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Até quando?


De Carlos Alberto Pessôa

É compreensível que políticos espertos ou demagogos afirmem da boca pra fora ou façam juras de que a coisa estatal, do governo, é pública, do público. Velha embromação que Nietzsche detonou há mais de um século ao definir o Estado “como o mais frio dos monstros frios”, e apontar para a primária, para a grosseira mistificação que tenta se esconder sob a sovada expressão “propriedade do povo“.

Nada que é estatal ou do governo é do povo, do (in)distinto público; e muito menos ainda é do povão, dos adidos e mal pagos. Que não têm um tostão em nada disso, que não recebem um tostão de nada disso, que não possuem um tostão de nada disso que passa por “coisa pública”..

Coisa pública que quase sempre não passa de pátio de manobras exclusivo da burocracia que nela se pendura e se fixa, e dos políticos de plantão que nele apitam. Burocracia e políticos que fazem belas tabelinhas com o pobre dinheirinho extraído do (in)distinto público via impostos, taxas, etc. (Sobre este sempre atualíssimo tema leia o luminoso “OS DONOS DO PODER”, do Raymundo Faoro.)

Por isso é muito tedioso ouvir ou ler velhos políticos, à sério, confundirem a coisa estatal com a coisa pública. Até quando? E quantos séculos ainda o Brasil levará pra criar um partido ou um movimento político que mostre à população o eterno passa moleque que é confundi-las?

4 Comentários

  1. ORA, A “RES PUBLICA” É TOMADA AO PÉ DA LETRA, OU SEJA, COMO “VACA” PÚBLICA MESMO, COM TETAS GENEROSÍSSIMAS E INESGOTÁVEIS…

  2. Até acabarem com tudo, Pessoa, misturando coisa com coisa, público com privado, o povo no meio sem saber nem mesmo porque, e a coisa indo embora …

  3. O patrimonialismo se faz sentir mais acentuadamente depois do Sarney. E aumentou significativamete nos governo do FHC e do companheiro, que aparelhou o Estado com os correligionários. Sou servidor público, mas o povo não aprende que não existe lanche grátis, e quanto mais pobre, mais paga. E ponha isto na cabeça do povo, ele não acredita. Tony

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