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Rossoni leva para a polícia cartas com ameaças à sua vida

Presidente da Assembleia Legislativa recebeu série de correspondências intimidatórias. Policiais ainda não tem suspeitos

Heliberton Cesca da Gazeta do Povo
Foto Nani Gois

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), recebeu ameaças de morte por meio de cartas entregues na sede do Poder Legislativo. Pelo menos dez correspondências chegaram ao gabinete da presidência recentemente com teor considerado “grave” pelo Gabinete de Se­­gurança Militar. Cinco delas foram entregues na última segunda-feira à Polícia Civil, quando foi registrado um Boletim de Ocorrência no 3.º Dis­­­trito Policial, no bairro Mercês em Curitiba.

Esse é o segundo caso envolvendo a segurança do presidente da Assembleia que chega à Polí­cia Civil. O primeiro foi o atentado a tiro contra o carro utilizado por Rossoni. O presidente na Assembleia não estava no veículo. O autor do tiro ainda não foi identificado.

Nos bastidores, comenta-se sobre ameaças ao presidente do Legislativo desde fevereiro, mas Rossoni evitava dar detalhes sobre o assunto. Porém, ele diz ter mudado de estratégia depois do atentado. Segundo ele, as ameaças pioraram recentemente, depois do anúncio, na semana passada, de que 90% das aposentadorias da Casa têm irregularidades. “Está ficando muito desgastante. Estou perdendo a tranquilidade”, afirmou.

Rossoni assumiu a presidência da Assembleia no início deste ano, em meio a um dos períodos mais turbulentos da história do Legislativo paranaense. No ano passado, a série de reportagens Diários Secretos, da Gazeta do Povo e da RPC TV, mostrou diversas ilegalidades no Legislativo. Para o presidente da Assembleia, as intimidações estão diretamente ligadas à mudança de gestão. Entre outras coisas, os seguranças da Casa foram afastados, alguns funcionários comissionados demitidos, benefícios irregulares foram cortados e a gráfica foi fechada.

Investigação

A Gazeta do Povo teve acesso a uma das correspondências entregues na delegacia, em que um remetente anônimo fala em contratar um suposto pistoleiro identificado como “Cachorro Louco” para matar Rossoni. “Não é possível [que] depois de velho tenha que começar a vida de novo e ainda arranjar dinheiro pra (sic) fazer execução. Vamos evitar de nos encontrar no inferno”, diz a correspondência en­­tregue na semana passada ao Legislativo.

No início da carta, o autor dá indícios da insatisfação: “Chega de sair baboseiras no jornal que vai derrubar enquadramento e demitir pessoal”, afirma a carta que apresenta um endereço falso, na Vila Verde, em Curitiba. A desconfiança é de que o documento tenha sido entregue diretamente na caixa de correspondências da Assembleia, já que tem um selo, mas não tem carimbo de uma agência dos Correios.

O diretor do Gabinete Militar, tenente-coronel Arildo Luís Dias, da Polícia Militar, disse que há pistas para chegar ao autor de algumas ameaças, já que há cartas manuscritas. O superintendente do 3.º Distrito, Sérgio Quirino, confirmou que será iniciada uma investigação para tentar identificar um suspeito.

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