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Sai o discurso, entra em cena o PowerPoint

Primeira semana de Dilma Rousseff na Presidência ressalta as diferenças de estilo entre a nova comandante e o antecessor, Lula

Por André Gonçalves na Gazeta do Povo
Foto de Roberto Stuckert Filho

Nenhuma declaração pública. Pontualidade. Reuniões no horário do almoço. Dois computadores ligados ao mesmo tempo para verificar informações e cobrar os subordinados. A rotina da primeira semana de Dilma Rousseff no Palácio do Planalto é o retrato da nova gestão. Sai o bonachão, que adorava o jogo político e os discursos; entra a rainha do PowerPoint (software utilizado para apresentações e palestras).

Nos primeiros sete dias de governo após a posse, Dilma permaneceu enclausurada no gabinete presidencial, preparando ações como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o combate da pobreza extrema. Não ficou imune, contudo, à crise deflagrada pelo PMDB por mais cargos no governo e à polêmica sobre a criação de uma “comissão da verdade” para investigar crimes cometidos durante a ditadura militar. No pacote, também foi forçada a conviver com os problemas deixados por Lula, como a decisão de não extraditar o ex-terrorista Cesare Battisti para a Itália, as férias em uma instalação militar no Guarujá (SP) e a concessão de passaportes diplomáticos para dois filhos do ex-presidente a dois dias do fim do mandato.

O comportamento e a reação às turbulências reforçaram algo que já era esperado: a petista faz questão de executar pessoalmente as tarefas de coordenação e planejamento, mas aceita terceirizar a negociação política. Para resolver o embate com os peemedebistas, escalou os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Antonio Palocci (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Comunicações). Sobre as polêmicas envolvendo Lula, só falaram o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

“Não dava para esperar da Dilma a mesma atuação do Lula. Ele é um político intuitivo, ela tem o perfil de gerente, de planejadora. Se depender dela, nada no governo vai acontecer de improviso”, avalia o cientista político Valeriano Mendes Ferreira Costa, da Universidade de Campinas.

Segundo ele, a postura adotada por Dilma até agora é coerente. %

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