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Reunião fechada vaza
no sistema de som do Planalto

Do Josias de Souza na Folha Online

Reuniu-se nesta quarta (17), a porta fechadas, o conselho político do governo. Participaram líderes partidários, ministros e Lula.

Um pedaço da reunião vazou pelo sistema de som do Planalto. O descuido só foi percebido pouco depois que Lula entrou na sala.

Antes que a transmissão involuntária fosse interrompida, ouviram-se do lado de fora diálogos entre reveladores e esdrúxulos.

A certa altura, líderes de partidos que integram o consórcio governista pressionaram o Planalto a apoiar projeto de legalização dos bingos.

Líder do PR, o deputado Sandro Mabel (GO) disse que parte do dinheiro auferido com a jogatina poderia ser usada para tonificar as arcas da saúde.

Com isso, disse o deputado, o governo não precisaria criar um novo tributo para custear as despesas do SUS.

O líder do PDT, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, afirmou que as verbas do bingo poderiam ter outra serventia.

Financiariam um reajuste maior do salário mínimo que vai vigorar a partir de 2011.

Presente ao encontro, o relator do Orçamento da União, senador Gim Argello (PTB-DF) disse que há “margem” para conceder ao mínimo um reajuste mais expressivo.

Mas, sem saber que sua voz era ouvida fora da sala, Argello fez uma inconfidência.

Disse que o ministro Carlos Gabas (Previdência) lhe pediu que “segurasse em R$ 540” o valor do novo mínimo.

Por quê? Segundo Argello, o ministro está preocupado com a incapacidade financeira das prefeituras.

Argello disse que, se o salário mínimo for fixado agora numa cifra entre R$ 560 e R$ 600, vai a R$ 700 no ano que vem.

Preocupados, os prefeitos teriam produzido um abaixo assinado com as assinaturas de 600 executivos municipais.

Nesse ponto, o empresário Sandro Mabel dirigiu ao sindicalista Paulinho um gracejo infeliz:

“Paulinho, nesta questão do aumento do salário, precisa tomar cuidado. O povo quando fica rico, fica mais exigente”.

Numa intervenção feita minutos antes, Paulinho levara à mesa uma ameaça ao futuro governo de Dilma Rousseff.

Disse que haverá uma greve nacional de policiais militares se não for aprovado no Congresso um projeto que institui o piso salarial para PMs e bombeiros.

A ameaça de Paulinho soou depois que o líder de Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) sugeriu que a análise do projeto fosse adiada para 2011.

“É preciso continuar firme e não permitir que se crie dificuldades para o novo governo”, disse Vaccarezza.

Ecoando o deputado, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) também encareceu aos congressistas que não aprovassem projetos que criem novas despesas.

Referia-se a duas propostas: a que interessa a policiais e bombeiros e a que eleva os contracheques dos servidores da Justiça Federal.

Bernardo orçou o primeiro em R$ 43,5 bilhões. Quanto ao segundo, estimou que sorverá R$ 7 bilhões das arcas do Tesouro.

O ministro insinuou que há no Judiciário funcionários que recebem salários acima do teto: “Como vai dar reajuste se o cara ganha mais que o teto?”

Súbito, Lula entrou na sala de reuniões. E o som que borrifava as vozes para além das paredes foi cortado. Uma pena.

8 Comentários

  1. ISSO DE QUE AS PREFEITURAS VÃO TER DIFICULDADES COM O ORÇAMENTO EM FUNÇÃO DO AUMENTO SALÁRIAL É CONVERSA PARA BOI DORMIR.

    ISSO É MUITO FÁCIL DE RESOLVER: OS PREFEITOS QUE DISPENSEM OS INUMEROS CC’s-CARGOS COMISSIONADOS, NÃO SUPERFATUREM OBRAS, UTILIZEM O DINHEIRO PÚBLICO DE FORMA JUSTA, EM ACORDO COM O ORÇAMENTO E NUNCA FALTARÁ DINHEIRO.

    QUANTO MAIS RENDA, MAIS A ECONOMIA SE FORTALECE. SE OS POLÍTICOS ACHAM QUE NEM ISSO PODERÁ ADIANTAR, QUE CORTEM DO SALÁRIO DELES.

    MENTECAPTOS DEMAGOGOS!

  2. Eleição 2010 Reply

    Taí, os Ministros merecem o aumento, porque os coitados ganham muito pouco, mas e a polícia???
    Como é que querem acabar c/ a violência nesse País pô???
    Chega, será que agora a turma que votou no PT está conciente do que vai acontecer ano que vem???
    Estou com medo!!!

  3. Pena mesmo , pois esse cafajeste iria usar argumentos ainda mais estarrecedores, que não podem ser ouvidos pelos comedores de tripa seca, e que votam para eleger políticos populistas , frouxos, mentirosos e hipócritas.
    Imaginem o que disse esse elemento: se o povo ficar rico , fica mais exigente.
    É prá acabar.

  4. Servidor Observador Reply

    É reconhecidamente lamentável o tratamento dispensado por alguns setores da sociedade em relação aos servidores públicos, rotulando-os genericamente como sendo profissionais preguiçosos e de pouca capacidade.
    Como toda generalização, deságua no equívoco.

    Ingenuamente, poder-se-ia imaginar que um Governo lastreado por um discurso menos liberal, em tese, do que seu antecessor, pudesse ter uma visão mais sensível em face dos problemas vivenciados pelo funcionalismo público, o que envolve também carreira e remuneração.

    Prestigiar o serviço público deveria ser tarefa cotidiana de um Estado que se pretende pujante e soberano. Aliás, em países taxados como liberais (Inglaterra como exemplo-símbolo) os quadros do funcionalismo são extremamente prestigiados e reconhecidos, não faltando condições para o exercício fidedigno de suas funções (de alta relevância, diga-se).

    Reconheço os enormes avanços alavancados pelo grupo político ora alçado ao Poder, mas sempre fico entristecido pela maneira deletéria com a qual os servidores de carreira são tratados, jogados no ringue do esquecimento, em contraposição ao eterno cortejo em face do câncer da Administração Pública, que são os cargos de confiança. Uma pena.

    Em tempo: os servidores que alcançam o teto do Supremo são uma minoria inexpressiva, geralmente atrelados aos servidores que ingressaram no Serviço Público antes da Constituição de 1988, regime juríco no qual inexistia referido limitador remuneratório. Portanto, parece haver mesmo falta de vontade política, tendo em vista que as carreiras típicas de Estado vem recebendo, e receberão mais em futuro breve, aumentos significativos.

    Some-se a isso a intenção de não ficar “mal na fita” com a imprensa, pois assim que fosse anunciado o justo reajuste dos servidores do Judiciário (que, aliás, sequer os equipararia aos salários dos ocupantes de cargos similares nos Poderes Legislativo e Judiciário, ainda assim ficando bem abaixo), infelizmente a mídia jornalística trataria a matéria com as generalizações distorcidas de praxe, o que mancharia a “panca” de austeridade orçamentária do Governo.

    Simples assim.

  5. antonio carlos Reply

    Nós mercemos tudo isto aí, porque votamos nestes tralhas. Os caras nem querem que a gente fique rico, ” porque quando o povo fica rico, fica mais exigente” . Esta cambada quer a gente pedindo esmola, do tipo Bolsa Família, assim mantém o poder. O palhaço Tiririca é que está com a razão, pior do que está, não fica. E temos um governo todinho por começar. Corremos seriíssimo risco da coisa ficar pior. ACarlos

  6. Ricardo Montalban Reply

    ESSA DO MABEL É DE LASCAR……O POVO PRÁ ELES É MERO DETALHE. A REFORMA POLITICA TEM QUE ACONTECER, PRA GENTE FAZER RECAL EM DEPUTADOS DESSE TIPO. FILHO DE UM P………

  7. Servidor Observador Reply

    Errata:

    Em meu comentário anterior, onde se lê “taxados” leia-se “tachados”, e onde se lê “cargos similares nos Poderes Legislativo e Judiciário”, leia-se cargos similares nos Poderes Legislativo e Executivo”.

    Com minhas desculpas.

  8. Dalto teiter Reply

    qeu vergonha falar em subir salário minimo trinta reais dois quilo de carne em um ano.
    O salário minimo nunca sobe só defasa porque as mercadorias sobem bem mais e muito antes do salário.
    Uma vergonha.

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