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Curitiba: a nova meca da cerveja artesanal

Thais Kaniak para a Revista Ideias de junho (116)

Foto: blog.cervejagourmet.com

Na contramão das cervejas industriais, quem ganha espaço na capital paranaense são as cervejas especiais

Curitiba, de quatro anos para cá, tem sido vista como uma das capitais que mais produzem cervejas artesanais. O mercado, pouco conhecido, tem cada vez mais produtos feitos no Estado. E os curitibanos aderiram à novidade. Antes, tomar uma cervejinha eram duas opções: a clara ou a escura. Hoje é comum ouvir sobre tipos de cerveja, “ale, brown, weiss”. Diferentes marcas e nomes vêm conquistando espaço. Caldo de Bituca, Cerveja do Amor e Perigosa são novidade por aqui. Além de um novo mercado, existe um novo hábito e modo de vida.

Em janeiro deste ano foi fundada a Associação dos Cervejeiros Artesanais do Paraná (ACERVA-PR). Com menos de seis meses de existência, já conta com quase 100 pessoas. O movimento existe há mais de dois anos, mas a oficialização da entidade ocorreu agora em 2011, como conta André Junqueira, cervejeiro e presidente da Associação. “Foi o momento de criar a associação e envolver os cervejeiros artesanais e as microcervejarias. A regulamentação é cruel para cervejarias e temos como objetivo buscar uma diferenciação, uma equalização”, relata.

Os curitibanos, conhecidos como padrão de exigência e qualidade em todos os quesitos, não ficaram fora dessa. Não é à toa que, de acordo com Junqueira, já existem sete microcervejarias em Curitiba e Região Metropolitana: Asgard, Bier Hoff, Bodebrown, Gauden Bier, Klein Bier, Way Beer e Wesnky Beer.
As cervejas, além de serem aprovadas e bem consumidas, já conquistaram prêmios nacionais. Confira.

BEERVANGELIZAÇÃO
“Não importa o tamanho da panela para fazer cerveja boa”. É assim que Junqueira define a produção da bebida. Para ele, o foco está nas propriedades da cerveja. Junqueira conta que com um fogão industrial ou fogareiro, três panelas – sendo, pelo menos, duas com torneira – e dois queimadores já é possível fabricar cerveja artesanal.
Foi em janeiro do ano passado que Junqueira começou a fazer cerveja em casa: a Junka Beer. A vontade surgiu depois de ganhar de aniversário uma garrafa de cerveja artesanal.
Para Junqueira, Curitiba é “a nova Meca da cerveja”. Ao perceber como o público tem acolhido a cerveja artesanal, sente ainda maior a necessidade de divulgar esta arte. “É a ‘beervangelização’: ensinar a cultura de cerveja de alta qualidade”, defende. O cervejeiro enfatiza a importância da revolução da cultura cervejeira: “precisa-se tirar a cerveja do status de marginalização. É a revolução versus a ignorância”.

CERVEJA DE PANELA
Do consumo próprio a 60 pontos de venda no Paraná e em Santa Catarina. Da cerveja produzida na panela em casa à produção de 50 mil litros mensais. Foi assim a trajetória da empresária Suelen Presser, que há cinco anos começou a produzir cerveja em casa para consumo próprio e para os amigos de cobaia, como define. “O bom da cerveja de panela é que serve como um ‘lubrificante social’”, completa. A iniciativa do experimento iniciou quando a empresária e o marido, também cervejeiro, Henrique Presser passaram a comprar cervejas diferentes e, assim, despertaram o gosto por cerveja artesanal. Este foi o passo inicial para o surgimento da microcervejaria Klein Bier, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Após uma pesquisa de mercado, o casal resolveu investir. O passatempo de Suelen e do marido virou negócio. Ambos largaram seus empregos para tocar a cervejaria. “Foi difícil largar meu trabalho na indústria pesqueira. Eram duas paixões: o mar e a cerveja. Foi um desafio. Um investimento tão alto que tinha que dar certo”, relata.
A Klein produz cinco diferentes estilos de cerveja. A Pielsen, mais tradicional, garante metade da produção, a outra metade fica com as especiais. São elas: a Tchec, que é uma pielsen da República Tcheca; a Brownale, que leva cinco diferentes tipos de malte e um dos lúpulos mais caros do mundo; a Stout, estilo irlandês com malte torrado e lúpulo de amargor; e a Weiss, que é a cerveja de trigo.

Suelen acredita que o público está absorvendo a cultura cervejeira. Segundo a empresária, uma prova disto é a grande aceitação dos bares em ter chopp especial. “O mercado está com sede de cerveja especial, que está ganhando espaço entre marcas conhecidas, como Heineken e Brahma”, exemplifica. Ela conta que tanto produtor quanto público ganham com a entrada de novas cervejarias. “Vende-se mais quando se pode escolher”, afirma.

Motivo de orgulho para Suelen é a cerveja brown ale da marca. É a primeira cerveja deste tipo no Brasil. “Nós que fizemos o registro no Ministério da Agricultura”, conta.

CONFRARIA DO ESMALTE
“As cervejas artesanais produzidas no Paraná não deixam a desejar para as cervejas internacionais”, afirma a beer sommelier Carolina Tedesco Fiorani. Carolina, que é dona da Mercearia Coralina, vende no seu estabelecimento 40 marcas de cervejas artesanais de todo o Brasil – metade é de Curitiba. Ela explica que o público cervejeiro gosta de consumir cerveja de qualidade e de degustar a bebida. “Existe uma ideia errada de que cerveja é para se beber até encher a cara. Não, você pode apreciar, degustar. Tem cerveja que equivale a uma refeição”, conta e exemplifica mostrando uma cerveja fabricada com três tipos de grãos.
Assim como Junqueira, Carolina também defende a promoção da cultura cervejeira. “As pessoas estão se abrindo para as cervejas especiais, mas é um trabalho de formiguinha”, analisa. Os clientes da mercearia já aderiram a esta cultura e, a partir da metade do ano, poderão apreciar a cerveja que Carolina irá produzir com outra beer sommelier.

Carolina conta que as mulheres têm se destacado como consumidoras de cerveja especial. Tanto que, há dois anos, ela e mais cinco mulheres se encontram uma vez por mês para degustar cervejas e fazer a harmonização com pratos de comida ou petiscos. “É a Confraria do Esmalte e só entra quem é convidada”, garante.

PRÊMIOS
Os prêmios conquistados pelos cervejeiros do Estado comprovam a qualidade das cervejas artesanais paranaenses. Elas não agradam apenas o circuito cervejeiro local. Ultrapassaram as fronteiras do Paraná e garantem espaço no cenário nacional.

Em 2008, o cervejeiro Edigyl Pupo, de Imbituva, criador da De Bora Bier, levou o prêmio na categoria English India Pale Ale (IPA) no 3º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, realizado em Belo Horizonte.
Já no ano passado, foi a vez da cerveja de Junqueira, da Junka Beer. Ele foi campeão da categoria Oktoberfest/Märzen no 5º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, em Porto Alegre.
Ainda em 2010, outra cerveja local foi premiada. A São Seba foi a vencedora do concurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn. Hoje os seus três criadores têm a marca Ogre Bier e a cerveja de malte defumado (Rauchbier) Caldo de Bituca é a menina dos olhos da marca.

Neste ano, o Paraná continua no holofote cervejeiro. A cervejaria Way Beer, de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, teve a sua American Pale Ale (APA) eleita como a melhor Pale Ale do país pela revista masculina Maxim.

CERVEJARIA-ESCOLA
A microcervejaria Bodebrown, sediada em Curitiba, é pioneira: tem a primeira cervejaria-escola do país, como conta um dos cervejeiros da marca, Paulo de Tarso Cavalcanti. A escola ministra oficinas para Cervejeiro Caseiro, de Técnicas Cervejeiras Específicas, de Propagação de Levedura e de Degustação e Harmonização. Os cursos podem ter duração de um fim de semana até uma semana, dependendo do módulo escolhido.
A cervejaria-escola tem capacidade para atender 25 alunos por turma. Em 2010, segundo Cavalcanti, 170 pessoas passaram por ali. “A procura é muito grande. Sempre tem lista de espera. Mal acaba uma turma e já têm interessados para a próxima”, relata. Além do conhecimento, a Bodebrown compartilha com os microcervejeiros a oportunidade de utilizar as máquinas da fábrica para que eles façam a sua receita.
A cervejaria-escola da Bodebrown existe desde 2008, mesmo ano do surgimento da marca. A comercialização das bebidas só começou no fim do ano passado. A Bodebrown também tem uma loja de insumos e acessórios, onde os cervejeiros podem comprar equipamentos e matéria-prima.

CONSUMIDOR
O ilustrador Bruno Hoffmann Junior consome cerveja artesanal há oito anos. O interesse surgiu quando a cervejaria catarinense Eisenbahn chegou ao mercado. “Meus amigos já apreciavam cerveja especial, então uma coisa levou a outra”, conta. Hoffmann revela que quase não bebe mais a cerveja pielsen comercial, dá preferência para a artesanal.
Para Hoffmann, este movimento em torno da cerveja artesanal está apenas no início. “É pouca cerveja para muita gente. Não só os bares devem comprar a ideia desta ‘revolução’, mas o público também, para correr atrás e produzir sua própria bebida”, analisa. Ele explica que não fabrica cerveja em casa por falta de espaço, não de vontade.

Como consumidor de cerveja especial, Hoffmann não ficou de fora da 2ª edição do Beer Day, realizado em Curitiba no dia 13 de fevereiro deste ano. O evento reuniu mais de 2,2 mil pessoas sedentas por cerveja especial. Mais de cinco mil litros de cerveja foram consumidos. Uma oportunidade e tanto para os apreciadores que puderam escolher entre cerca de 100 rótulos disponíveis de cervejas dos mais variados estilos, oriundas de Curitiba e outras cidades do Paraná e também de outros estados e países. Ele acredita que um evento como este é fundamental. “Promove o encontro de quem gosta, além de reunir os produtores, que podem trocar receitas e técnicas”, finaliza.

6 Comentários

  1. Prezado Fabio Campana,
    Parabens por seu excelente e rico Blog.

    Gostaria de pedir a incluir as Premiações da MICROCERVEJARIA BODEBROWN LTDA, a Prineira cervejaria e Escola do Pais e que recentemente participou de 2 grandes festivais internacional de Melhor Cerveja e trouxe para o Brasil 3 Medalhas 2 de Pratas na Argentina BsAs no South Beer Cup nos Estilos Dry-Stout, Old Ale e uma de Ouro em Montreal no Mondial de Lá Bierre um dos mais exigentes concursos mundiais, com a cerveja Strong Scotch Ale Wee Heavy. Fato histórico no Parana e Curitiba. Ainda na ótica de elevar a Cerveja ao estado da Arte a Bodebrown é capa de uma das mais importante e influente Revista Americana “All About Beer Magazine”.
    Portanto orgulhosamente sentimos muita alegria em contribuir culturalmente para Cidade de Curitiba e gostaria de compartilhar com o Brasil através de todos seus seguidores. Muito obrigado pela oportunidade e atenção.

    Cordialmente

    Samuel Bodebrown

  2. TODO CUIDADO É POUCO…CERVEJA ARTESANAL LEVA AÇUCAR…UIUIUI CARBOIDRATO TOTAL! UMA BOMBA!

  3. Cidadã!!! e a cerveja industrial leva conservantes e outras pipocas…
    Aposto que tu és gorda…… uma draga…

  4. Olá Fábio!

    Parabéns pela matéria! Realmente, mostra com riqueza a evolução e diversidade da cultura cervejeira curitibana.
    Tive o prazer de conhecer um pouco dessa cultura e muitas dessas pessoas entrevistadas, quando justamente pelo motivo de sua matéria, a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) de São Paulo levou o curso de Sommelier de Cervejas à Curitiba no primeiro semestre 2011.
    Foi um grande prazer fazer uma “pequena parte” desse crescimento, levando um pouquinho de conhecimento e paixão aos excelentes cervejeiros curitibanos!

    Grande abraço a todos,
    Kathia Zanatta

  5. Em Outubro teve também o Wikibier em Curitiba. .mais um evento que mostra não só o crescimento das cervejas artesanais como também a qualidade das cervejarias que estão aparecendo não só no Paraná,mas no país em geral.
    Curitibeer city e que venha mais cerveja de verdade pela frente =)

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