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Ortigara admite que o Paraná tem deficiência na inspeção veterinária

Luciana Cristo e Karla Losse Mendes do Estado do Paraná

O secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, admitiu na manhã desta quinta-feira (2) que o Paraná tem deficiência, tanto de estrutura quanto de pessoal, para o serviço de inspeção veterinária, considerado deficiente pela Rússia. O país do leste europeu anunciou a suspensão da importação de carne suína e de aves do Paraná e do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso, a partir do próximo dia 15.

Na análise do mercado internacional, Ortigara avalia que o Paraná perdeu muito em importância nos últimos dez anos. “Nossa presença hoje não é importante, caímos muito na última década tanto em bovinos quanto em suínos, embora tenhamos crescido muito em frango (e vamos continuar crescendo)”, afirma.

O governo estadual ainda não tem uma análise concreta dos prejuízos e impactos que essa nova restrição russa poderá causar ao mercado produtor. “Não tenho exatamente a dimensão de quanto nos afetará essa restrição russa, mas estamos apostando na limpeza do Paraná. Houve sensibilidade de governo, mesmo na precariedade de finanças, e certamente vai valer a pena investir recurso público nessa preparação”, avalia o secretário da Agricultura.

Ortigara ainda cogitou outro motivo para a suspensão da importação. “Às vezes é uma barreira artificial criada para não importar. São coisas que a gente não quer mais enfrentar no futuro. Precisamos transformar o Paraná em área plenamente apta para exportação para qualquer mercado, mesmo os mais exigentes, como Rússia, Japão ou China”, diz.

Reflexos na produção suína

Embora a Rússia tenha emitido um comunicado dizendo que a suspensão vale a partir do dia 15, a Associação Paranaense dos Suinocultores diz que os efeitos da diminuição na compra de outros países já têm refletido nos negócios nos últimos meses.

“A crise atual da suinocultura é em função disso. O produto não é exportado, fica no mercado interno e sobra carne, não existe fórmula mágica para equacionar isso. O suinocultor está quebrado”, conclui o presidente Associação Paranaense dos Suinocultores, Carlos Geesdorf.

De acordo com Geesdorf, esse problema internacional não se resolve de forma fácil e, agora, os suinocultores estão procurando formas de negociar com o governo para reduzir o custo de produção e de venda no supermercado. “O produtor está tendo R$ 70 de prejuízo por suíno produzido, o consumidor continua pagamento exatamente a mesma coisa de meses atrás e o governo não toma nenhuma atitude”, critica.

Para o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado, uma alternativa seria reduzir o rebanho, mas também com consequências negativas. “Redução de rebanho implica em abate, que também causa sobrecarga de carne no mercado”, afirma. Para absorver a produção, Geesdorf sugere que a carne fosse aproveitada em escolas ou presídios, por exemplo.

O Ministério da Agricultura informou à reportagem de O Estado que técnicos da pasta estavam reunidos durante a manhã desta quinta-feira para debater a questão e que um posicionamento oficial deve sair até o final do dia.

12 Comentários

  1. Este senhor perdeu a oportunidade de ficar calado, ele cita que a dez anos os serviços veterinários do Paraná estão com problemas, não são 10 anos e sim 17 anos, tudo começou quando ele ainda era o Diretor Geral de Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, e continua até agora que é o Secretario da Agricultura, sendo o principal impecilho para que a Defesa Sanitária Animal se modernize.

  2. Como as coisas mudam, ele foi Diretor Geral, alto funcionário da secrataria e só agora vem falar da ineficiência, muito estranho, vamos ver se quando sair entregará resolvido……….

  3. E tem mais, o cenário da área sanitária vegetal também está um caos, entrada de mosca negra dos citros, HLB entre outros, os postos de fiscalização dos 33 mais de dez estão desativados, quando será que o gestão vai começar, são seis meses de congestão.

  4. Anônimo nem tão anônimo Reply

    Interessante é que após 5 (cinco) meses de governo permanece o mesmo chefe do Departamento de Fiscalização (DEFIS). Também depois de 5 (cinco) meses, a criação da Agência Estadual de Defesa Agropecuária, promessa de governo, teve seu projeto inicial deformado pela atual administração e somente será implantada em 2012, conforme informações do próprio Secretário da Agricultura. Os profissionais de nível superior (Eng. Agr. e Méd. Vet.) admitidos no último concurso público, cuja última chamada foi no início deste ano, possuem salário igual a 51% do salário mínimo profissional. Como manter um quadro técnico profissional decente com essa remuneração?
    Mesmo os bons administradores não têm obrigação de ser mágicos.

  5. Os comentários do bordoada e do anônimo são injustos. Quem conhece o senhor Ortigara, servidor de carreira da SEAB, tem conhecimento que enqunto diretor geral, muitas vezes sem apoio dos mandatários superiores, carregou a Secretaria nas costas, trabalhando dez a doze horas diariamente.

    Agora ao assumir como Secretário, merecidamente, tem como desejo maior arrumar a casa, abandonada nos últimos anos, inclusive a área de sanidade animal. Agora verdade seja dita, tem muito servidor da Secretaria que ao invés de criticar as ações que estão sendo tomadas, deveria trabalhar mais, pois salário para muitos não é o problema,

  6. O que acontece é exatamente isso…a Secretaria virou gabide de emprego em todo o Estado. Cada Deputado que entra com o apoio do Governador, coloca chefes e diretores nas unidades de Estado em suas Cidades….existe descontinuidade de trabalho…ou nem isso…é comodismo….e os salários…são os mais baixos…Em Guarapuava, os Silvestri, tiraram toda a turma dos Mattos Leão…comemos carne sei lá se inspecionadas…..Existe no Paraná um frigorífico para bovinos com SIF!

    O que esse SR.diz é piada….e olha que na Cidade existe o curso de Medicina Veterinária……

  7. Funcionario SEAB Reply

    Isso é só o começo. O serviço de Defesa Agrópecuária está muito pior do que se pensa. O Parana deve se preparar para perder muito mais.

  8. É importante que todos os produtores tenham o conhecimento de quem é o principal impecilho para que a Defesa Sanitária Animal se modernize

  9. Agropecuarista paranaense Reply

    No ano passado o Ministério da Agricultura negou o reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação, por causa das deficiências dos serviços de fiscalização, inspeção e defesa agropecuária do estado.

    Agora, o problema com os russos. O que virá em seguida?

    Até quando os produtores terão que arcar com prejuízos por culpa de um serviço de defesa agropecuária ineficiente?

  10. O Atalaia do DEFIS Reply

    Pois é Paraná, isso é reflexo não de uma gestão, mas de várias. É um problema crônico que infelizmente quando dizem que vão resolver, não resolvem e criam teses e vãs doutrinas jurídicas para justificar o injustificável: O maior Estado produtor de carne de frango, de grãos e um dos maiores em suinos, cana, leite, bovinos, trigo, feijão e tantos outros produtos, mas possui a PIOR estrutura de defesa agropecuária entre os Estados com atividade agropecuária significativa na sua economia. Se defesa agropecuária não é interesse do Estado do Paraná, prezados empresários do agronegócio, invistam em Estado mais sérios (quem sabe SP, MG, SC, RO, TO, MA, SE, BA,ou seja, estados que investiram e estão investindo em defesa agropecuária )!!!
    Paranaenses , como bom Atalaia aviso, é o inicio do fim !!!

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