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PT: risco de escalada inflacionária é ‘propagandístico’

Após refiliar Delúbio, partido prega combate à corrupção

Legenda vê oposição fragmentada, dividida e sem rumo

Do Josias de Souza

Terminou neste sábado a reunião do diretório nacional do PT, iniciada na véspera. Aprovaram-se duas resoluções.

Numa, a legenda fixa as “tarefas prioritárias” para 2011. Noutra, esboça a estratégia para aprovar no Legislativo a reforma política.

As duas resoluções do petismo estão disponíveis aqui e aqui. Esmiuçou-as, em entrevista, o novo presidente do PT, Rui Falcão.

Três pontos chamam especial atenção: Inflação, corrupção eleitoral e oposição. O resumo de cada ponto está no Leia Mais.

1. Inflação: num instante em que a inflação roça o teto da meta anual do governo, de 6,5%, o PT afirma que o risco de volta da carestia é artificial.

Num de seus textos, o partido anota que são “mais propagandísticos que reais” os riscos de uma “escalada inflacionária”.

Ironiza as críticas da oposição à estratégia econômica do governo. Afirma que, sob FHC, esse tipo de debate “era desqualificado”.

Vigorava, então, segundo o PT, “a hegemonia do ‘pensamento único’ e das políticas neoliberais.

Os críticos eram chamados de “neobobos”. As ressalvas eram atribuídas ao “radicalismo petista, partidário do ‘quanto pior, melhor’.”

Agora, anota o PT em sua resolução, revive-se “o interesse pelo debate sobre a política econômica do governo”.

Bom que seja assim, prossegue o documento. A população pode comparar e escolher “quais caminhos trilhar”.

O PT defende a trilha adotada por Dilma, que combina alta dos juros com outras medidas –alta do compulsório dos bancos e restrição ao crédito, por exemplo.

Nas palavras do PT, o combate à inflação não pode “sacrificar as políticas de desenvolvimento social”. O PIB tem de crescer “entre 4% e 4,5%” em 2011.

2. Corrupção eleitoral: menos de 24 horas depois de refiliar Delúbio ‘Mensalão’ Soares, o PT falou de corrupção numa de suas resoluções.

O trecho dicotômico consta do documento em que o partido cuida de reforma política.

Repisa, entre outros pontos, a necessidade de eliminar da legislação eleitoral “vícios” como “o financiamento privado” das campanhas.

Defende que o dinheiro dos impostos do contribuinte passe a bancar as eleições.

Sustenta que, com verba pública, elimina-se “a influência do grande capital na política”. Um fenômeno que “favorece a corrupção”.

Tudo isso depois do reingresso de Delúbio, gestor das valerianas arcas “não contabilizadas” do PT.

Curiosamente, a Polícia Federal de Lula e Dilma sustenta que o grosso das verbas espúrias coletadas no mensalão tiveram origem pública.

Significa dizer: não será a convocação do contribuinte que vai eliminar o dinheiro por baixo da mesa, seja público ou privado.

3. Oposição: O PT dedidica parte de uma de suas resoluções à análise dos desencontros de seus rivais.

Afirma que, ainda sob os efeitos da derrota de 2010, “os adversários do PT e do governo Dilma fragmentam-se”.

Menciona a lipoaspiração provocada pelo novo partido do ex-demo Gilberto Kassab:

“O esvaziamento do DEM, desidratado pelo lançamento do PSD em formação, acena para eventual fusão com o PSDB”.

Sem mencionar nomes, cita a disputa interna do tucanato, marcada pela queda de braço entre lideranças como José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin:

“Envoltos numa guerra de cúpula pelo comando do partido e às voltas com a debandada de seis vereadores paulistanos, os tucanos debatem-se à procura de um rumo para a oposição”.

Para o PT, os antagonistas DEM e PSDB vivem “uma profunda crise de identidade”. A resolução aprovada pelo diretório petista ironiza FHC:

“Resumo da história: em artigo que acendeu polêmica em suas próprias hostes, até seu patrono intelectual desistiu de dialogar com o povo”.

Trata-se de referência ao texto em que FHC recomendou à oposição priorizar a classe média em detrimento do “povão”, já seduzido pelo PT.

A despeito da avaliação azeda, o texto do PT recomenda à sua tropa que não subestime os rivais.

Por quê? “A oposição representa setores consideráveis da classe dominante, controla o poder em vários Estados e tem a seu lado importantes aparelhos de poder”.

Nas entrelinhas, lê-se a preocupação do petismo com o aparelhamento eleitoral de governos como o de São Paulo e o de Minas Gerais, em mãos tucanas.

Pode-se depreender que, no encalço de seus objetivos políticos, o PTnão hesitará em acionar a mãe de todas as máquinas, a engrenagem federal.

Assim começam as encrencas que resultam nos escândalos que convertem os escrutínios periódicos em “escrotínios”.

Não há de ser nada. O PT pós-Delúbio preocupa-se com a corrupção. Fala do tema com uma veemência muito parecida com a sinceridade.

3 Comentários

  1. Parreiras Rodrigues Responder

    Na época da Dita Dura, quando o cara dizia no JN que o preço da gasolina não iria subir, a gente corria prá fila do posto. Que já estava fechado. No outro dia, fumo na brasileirada.

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