coligação governista. Divergem sobre o ministério e medem forças no Congresso.

Dilma deve ser recepcionada, em São Paulo, por três petistas do gabinete de transição: José Eduardo Dutra, Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo.

Caberá a Dutra, presidente do PT e negociador político de Dilma, prover os dados que recolheu nas conversas com dez partidos governistas.

São quatro os fios desemcapados para os quais Dilma terá providenciar fita isolante:

1. Ministério: O PMDB deseja que, sob Dilma, os partidos preservem –em qualidade e quantidade— as cidadelas que conquistaram no governo Lula.

A Dutra e à própria Dilma, Michel Temer, vice-presidente eleito e presidente do PMDB, disse que o ideal seria que sua legenda retivesse as seis pastas que controla hoje.

Na ausência de Dilma, porém, as bancadas do PT (deputados e senadores) levaram o pé à porta. Avisaram a Dutra que não aceitam o critério de Temer.

Avaliam que o PMDB, por ter murchado nas urnas de 2010, deve perder também posições na Esplanada de 2011. O PT cobiça pelo menos duas: Saude e Comunicações.

Engrossam o coro o PSB e o PDT, duas legendas que, a exemplo do PT, ambicionam ministérios que Lula confiou ao PMDB a a outras legendas.

Ao farejar o cheiro de queimado, congressistas do grupo de Temer atraíram para a tese do PMDB outros dois partidos: PP e PR.

Cada um controla um ministério –o PP, o das Cidades; o PR, o dos Transpostes. E tampouco admitem perdê-los. Se possível, querem mais.

Caberá a Dilma informar como produzirá a mágica de entregar um terço da Esplanada a mulheres, como deseja, e contentar simultaneamente as legendas que a rodeiam.


2. Câmara e Senado:
O PT rebelou-se também contra um pré-acordo firmado por Dutra com Temer. Acertara-se o repeteco do rodízio no comando da Câmara.

O petismo quebra lanças para incluir no revezamento também a presidência do Senado –dois anos para o PMDB e outros dois para o PT.

Trata-se de mercadoria que Temer, mesmo se quisesse, não teria como levar à gôndola. Se tentasse, atearia fogo em seu partido.

Temer equilibra-se entre dois grupos recém-pacificados: o PMDB da Câmara, que controla; e o do Senado, comandado por José Sarney e Renan Calheiros.

Como o vaivém na presidência do Senado é algo que Sarney e Renan não admitem, a intromissão de Temer romperia um cessar-fogo que a ele interessa manter.

Emparedado, Dutra disse ao petismo que ainda não levou a assinatura a nenhum acordo. De novo, a resolução do problema exigirá uma palavra de Dilma.

Se endossar o PMDB, desgosta o PT. Se avalizar o seu partido, desautoriza o vice Temer e compra briga com os morubixabas Sarney e Renan.

3. PT X PT: Afora a encrenca do rodízio, o PT da Câmara terá de descascar um segundo abacaxi. Neste caso, a legenda de Dilma briga consigo mesma.

Há quatro postulantes petistas à presidência da Câmara: Cândido Vaccarezza, Arlindo Chinaglia, João Paulo Cunha e Marco Maia.

Os dois últimos, carentes de opoio, devem ceder mediante compensações. Porém, Vaccarezza e Chinaglia ameaçam levar a encrenca a voto.

Dutra evita posicionar-se. Em verdade, preferia adiar a confusão para o próximo ano, já que as eleições internas do Congresso só ocorrerão em fevereiro.

O problema é que, para desassossego do presidente do PT, a lógica da política por vezes ganha dinâmica mais acelerada que o ritmo do relógio.

Dilma tem duas alternativas: pode dizer que prefere fulano ou beltrano. Vai-se descobrir, então, se o PT enxergará nela a autoridade que atribui a Lula.

Pode também dar de ombros para a disputa. Nessa hipótese, assistirá a um acordo ou testemunhará uma disputa com potencial para rachar a bancada petista.

4. Renan: Reeleito por Alagoas, Renan manifesta, em privado, o desejo de retornar à presidência do Senado. Nos subterrâneos, ele testa a aceitação da ideia entre os seus pares.

Como o nome do Renan virou sinônimo de crise, os operadores de Dilma gostariam de evitar a ressurreição da esfinge antes que ela os devore.

Aqui, a eventual interferência de Dilma a converteria em devedora. Renan não costuma abandonar planos pessoais sem se creditar de uma fatura.

Ao ser apresentada aos problemas que pipocaram na sua ausência, Dilma talvez tenha saudades de Seul, onde degustou um termômetro que oscilou entre o ameno e frio.

1 Comentário

  1. Mas isso já era previsto. Com uma oposição mínima, o governo terá mesmo que enfrentar as intrigas entre os partidos que o apoiaram. Ainda mais em se tratando de PMDB, que vive constantemente em conflito consigo mesmo.

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