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Por espaço no governo, PMDB exige unidade

O ex-governador Roberto Requião, que apoiou a candidatura de Dilma, é um dos senadores eleitos com os quais a oposição sonha contar ao menos em questões pontuais.

A avaliação é que dificilmente ele irá se submeter ao comando de Sarney e Renan, que comandam a bancada pemedebista no Senado.


Raquel Ulhôa | VALOR

Eleito vice-presidente da República e aliado a lideranças nacionais do partido com as quais seu grupo divergia no passado – como os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) -, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), decidiu sufocar os dissidentes da legenda. Cobrado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, pela existência de focos de oposição no PMDB, Temer ameaça puni-los daqui para a frente e, assim, ter autoridade para falar em nome de todo o partido no governo.

A cúpula pemedebista avalia que o partido sempre foi “leniente e complacente” com as divergências, porque nunca conseguia ter unidade nem na própria Executiva Nacional. Essa conduta prejudica o partido agora, nas negociações com Dilma e o PT pela composição do governo.

Historicamente, o PMDB sempre conviveu bem com as divergências de posições entre as lideranças regionais. Sempre manteve os pés em canoas diferentes. Não há intenção de punir ninguém por posições passadas. “O objetivo é abrir um novo tempo no partido”, define um dirigente.

O grupo que comanda o PMDB acha que, agora no governo, é hora de fazer valer o estatuto, que prevê democracia interna e direito de formação de correntes de opinião, mas, por outro lado, disciplina partidária para assegurar a unidade de ação programática. Terão que ser obedecidas decisões tomadas em convenções, na Executiva e, no caso do parlamentar, também nas respectivas bancadas.

A decisão de endurecer com os dissidentes foi formalmente anunciada por Temer em artigo publicado na “Folha de S.Paulo” no dia 23, previamente discutido com integrantes da cúpula partidária. Nele, o vice-presidente eleito admite até “a expulsão do recalcitrante” em caso de descumprimento de orientação partidária. Diz, no entanto, que a intenção não é tomar o mandato do rebelde, apenas cobrar fidelidade, para que o partido tenha unidade de ação.

“Quem não se conformar com as decisões tomadas em convenções poderá se desligar do partido, sem que este exija o mandato. É melhor sermos menores numericamente, mas unidos na ação política, do que maiores, sem unidade de comportamento. (…) Só assim ganharemos densidade política e respeito popular”, afirma.

Segundo ele, o PMDB “somente se imporá nacionalmente e na opinião pública se tiver unidade de ação, o que exige fidelidade, tal como a definiu o Supremo Tribunal Federal “.

Temer prega a necessidade de aprovar em convenção nacional “regras rigorosas” , se for necessário, mas foi convencido por outros dirigentes do partido de que o estatuto já dispõe de instrumentos de punição suficientes para cobrar fidelidade.

Pelo artigo 10, os membros e filiados do partido estarão sujeitos a medidas disciplinares, quando, entre outras coisas, desrespeitarem a orientação política fixada pelo órgão competente e as deliberações tomadas em questões consideradas fundamentais, inclusive pela bancada a que pertencer o ocupante de cargo legislativo e também os titulares de cargos executivos.

As medidas disciplinares previstas no artigo 11 vão de advertência a expulsão, passando por outras punições mais brandas, como suspensão temporária.

Os destinatários da ameaça são setores dos diretórios de Pernambuco – o senador Jarbas Vasconcelos à frente -, de Santa Catarina – especialmente o ex-governador e senador eleito Luiz Henrique da Silveira-, de Mato Grosso do Sul, do Acre, e do Rio Grande do Sul, que não apoiaram a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

“O que se viu como descumprimento da orientação nacional foi lamentável. Pode-se argumentar ser compreensível à vista de rivalidades locais. Mas a disputa local não autorizava a insurgência contra a decisão nacional”, diz o artigo.

O recado de Temer pode enfraquecer a intenção de setores da oposição de organizar a atuação no Senado, reunindo os dissidentes do PMDB aos senadores do DEM, do PSDB e de partidos governistas com postura de independência, como pretende ser a novata Ana Amélia Lemos (PP-RS).

A ideia é fortalecer a oposição, que será reduzida na Casa, para que ela seja mais eficiente na fiscalização dos gastos e ações do governo, e “não dê tiro a esmo”, como aconteceu no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A conduta atual de alguns senadores de oposição é considerada “inútil e folclórica”: falta de foco nas críticas ao governo, discursos desorientados e pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Um dos objetivos desse grupo informal que se pretende criar seria trabalhar pela realização da reforma política e contra a recriação de um imposto sobre movimentação financeira, nos moldes da CPMF.

Jarbas, que foi derrotado pelo governador Eduardo Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco mas tem mais quatro anos de mandato, está disposto a se manter na oposição. Fez discurso na tribuna do Senado na véspera da publicação do artigo de Temer, prometendo “postura combativa e construtiva” e pedindo que Dilma respeite a atuação oposicionista.

Mas a tendência é que Jarbas fique cada vez mais isolado na bancada pemedebista do Senado. Seu maior aliado seria o ex-governador Luiz Henrique, parceiro do PSDB e do DEM no Estado e nacionalmente. Ambos são ligados ao ex-governador José Serra, derrotado na eleição presidencial.

Mas, a interlocutores, Luiz Henrique já manifestou preocupação com as ameaças da direção nacional. O PMDB de Santa Catarina sofreu intervenção da Executiva Nacional, durante a pré-campanha eleitoral, por causa do apoio dado ao candidato do DEM a governador, Raimundo Colombo.

Pedro Simon, cuja atuação em relação ao governo é ciclotímica no Senado, não pretende alinhar-se a nenhum grupo organizado de oposição. Está disposto a continuar independente. No primeiro turno da eleição presidencial, votou em Marina Silva (PV) e no segundo turno, em Dilma. Atualmente com 80 anos da idade, ele deixou o comando do partido no Rio Grande do Sul e planeja afastar-se da atuação partidária cada vez mais.

O ex-governador Roberto Requião, que apoiou a candidatura de Dilma, é um dos senadores eleitos com os quais a oposição sonha contar ao menos em questões pontuais. A avaliação é que dificilmente ele irá se submeter ao comando de Sarney e Renan, que comandam a bancada pemedebista no Senado.

9 Comentários

  1. Isso é conversa fiada, de quem não conhece a política no Paraná … O novo senador da comarca é defensor de Sarney e conviveu tranquilamente com Sarney e Renan na sua gestão senatorial pretérita… aliás, usou até nomeações secretas para seus parentes… fazer oposição… até parece… aaargh…

  2. JOMAR C. FERREIRA Reply

    SR. JOSE CARLOS, ACREDITE O MAIOR ADVERSARIO POLITICO DO SENADOR REQUIÃO FUI,SOU E SEREI, MAS COMER DAS MÃOS DESSES DOIS CANALHAS, TENHO CERTEZA QUE NUNCA ACONTECERA, O SENADOR TEM, PEDIGRI, TEM FAMILIA OS OUTROS DOIS NEM SABEM O QUE É UMA FAMILIA, SÃO MARGINAS DE MORRO. QUE TGIVERAM SORTE NA VIDA.

  3. É, O JOMAR TÁ CERTO, O SENADOR TEM PEDIGRI, SIM, UNS DIZEM QUE ELE É UM NOBRE REPRESENTANTE DA RAÇA GUAIPEQUÊ.

    EU PELO MENOS, CONTINUO ACHANDO ELE É UM VERDADEIRO VIRA-LATÊ.

  4. Requião seguirá seu mote, está muito velhusco para mudar, até porque para ELE deu certo p’ra caramba:

    “Primeiro EU, depois os MEUS, para vocês NÃO DEU.”

  5. antonio carlos Reply

    Se a oposição conta com o apoio de Maria Louca, é mais louca do que ele. Ele só quer fugir da Justiça, coisa que só tem feito nos últimos anos. Ele sabe que se for condenado nos milhares de processos que responde, morre na cadeia, ou melhor, com a idade que tem, vai pelo mesmo caminho do juiz Lalau, morre em casa. E depois ainda dizem que ingênuo sou eu. ACarlos

  6. Ammarante mello rego Reply

    qual o politico paranaense foi tres veses governador? bom eu acho que parte do pessoal ai em cima deve ser daqueles papagaio depirata que se encostam em politicos para se alferir alguma benesse,e tem mais ,ja vi muita gente que critica o requiao ate com xingamentos eram seus aliados,se nao ficaram ao lado do requiao deve ter feito coisa errada e outra,a propaganda em curitiba do grupo da prefeitura (antes lerner)era tanta que o requiao implantou o pedagio,so” o requiao emprega os parentes ,que nao sao fantasma,eo richa emprega sogra fantasma irmao tia papagaio,voces ai em cima so”tomam cocacola so” ve novela na globo

  7. Seia interessante ouvir o Rei-quião, pode ser portador de conselhos de D. Pedro …

  8. No outro mandato do senador eleito (símbolo da ética e da moral), alguém soube dele ter enfrentado o ACM ou o Sarney ? E no PR, alguma vez enfrentou o Aníbal ?
    É, o cara é macho para enfrentar bagrinhos e chutar cachorro morto.

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