Uncategorized

Segundo dia: promotora pede para os jurados não se comoverem


Foto: Atila Alberti

De Mara Cornelsen e Magaléa Mazziotti do O Estado do Paraná

O segundo dia do julgamento de Beatriz Cordeiro Abagge, de 47 anos, acusada de participar do sequestro e assassinato do menino Evandro Ramos Caetano, de 6 anos, iniciou às 9h30 deste sábado, no 2º Tribunal do Júri de Curitiba, sem a presença dos pais do garoto que desapareceu em Guaratuba, no dia 7 de abril de 1992. No entanto, eles chegaram minutos depois, e tomaram lugar entre os que assistiam o julgamento.

A acusação começou o debate com a promotora Lucia Inez Giacomitti Andrich, que solicitou aos jurados não se comoverem com as faixas e camisetas em defesa da acusada. “Muitos que estão hoje aqui, nem nascidos eram, mas vestem camisetas, sem saber o que está por trás”, alertou.

Entrevista

Diogenes Caetano, tio do garoto Evandro, deu entrevista um pouco antes das 11 horas deste sábado defronte o Tribunal do Júri de Curitiba. Ele disse que tentou entrar no recinto para assistir o julgamento, mas foi convidado a se retirar. No lado de fora, ele reafirmou que Beatriz Abagge precisa ser condenada. “Não penso mais em Evandro, mas em todas as crianças sacrificadas por esta seita. Não faço ideia de quantos inocentes salvei nestes dezenove anos em que a seita teve que gastar dinheiro com a defesa delas e deixou de gastar para matar mais crianças”, disse.

Primeiro dia

Quatro testemunhas de defesa e duas de acusação foram ouvidas ontem, no primeiro dia do julgamento de Beatriz Cordeiro Abagge, 47 anos, acusada do sequestro e morte do garoto Evandro Ramos Caetano, crime ocorrido em 7 de abril de 1992, em Guaratuba.

Com plenário lotado, principalmente de estudantes de Direito, as declarações do delegado da Polícia Civil Luiz Carlos de Oliveira, última testemunha de defesa ouvida, caíram como uma bomba.

Ele foi categórico ao afirmar que o Ministério Público e o Judiciário foram induzidos a erro “até hoje”, manipulados por informações falsas, para incriminar não só Beatriz, mas também os seis outros acusados pelo mesmo crime.

Apontou o engenheiro civil Diógenes Ramos Caetano (parente do menino morto) como um dos responsáveis pela trama, dizendo que ele contou com a ajuda da Polícia Militar e de “outras pessoas” para dar sustentação à fraude. Mais uma vez contestou o exame de DNA que identificou o corpo como de Evandro, dizendo que não há indicações seguras de como o material usado no exame foi colhido e entregue ao laboratório.

O juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, titular do 2.º Tribunal do Júri de Curitiba, considerou as revelações como “muito graves” e pediu ao delegado que, em declarações à parte, indique os nomes dos supostos autores da trama. Oliveira avisou que poderia citar nomes do Judiciário e do Ministério Público, mas não da Polícia Militar.

A platéia aplaudiu-o efusivamente, sendo repreendida pelo juiz, para que não se manifestasse daquela forma. A mãe de Beatriz, Celina Abagge, que só não estava sendo julgada por causa da idade, chorou bastante. Ela, as filhas e os netos estavam na platéia. Sheila Abagge, irmã de Beatriz, emocionada, comemorou: “Até que enfim alguém pode falar a verdade neste processo”.

Rapidez

Ao contrário do primeiro julgamento a que mãe e filha foram submetidas, no Fórum de São José dos Pinhais, em 1998, que durou 34 dias e posteriormente foi anulado, os trabalhos de ontem aconteceram com rapidez.

Às 17h40, todas as testemunhas já tinham sido ouvidas. Pela manhã, compareceram em plenário o perito aposentado Arthur Drischel, que fez o levantamento do local em que o corpo foi encontrado, e a odontolegista Beatriz Helena Sotille França, responsável pelo exame de arcada dentária do corpo.

À tarde, foram ouvidos o promotor de Justiça aposentado Carlos Roberto Dalcol; a ex-funcionária da Prefeitura de Guaratuba Maria José de Conceição, e os delegados Leila Bertolini, Adauto Abreu de Oliveira e Luiz Carlos de Oliveira. O perito e o promotor aposentados e a odontolegista foram convocados pelo Ministério Público. Os demais foram testemunhas da defesa.

Leitura

Depois dos depoimentos, o juiz determinou a leitura de algumas partes do processo, escolhidas por promotores e advogados (o que consistiu especialmente na leitura de laudos) e por fim ouviu Beatriz Abagge a portas fechadas, já depois das 20h.

Por se tratar de depoimento pessoal, em que ela iria narrar torturas que disse ter sofrido, a defesa pediu privacidade. O plenário foi esvaziado, ficando apenas as partes e os jurados. Terminado o depoimento, os trabalhos foram encerrados.

1 Comentário

  1. ….QUEM PROIBIU A ENTRADA DELE FOI O JUIZ DE DIREITO…
    …..DEFINITIVAMENTE UM PSICOPATA QUE PRECISA DE UM PAU DE ARARA…COMO O QUE FOI DADA NESSAS INOCENTES MULHERES PELO MAU CARATER DO COPETTI.-

    PARANA NETO.

Comente